A cantora e compositora de jazz norte-americana Cassandra Wilson morreu aos 70 anos, na sua cidade natal de Jackson, no estado do Mississippi. Não foi revelada a causa da morte. A vocalista, duas vezes vendcedora do Grammy, foi escolhida pela revista TIME como “a melhor cantora da América” em 2001 e era sobretudo conhecida pelo seu contralto distinto e aberto a vários géneros. Redefiniu as fronteiras entre os sons tradicionais do blues, do jazz e da folk, e trabalhou em vários géneros, incluindo pop, country e R&B.
“É com profunda tristeza que anunciamos a morte de Cassandra Wilson, artista de jazz lendária e vencedora de prémios Grammy”, escreveu o seu agente, Robert Torre, num comunicado (via estação de rádio de jazz WBGO (fonte em inglês)). “Cassandra Wilson morreu tranquilamente em casa, rodeada pela família, amigos próximos e pelo seu agente. A família e os amigos próximos pedem respeitosamente privacidade neste momento difícil, enquanto choram a sua perda.”
O presidente da câmara de Jackson, John Horhn divulgou também um comunicado: “Jackson perdeu uma filha da terra extraordinária e o mundo perdeu uma voz musical singular. Cassandra Wilson levava consigo o som, o espírito e a história do Mississippi para onde quer que a sua música chegasse. Construiu uma carreira notável, enraizada no jazz, no blues, no gospel, na folk e nas muitas tradições que moldam a identidade musical do nosso estado.”
O músico Jon Batiste afirmou, numa homenagem, que Wilson tinha o som do Sul. “Tinha um timbre vocal e uma forma de frasear inconfundíveis, e a maneira como entrelaçava música folclórica, R&B e sons da diáspora com géneros experimentais e populares teve um impacto enorme em mim”, acrescentou Batiste.
Wilson ganhou reconhecimento da crítica em 1988 com o seu terceiro álbum, “Blue Skies”, e assinou mais tarde pela editora Blue Note Records, no início dos anos 90, alcançando sucesso de grande impacto com discos como “Blue Light ’Til Dawn” (1993) e “New Moon Daughter”, de 1996, este último vencedor do Grammy para Melhor Interpretação Vocal de Jazz. Recebeu o segundo Grammy em 2009, com o álbum “Loverly”, distinguido como Melhor Álbum Vocal de Jazz.
Ao longo da carreira a solo, contribuiu também para álbuns de Steve Coleman, Greg Obsy e para dois discos dos The Roots, “Do You Want More?!!!??!” e “Illadelph Halflife”, e gravou com nomes como Luther Vandross, Regina Carter, Angelique Kidjo, John Legend, Ravi Coltrane e a Count Basie Orchestra. Foi ainda uma voz central no oratório “Blood on the Fields”, de Wynton Marsalis, que em 1997 se tornou a primeira obra de jazz a receber o Prémio Pulitzer de Música.
Em 2015, Wilson deu um concerto especial no lendário Apollo Theater para assinalar o centésimo aniversário da cantora de blues Billie Holiday. Nesse mesmo ano, lançou o seu último álbum de estúdio, “Coming Forth By Day”, uma homenagem a Holiday. Em 2020, formou o supergrupo chamado Dopamine, ao lado de Elvis Costello, DJ Premier, T-Bone Burnett e Nathaniel Rateliff. Em 2022, Wilson recebeu a o prêmio Jazz Master da National Endowment for the Arts, uma das mais altas distinções atribuídas a músicos de jazz nos Estados Unidos.
A cantora esteve duas vezes no Brasil, em 1994, quando substituiu o cantor Mel Tormé, no extinto Free Jazz Festival, e em 2009, durante a turnê do disco "Loverly", no qual recria standards do jazz, entre eles "Caravan" (Duke Ellington), "The Very Thought of You" (Ray Noble) e "Black Orpheus" (versão de "Manhã de Carnaval", de Luiz Bonfá).
FONTE: EURONEWS

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