quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Legado de Raphael Rabello ao violão é incontestável

Falar sobre a genialidade de Raphael Rabello é cair no lugar comum, mas invariavelmente inevitável.

Morto em 1995, aos 32 anos, o violonista fluminense foi um músico prodígio, influenciado pelo avô e pelos irmãos, Rafael mostrou muito precocemente sua habilidade no instrumento. Seu maior ídolo foi Dino 7 Cordas, com quem gravaria um disco em 1991.

Outro momento importante na carreira de Rafael foi o encontro com o maestro Radamés Gnattali, em 1977, quando Rafael tocava violão de 7 cordas no grupo Carioquinhas ao lado da irmã, Luciana (cavaquinho), e os músicos Paulo Magalhães Alves (bandolim), Mário Florêncio (pandeiro) e Téo Oliveira (violão de 6).

No livro Raphael Rabello: O Violão Em Erupção, biografia lançada em 2018, pela Editora 34, o jornalista Lucas Nobile conta o primeiro encontro de Rafael e Radamés. Segundo Nobile, Rafael estava em estúdio gravando com os Carioquinhas quando Radamés, por acaso, estava no mesmo local. O maestro foi chamado para ver Rafael em ação e chamou o jovem músico, na época com 15 anos, para uma conversa.


O jovem Raphael Rabello toca com o maestro Radamés Gnattali (Divulgação)

Radamés quis saber se o violonista sabia ler partitura e fazer harmonias. Rafael não respondeu, então Radamés pediu para que Rafael fosse estudar harmonia e depois o procurasse. E foi isso que Rafael fez. Dois anos após este encontro, os dois se reuniram e criaram o conjunto Camerata Carioca, que gravou o disco Tributo A Jacob Do Bandolim, em 1979.

Durante sua breve carreira, Raphael gravou 22 discos, dos quais 16 instrumentais, muitos deles acompanhando cantores do quilate de Elizeth Carsoso, Ney Matogrosso e Nelson Gonçalves, além dos discos em parceria com o saxofonista Paulo Moura, Romero Lubambo, Dino 7 Cordas e Radamés.

Um dos seus discos mais conhecidos é Todos os Tons, de 1992, um tributo ao maestro Tom Jobim, com participações do violonista espanhol Paco De Lucia, do baterista Wilson das Neves e do violoncelista Jaques Morelenbaum.

Em 2002, o disco póstumo Mestre Capiba é lançado. Raphael trabalhava na obra do compositor pernambucano quando faleceu. O disco traz grandes nomes da mpb, entre eles Chico Buarque, Maria Bethania, Caetano Veloso e Ney Matogrosso, todos acompanhados pelo violão de Rabello.

O legado de Raphael fica ainda mais claro com o lançamento do disco Um abraço no Raphael Rabello, da gravadora Acari. A iniciativa do tributo, lançado em 2012, ano em que o violonista completaria 50 anos, parte do violonista Rogério Caetano, que convidou vários músicos para gravarem composições inspiradas em Raphael.

Entre os instrumentistas que participam do álbum estão Yamandu Costa, Alessandro Penezzi, Hamilton de Holanda, Mauricio Carrilho e Marco Pereira.







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