quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Blue Note Rio - Vídeos

Inaugurado em agosto de 2017, o Blue Note Rio tem feito aquilo que prometeu, ou seja, ser um espaço para a música instrumental brasileira e para novos talentos do país.

Grandes nomes já passaram pelo pequeno e aconchegante palco localizado Lagoa, uma das mais belas paisagens da cidade do Rio de Janeiro.

Nomes como Sergio Mendes, Roberto Menescal, João Donato, Ed Motta, Hamilton de Holanda, Eumir Deodato, Marcos Valle, Carlos Lyra, Ivan Lins, Leny Andrade, Joyce Moreno, Wagner Tiso, além dos internacionais Chick Corea, Rudresh Mahanthappa, Chris Botti, Richard Bona e Incognito. Abaixo você assiste na íntegra dezenas de shows que aconteceram no Blue Note Rio. Bom divertimento.


TRIBUTO A LENY ANDRADE


TRIBUTO A MARCIO MONTARROYOS


BRUCE HENRI TRIO


WAGNER TISO & MÁRCIO MALLARD


QUARTETO DO RIO - TRIBUTO A MENESCAL


RUDRESH MAHANTHAPPA


RICARDO SILVEIRA & VINICIUS CANTUÁRIA


ADAURY MOTHÉ TRIO - TRIBUTO A DOM SALVADOR


JOÃO DONATO, ROBERTO MENESCAL, MARCOS VALLE & CARLOS LYRA


MELISSA ALDANA


AZYMUTH


GABRIEL GROSSI


DAVID FELDMAN TRIO - TRIBUTO A LUIS EÇA


RAUL DE SOUZA


JOÃO DONATO


CAMA DE GATO % ARTHUR MAIA


GILSON PERANZZETTA


MARCOS SUZANO TRIO


HAMILTON DE HOLANDA


QUARTEO EM CY & DANILO CAYMMI


GUINGA & JEAN CHARNAUX


LÉO GANDELMAN & JÚLIO BITTENCOUR


YAMANDU COSTA


JOYCE MORENO


LENY ANDRADE


NELSON FARIA & MAURICIO EINHORN


AIRTO MOREIRA


ED MOTTA


KENNY GARRET

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Downbeat: os melhores discos de 2018

A revista Downbeat publica anualmente, em janeiro, um apanhado sobre os CDs mais bem cotados de todas as edições do ano anterior.

É uma ótima oportunidade para encontrar grandes discos que, por vários motivos, passaram desapercebidos.

No topo da lista, com a cotação de cinco estrelas, apenas cinco discos conquistaram plenamente o exigentes críticos da revista.

No ano passado, ou seja, 2017, os críticos deram cinco estrelas para 23 discos. A pergunta que fica no ar é: Os críticos este ano estão mais exigentes ou os discos do ano passado foram bem melhores que os lançados em 2018?

São eles: Ambrose Akinmusire (Origami Harvest), Kenny Barron Quartet (Concentric Circles), Stacey Kent (I Know I Dream: The Orchestral Sessions). Wojtek Mazolewski (Polka) e Steve Tibbets (Life Of).

Desta relação, apenas o álbum de Stacey Kent é cantado. Stacey tem uma carreira sólida de duas décadas, 15 álbuns lançados e uma conhecida paixão pela música brasileira.

Em seu novo disco (foto acima), esta paixão volta a transbordar com cinco canções, entre elas "Double Rainbow" e "Photograph", ambas compostas por Tom Jobim. Acompanhada de uma orquestra de 60 músicos, a voz de Stacey está ainda mais límpida e precisa nesta bela produção da gravadora OKeh.

O veterano pianista Kenny Barron também figura entre os disco cinco estrelas. Lançado pela gravadora Blue Note, Concentric Circles (foto acima) traz Barron no formato de quinteto, incluindo o saxofonista Dayna Stephens e o trompetista Mike Rodriguez.

No repertório, composições próprias e temas de Caetano Veloso (Aquele Frevo Axe), Lenny White (L’s Bop) e Thelonious Monk (Reflections).

O trompetista Ambrose Akinmusire fez um álbum inquietante. Considerado um dos músicos mais interessantes de sua geração, ao lado do pianista Robert Glasper, Akimusire mesclou com inteligencia e talento jazz, rap e música erudita em seu novo disco (foto acima). Com a participação do Mivos Quartet e do rapper Kool A.D., o som lembra muito o que foi feito pelo duo US3, no começo da década de 1990, e pelo cantor D'Angelo.

O baixista polonês Wojtek Mazolewski é mais uma estrela do jazz que vem dos países frios da Europa, entre eles Finlândia, Suécia e Noruega. A cena jazzista nesta região é crescente e tem sido apresentada com frenquência pelos selo ECM e ACT.

O disco de Mazolewski (foto ao lado) foi originalmente lançado em 2014 por um selo polonês. A versão avaliada pela Downbeat traz novas músicas adicionadas ao disco Polka.

Ao lado do baixista, estão o pianista Joanna Duda, o trompetista Oskar Stenmark e o saxofonista Marek Pospieszalski.

Para fechar este seleto grupo está o disco do guitarrista norte-americano Steve Tibbets (foto abaixo), que grava há anos pela ECM. Neste novo trabalho, ele preferiu um violão de 12 cordas. O resultado é uma música intimista e com uma atmosfera indiana oferecida pelo percussionista Marc Anderson. Um trabalho lúcido e muito bem gerido pelo experiente músico.

A revista também mostra outros seis títulos com cinco estrelas, mas de álbuns que eles chamam de históricos, ou seja, são trabalhos brilhantes, mas não são lançamentos.

Neste lista entraram os seguintes títulos: Bob Dylan (Trouble No More - The Bootleg Series Vol.13: 1979–1981), Fela Kuti (Underground System) Woody Shaw (Tokyo'81). Fred Hersch (Heartsongs), Oscar Peterson (Oscar Peterson Plays) e Muddy Waters (The Best Of Muddy Waters).

A edição traz outras dezenas de títulos divididos em outras duas cotação, quatro estrelas e meia e quatro estrelas. O Brasil aparece com quatro discos. São eles: Luciana Souza (The Book Of Longing), Duduka da Fonseca (Plays Dom Salvador), Eliane Elias (Music From Man Of La Mancha) e o relançamento de um disco de Emilio Santiago (Far Out), de 1975.

Abaixo você encontra uma faixa de cada um dos discos que receberam cinco estrelas. Começando por Stacey Kent e seguido por Ambrose Akinmusire, Kenny Barron, Wojtek Mazolewski e Steve Tibbets.









segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

E lá se vai 2018

Outro ano acaba e com ele ficam boas e más lembranças, bons e maus momentos. Essa é a graça de viver, não é mesmo?

Um dos bons momentos no jazz em 2018, sem dúvida nenhuma, foi a descoberta do disco "perdido" do saxofonista John Coltrane.

Em julho, Both Directions at Once: The Lost Album chegou às lojas e arrebatou os fãs sempre sedentos por novos e raros registro deste que é considerado um dos mais importantes músicos de jazz de todos os tempo.

O disco traz uma gravação feita em 6 de março de 1963, nos estúdios de Rudy Van Gelder, em Nova Jersey. Ao lado do saxofonista está Jimmy Garrison (baixo), Elvin Jones (bateria) e McCoy Tyner (piano).

As gravações perdidas foram descobertas com a primeira mulher de Coltrane, Juanita Naima Coltrane. Das sete faixas encontradas, duas composições originais são inéditas, "Untitled Original 11383" e "Untitled Original 11386", ambas tocadas com saxofone soprano. Outra composição descoberta, "One Up, One Down", nunca tinha tinha sido gravada em estúdio, apenas em apresentações ao vivo.

O ano também trouxe outros lançamento de pesos pesados, entre eles Bill Frisell, Tony Bennett, Charles Lloyd, Wayne Shorter, Joe Lovano, John Scofield, Dr. Lonnie Smith (foto ao lado), Dave Holland e Bob James, todos veteranos que já passaram dos 65 anos.

Veja no final deste texto uma relação com os "principais" discos de 2018, que inclui Brad Mehdaul, Joshua Redman, Kurt Elling e Cécile McLorin Salvant.

O ano de 2018 teve uma boa safra de shows no país. A novidade foi o "novo" festival de jazz patrocinado pelo Sesc. O antigo Jazz na Fábrica virou Sesc Jazz. Mas a essência do festival continuou a mesma, ou seja, uma visão ampla do universo do jazz.

Entre as atrações que tocaram no evento estavam a saxofonista Melissa Aldana, o pianista Stefano Bollani, o duo Isfar Sarabski e Shahriyar Imanov, o guitarrista Fred Frith, o saxofonista Henry Threadgill, o pianista Vijay Iye, o saxofonista Archie Shepp e o veterano pianista brasileiro Dom Salvador.

Outros festivais, entre eles, Jazz & Blues (CE), Ilha Bela (SP), BB Seguros de Jazz e Blues (SP), POA Festival (RS) e Sampa Jazz (SP), também ofereceram grandes atrações. Nomes internacionais como Richard Bona, Paolo Fresu & Chano Dominguez, Ambrose Akinmusire e Al Di Meola dividiram as atenções com os brasileiros Hermeto Pascoal, Airto Moreira, Pepeu Gomes, Leo Ganderman, Dori Caymmi, Juarez Moreira, Maurício Einhorn e Nelson Farias.

Além dos festivais, é importante registrar as turnês da cantora Diana Krall (foto ao lado), do pianista Herbie Hancock e do guitarrista John Pizzarelli, que trouxe o show em comemoração aos 50 anos do disco Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim.

Nos shows, ao lado de Pizzarelli, estava Daniel Jobim, neto de Tom Jobim.

Outro destaque positivo foi a casa Blue Note Rio. Inaugurada em agosto de 2017, a casa se consolidou este ano como o mais importante local de shows da capital Fluminense.

Em 2018, os cariocas tiveram a oportunidade de assistir no Blue Note nomes como Antonio Adolfo, Wagner Tiso, Zé Paulo Becker, Richard Bona, Os Bossa Nova (Roberto Menescal, Carlos Lyra, Marcos Valle e João Donato), Ambrose Akinmusire, Isfar Sarabski Trio e Shahriyar Imanov, Fernanda Takai, Eliane Elias, Danilo Caymmi, Incognito, João Donato e Joyce Moreno.


Donato, Menescal, Lyra e Valle lotam o Blue Note com o show Os Bossa Nova

Por falar em Blue Note, a casa anunciou a abertura de uma filial paulista em fevereiro de 2019. O endereço escolhido não poderia ser mais emblemático, o Conjunto Nacional, que fica na avenida Paulista, esquina com rua Augusta. Nomes como Leny Andrade, João Bosco, Amilton Godoy, Toquinho, César Camargo Mariano e Azymuth já têm shows agendados para SP.

Outro destaque foi o documentário Quincy, exibido pela NetFlix. O programa conta a história do produtor Quincy Jones, considerado um dos mais importantes nomes da música mundial do século XX. O documentário acompanha o dia a dia do produtor de 85 anos e mostra como ele se tornou a lenda que trabalhou com Count Basie, Michael Jackson, George Benson e Frank Sinatra.

Em 2018, a cantora norte-americana Nina Simone entrou para Hall da Fama do Rock. É um feito e tanto para uma instituição que dá preferência a músicos de rock. Junto com Nina, Bon Jovi, The Cars, Dire Straits e Moody Blues também foram incluídos neste seleto grupo. Nina morreu em 2013, aos 70 anos de idade.

Infelizmente o jazz perdeu figuras importantes em 2018. A última delas, o trompetista Roy Hargrove (49) (foto ao lado), de ataque do coração, em novembro.

Quem também fará falta é o saxofonista Randy Weston (92), o pianista Cecil Taylor (89), o trompetista Hugh Masekela (78), o saxofonista Sonny Fortune (79), o percussionista Jerry González (69), o trompetista Tomasz Stańko (76), a cantora Aretha Franklin (76) e empresária Lorraine Gordon (95), proprietária da casa Village Vanguard, na cidade de Nova York.

Em 2019 cinco importantes figuras do jazz terão seu centenário comemorado. São eles: o cantor Nat King Cole (17/3), o pianista Lennie Tristano (19/3), o pianista George Shearing (13/8), o baterista Art Blakey (11/10) e a cantora Anita O'Day (18/10).

Outras efemérides que valem o registro é o aniversário de 90 anos do baterista Jimmy Cobb (20/1) e do saxofonista Benny Golson (25/1). Cobb é o único remanescente do grupo que acompanhou o trompetista Miles Davis no disco Kind Of Blue, de 1959, que contava ainda com John Coltrane, Bill Evans, Paul Chambers e Cannonball Adderley.

Golson (foto ao lado) é um dos mais prolixos compositores do jazz. De seu sax saíram temas como "Killer Joe", "I Remember Clifford", "Along Came Betty", "Stablemates", "Whisper Not" e "Are You Real".

Ao lado do saxofonista Sonny Rollins, Golson é um dos dois sobreviventes da antológica foto feita por Art Kane, em 1958, no bairro do Harlem, em Nov York, conhecida como A Great The In Harlem.

Outras três datas merecem destaque, os 60 anos da morte da cantora Billie Holiday e os 50 anos das mortes do saxofonistas Coleman Hawkins e do clarinetista Pee Wee Russel.

Holiday morreu aos 44 anos, no dia 17 de julho de 1959. Hawkins, que era o saxofonista predileto de Billie, morreu no dia 19 de maio de 1969, aos 64 anos, e Russel morreu em 15 de fevereiro de 1969, aos 62 anos.

2019 marca ainda o aniversário de 60 anos de quatro álbuns fundamentais na história do jazz. São eles: Kind of Blue (Miles Davis), Time Out (Dave Brubeck), Mingus Ah Um (Charles Mingus) e The Shape of Jazz to Come (Ornette Coleman). A importância destes discos foi destaque no documentário 1959: The Year that Changed Jazz. Veja o documentário nos players abaixo.

Outro fato que marcou 2018 foi a crise vivida pelas duas maiores redes de livrarias do país: Cultura e Saraiva. Ambas entraram com pedido de recuperação judicial. A Saraiva fechou 20 lojas em todo país e a Cultura fechou sua loja no centro do Rio de Janeiro. Vale lembrar que a Livraria Cultura tinha adquirido as 12 lojas da francesa FNAC no Brasil, mas fechou todas em menos de dois anos.

O que vai acontecer com as duas redes de livrarias ainda não foi decidido. O fato é que o mercado editorial precisa ser repensado para continuar vivo. Em contrapartida, a livraria carioca Travessa e a mineira Leitura anunciaram que devem expandir suas lojas físicas nos próximos anos. Diante de realidades tão diferentes, é difícil fazer uma previsão do que acontecerá nos próximos anos.

Veja abaixo alguns álbuns lançados em 2018:

Tony Bennett e Diana Krall (Love is Here to Stay,)
Cécile McLorin Salvant (The Window)
Joshua Redman (Still Dreaming)
Luciana Souza (The Book of Longing)
Eliane Elias (Music from Man of La Mancha)
Medeski Martin & Wood (Omnisphere)
Bob James (Espresso)
Dave Holland (Uncharted Territories)
Kurt Elling ( The Questions)
Dr. Lonnie Smith (All In My Mind)
John Scofield (Combo 66)
Bill Frisell (Music IS)
Wayne Shorter (Emanon)
Andrew Cyrille (Lebroba)
Charles Lloyd & The Marvels (Vanished Gardens)
Madeleine Peyroux (Anthem)
Joe Lovano & Dave Douglas Sound Prints (Scandal)
The Bad Plus (Never Stop II)
Kamasi Washington (Heaven and Earth)
Brad Mehldau (Seymour Reads The Constitution)