quarta-feira, 27 de maio de 2020

Dee Dee Bridgewater - Eleanora Fagan (1915-1959): To Billie With Love From Dee Dee

Por 14 anos o Guia de Jazz esteve no ar com a missão de aproximar os internautas ao jazz. Um dos tópicos mais visitados era o de dicas de CDs, no qual dezenas de discos eram indicados e resenhados por mim.

Infelizmente, com o fim do site em setembro de 2015, todo esse acervo foi "perdido". Mas não totalmente perdido.

Além do livro Jazz ao Seu Alcance, que traz todo o conteúdo do guia, você encontrará quinzenalmente neste blog algumas dicas de CDs publicadas anteriormente no site Guia de Jazz.

Sempre que possível, ao final de cada resenha você encontrará vídeos do Youtube com algumas faixas do disco indicado para escutar. Boa leitura e audição. Veja outras dicas de CDs aqui

Dee Dee Bridgewater - To Billie With Love From Dee Dee (2010)

Faz muito tempo que acompanho a veterana cantora Dee Dee Bridgewater, mas nunca “consegui” escrever algo sobre ela. Não há um motivo claro para que isso tenha ocorrido. Simplesmente não aconteceu. Mas essa situação sempre me incomodou, já que estamos falando de uma intérprete com quase 40 anos de carreira e uma discografia com grandes álbuns, entre eles tributos à Ella Fitzgerald, Horace Silver e a Duke Ellington.

Dee Dee não é apenas mais uma cantora de jazz. Basta ouvir os discos Just Family (78) e Bad for Me (79). Nesta época, ela flertava com a soul music. No início dos anos 70, cantou em musicais da Broadway e chegou a ganhar o Oscar dos musicais.

Mas sua carreira jazzística começou a decolar nos anos 90, quando foi contratada pela gravadora Verve e comparada a Ella Fitzgerald. São desta época os discos Dear Ella, tributo à Ella que ficou com o Grammy de melhor disco vocal em 1997, e Love & Peace (95), com composições do pianista Horace Silver.

Apesar de todo esse currículo, só tomei coragem de indicar um disco da cantora após vê-la ao vivo. Que experiência arrebatadora. Em 2011, Dee Dee esteve no Brasil com a turnê do disco Eleanora Fagan (1915-1959): To Billie With Love From Dee Dee, no qual interpreta canções da carreira de Billie Holiday, acompanhada de um quarteto. Em 2010, o disco ficou com o Grammy de melhor disco vocal de jazz.

Após duas horas de show, a única coisa que eu queria fazer, além de continuar escutando Dee Dee, era escrever algo sobre aquela cantora que tinha acabado de me deixar sem palavra, uma ironia para um jornalista. A homenagem à Billie não poderia ter sido mais feliz. O repertório, os arranjos, os músicos e, é claro, a maturidade de uma cantora com 60 anos de idade e quatro décadas de estrada fizeram deste disco um título obrigatório.

O CD abre com a clássica “Lady Sings the Blues”. Na sequência, você encontra “All of Me”, com direito a marca registrada de Dee Dee, o scat, e a introspectiva “Good Morning Heartache”. Em “Lover Man”, a cantora abre espaço para o solo do pianista porto-riquenho Edsel Gomez.

Na deliciosa “Fine and Mellow”, Dee Dee e o saxofonista James Carter, presente em quase todas as faixas do disco, dão um banho de sensualidade e conquistam o ouvinte de vez. Como brinde, você ainda leva “God Bless the Child”, “Foggy Day” e a melancólica “Don’t Explain”, na qual Billie conta a história de uma mulher traída e resignada.







quarta-feira, 20 de maio de 2020

2020 JJA Jazz Awards - Os vencedores

Os vencedores da 25ª edição do Jazz Journalists Association Jazz Awards foram divulgados no dia 20 de maio. Considerado um dos mais importantes prêmios do jazz, a associação é composta por jornalistas especializados de diversos veículos de comunicação.

Entre os prêmios mais cobiçados estão o Lifetime Achievement in Jazz, uma espécie de prêmio pelo conjunto da obra, e o de artista do ano e disco do ano.

Neste ano, a maior honraria ficou com a veterana pianista Carla Bley (foto), que tem uma carreira de seis décadas. Carla completou 82 anos de idade no dia 11 de maio. O prêmio de Lifetime Achievement ficou em muito boas mãos. Em 2019, quem levou esse prêmio foi o pianista AHmad Jamal, e em 2018 ficou com o saxofonista Benny Golson.

O prêmio de artista do ano ficou com a baterista Terri Lyne Carrington, e o de disco do ano foi para o saxofonista Branford Marsalis, com o álbum The Secret Between the Shadow and the Soul.

A gravadora alemã ECM ficou pelo segundo ano consecutivo com o prêmio de melhor gravadora. Quem também repetiu o prêmio de 2019 forma o cantor Kurt Elling, a cantora Cécile McLorin Salvant, o guitarrista Bill Frisell, o trombonista Wycliffe Gordon, a clarinetista Anat Cohen e o saxofonista tenor Chris Portter. Clique aqui para ver todos os vencedores do Jazz Journalists Association Jazz Awards na categoria melhor disco de jazz.






VEJA TODOS OS VENCEDORES ABAIXO:

Lifetime Achievement in Jazz
Carla Bley

Músico
Terri Lyne Carrington

Revelação
Lakecia Benjamin

Compositor
Kris Davis

Arranjador
Miguel Zenón

Record of the Year
The Secret Between the Shadow and the Soul
Branford Marsalis

Historical Record of the Year
Musical Prophet: The Expanded 1963 New York Studio Sessions
Eric Dolphy

Gravadora
ECM

Cantor
Kurt Elling

Cantora
Cécile McLorin Salvant

Big Band
Art Ensemble of Chicago 50th Anniversary

Conjunto
Allison Miller's Boom Tic Boom

Trompetista
Christian Scott aTundé Adjuah

Trombonista
Wycliffe Gordon

Metais
Joe Lovano

Saxofonista alto
Miguel Zenón

Saxofonista tenor
Chris Potter

Saxofonista barítono
Lauren Sevian

Saxofonista soprano
Jane Ira Bloom

Flautista
Nicole Mitchell

Clarinetista
Anat Cohen

Guitarrista
Bill Frisell

Pianistar
Kris Davis

Tecladista
Herbie Hancock

Baixista
Linda May Han Oh

Cordas
Tomeka Reid

Percussionista
Zakir Hussain

Vibrafonista
Joel Ross

Baterista
Terri Lyne Carrington

Outros instrumentos
Brandee Younger (harpa}

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Dia Internacional do Jazz 2020

No dia 30 de abril de 2020, uma nova edição do International Jazz Day aconteceu. Desta vez, devido à pandemia do coronavírus, o evento foi online, ou seja, cada um na sua casa.

Pelo nono ano consecutivo, o lendário pianista Herbie Hancock foi o mestre de cerimônia, que contou com a participação de músicos de diversas nacionalidades.

O único brasileiro presente foi o baterista Kiko Freitas, que tocou via internet com o pianista norte-americano John Beasley e o saxofonista sueco Magnuns Lindgren.

Também se apresentaram virtualmente as cantoras norte-americanas Lizz Wright, Cécile McLorin Salvant e Jane Monheit, o guitarrista britânico John McLaughlin, o pianista chinês Lang Lang, os norte-americanos Marcus Miller (baixo), John Scofield (guitarra) e Elew )(piano) e os russos Igor Butman (sax) e Evgeny Pobozhiy (guitarra).

Com 2h de duração, o evento também trouxe apresentações de edições passadas do International Jazz Day. Entre os escolhidos estão as cantoras Aretha Franklin, Dianne Reeves, Angelique Kidjo e Dee Dee Bridgewater, o baixista Richard Bona e o trompetista Hugh Masekela.


Herbie Hancock apresentou o evento de sua casa


A última música apresentada foi "Imagine", de John Lennon, gravada na edição de 2019, em Melbourne, na Austrália, com a participação de Jane Monheit, Lizz Wright, Kurt Elling, Ledisi, Somi e o violonista brasileiro Chico Pinheiro.

Diversos eventos ao redor do mundo também festejaram a data. No Brasil, várias apresentações online aconteceram em cidades como Santos (SP), Tibau do Sul (RN), Pelotas (RS), Brasília (DF) e Belo Horizonte (MG). O festival BB Seguros de Blues e Jazz também fez parte da programação brasileira. O músico convidado foi o bandolinista Hamilton de Holanda.

Quem também deu sua contribuição foi o trio The 3 Cohens, formado pelos irmão Anat (clarinete), Yuval (sax) e Avishai (trompete). Cada um em sua casa, eles interpretaram o tema "Line Up", do pianista Lenny Tristano. Diretamente do Japão, o veterano pianista Makoto Ozone fez um concerto solo com 1h de duração interpretando temas como "One Note Samba" e "Sir. Duke". Abaixo você confere as duas apresentações.







Abaixo você encontra a íntegra da edição de 2020 e os vídeos de algumas edições passadas, que aconteceram em Melbourne-Sydney (2019), São Petersburgo-Rússia (2018), Havana-Cuba (2017), Washington-EUA (2016), Paris-França (2015), Osaka-Japão (2014), Istambul-Turquia (2013) e Paris-França (2012).













sábado, 28 de março de 2020

Kenny Barron & Charlie Haden - Night and the City

Por 14 anos o Guia de Jazz esteve no ar com a missão de aproximar os internautas ao jazz. Um dos tópicos mais visitados era o de dicas de CDs, no qual dezenas de discos eram indicados e resenhados por mim.

Infelizmente, com o fim do site em setembro de 2015, todo esse acervo foi "perdido". Mas não totalmente perdido.

Além do livro Jazz ao Seu Alcance, que traz todo o conteúdo do guia, você encontrará quinzenalmente neste blog algumas dicas de CDs publicadas anteriormente no site Guia de Jazz.

Sempre que possível, ao final de cada resenha você encontrará vídeos do Youtube com algumas faixas do disco indicado para escutar. Boa leitura e audição. Veja outras dicas de CDs aqui

Kenny Barron & Charlie Haden - Night and the City (1998)


A elegância de um álbum acústico e intimista muitas vezes consegue superar a gravação de um grupo com bateria, guitarra, sax e trompete. Somado a isso, imagine um disco gravado ao vivo em um pequeno clube de jazz com dois músicos exímios em plena sintonia e uma qualidade de gravação impecável.

Provavelmente, você dirá que tem pelo menos uma dezena de discos com essas características em sua discoteca. Pois bem, mas a pergunta chave vem agora: Por acaso você tem Night and the City, do pianista Kenny Barron e do baixista Charlie Haden?

Se a resposta for negativa, tudo bem, não é o fim do mundo, mas uma coleção de jazz nunca estará completa sem esse disco. Em resumo, vá comprá-lo. Por que comprá-lo? Além de tudo que já foi dito no início deste texto, não é todo dia que uma apresentação desta magnitude, gravada na casa nova-iorquina Iridium, em setembro de 1996, acontece e, além disso, é lançada em CD.

Vamos aos fatos. Kenny Barron é um dois principais pianistas em atividade. Ele tocou com músicos como Dizzy Gillespie, Freddie Hubbard, Stan Getz e tem em sua discografia álbuns como Scratch e Spirit Song. Charlie Haden dispensa apresentação. Ao lado de Ron Carter e Dave Holland, o músico completa a tríplice aliança do baixo acústico, todos devotos dos mestres Charles Mingus e Ray Brown.

Além disso, o jovem Haden, na época com 23 anos, participou da gravação do álbum Free Jazz, do saxofonista Ornette Coleman, em 1960, considerado um dos mais importantes discos da história do jazz. O contrabaixista morreu em 2014, aos 76 anos.

Para terminar, algumas informações sobre o álbum em questão. No repertório, clássicos como “Body and Soul”, “Spring Is Here” e “The Very Thought Of You”, tudo muito bem alinhado e com extrema delicadeza. Destaque também para “Twilight Song”, com um solo impecável de Barron, e “You Don’t Know What Love Is”, com Haden dedilhando seu talento e sensibilidade como poucos. Quer mais? Só ouvindo para entender o significado da expressão “lavar a alma”.









quinta-feira, 5 de março de 2020

TUCCA traz estrelas do jazz e do erudito

Há 20 anos, a TUCCA traz ao Brasil alguns dos maiores artistas do circuito internacional de música clássica e jazz em prol de crianças e adolescentes carentes com câncer.

A temporada 2020, como de costume, prima pela excelência artística e oferece um leque variado que vai do barroco ao contemporâneo, passando pela MPB e incluindo obras de ícones internacionais como The Beatles e Mozart.

O guitarrista norte-americano Pat Metheny abre a série de concertos em março. O músico lançou em 2020 o disco From This Place. No show de São Paulo, o guitarrista estará acompanhado pelo mesmo trio que gravou seu último álbum.

A música clássica brilha com a pianista Elena Bashkirova e a Jerusalém Chamber Music Festival Ensemble, em maio, com a Stuttgart Chamber Orchestra e o pianista Dejan Lazic, em outubro, e a Concertgebouw Chamber Orchestra acompanhada pela violinista Sarah Chang, em agosto.

A música brasileira está representada pelo veterano pianista Cesar Camargo Mariano, que compôs arranjos exclusivos para acompanhar a premiada cantora de jazz Patti Austin, em abril.

As cantoras brilham novamente com Nnenna Freelon, em junho, acompanhada pela Jazz Orchestra (formada apenas por mulheres), e Lizz Wright (foto), que fecha a temporada de nove concertos em dezembro. A série Tucca ainda traz o premiado grupo vocal norte-americano Take 6 ao lado do trio do gaitista Gregoire Maret, em setembro, e o violonista de Montenegro Milos Karadaglic, em novembro. Mais informações sobre as atrações, clique aqui.



PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

16 de março
PAT METHENY

7 de abril
CESAR CAMARGO MARIANO CONVIDA PATTI AUSTIN

13 de maio
ELENA BASHKIROVA & JERUSALÉM CHAMBER MUSIC FESTIVAL ENSEMBLE

3 de junho
NNENA FREELON & THE DIVA JAZZ ORCHESTRA

8 de agosto
CONCERTGEBOUW CHAMBER ORCHESTRA & SARAH CHANG

15 de setembro
TAKE 6 COM GREGOIRE MARET TRIO

29 de outubro
STUTTGART CHAMBER ORCHESTRA & DEJAN LAZIC

25 de novembro
MILOS KARADAGLIC

8 de dezembro
LIZZ WRIGHT













quarta-feira, 4 de março de 2020

Jazz Sinfônica recebe grandes nomes da MPB na Sala São Paulo

A Sala São Paulo divulgou a agenda de shows da orquestra Jazz Sinfônica Brasil em 2020.

Neste ano, a orquestra receberá grandes nomes da música brasileira em uma série de oito concertos chamado Encontros Históricos, sempre com dois artistas renomados acompanhados pela Jazz Sinfônica.

Até o fim do ano, um sábado por mês, o público terá a oportunidade de assistir a nomes consagrados da MPB, entre eles, João Donato, Marcos Valle, João Bosco e Gilberto Gil.

Ingressos adquiridos até o dia 10 de abril terão desconto de 15%. Clique aqui para comprar os ingressos.



PROGRAMAÇÃO

14/3
João Donato e Marcos Valle

25/4
João Bosco e Zizi Possi

23/5
Ivan Lins e MPB4

27/6
Erasmo Carlos e Roberta Sá

29/8
Hermeto Pascoal, Hamilton de Holanda e Arismar do Espírito Santo

19/9
Gilberto Gil

3/10
Ana Carolina e Diogo Nogueira

28/11
Alcione e Martinho da Vila



Sala São Paulo fica na região central da capital



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

100 álbuns que abalaram o mundo do jazz

A proposta da revista inglesa Jazzwise é bem simples. Apontar os 100 discos de jazz que mais abalaram o mundo do jazz e que mudaram, de alguma forma, a rota do jazz em mais de um século de história.

É uma proposta ousada e que dificilmente contentará a todos, mas a lista tem argumentos para cada um dos títulos selecionados, ou seja, não é apenas mais um Top 100 baseado exclusivamente no que "os outros dizem". Todos os discos indicados trazem dados interessantes sobre o contexto que foram criados e como seus criadores ousaram em suas obras.

A justificativa para cada título pode não convencer você, mas isso não parece intimidar os críticos que foram chamados para encarar o desafio. Todos os discos indicados foram lançados no século XX. As exceções são o trio norte-americano The Bad Plus (These Are The Vistas) e o grupo britânico Polar Bear (Held On The Tips of Fingers). Ambos trazem propostas ousadas e misturam diferentes influências musicais em suas composições.

Ao analisarmos rapidamente os títulos escolhidos, é possível perceber que "ninguém" ficou de fora. Os grandes nomes, ou seja, quem sempre aparece neste tipo de lista, estão aqui: Miles Davis, John Coltrane, Dave Brubeck, Charlie Parker, Louis Armstrong, Herbie Hancock, Duke Ellington, Thelonious Monk, Dizzy Gillespie, Charles Mingus, Sonny Rollins, Count Basie, Chick Corea, Ella Fitzgerald, Billie Holiday e Sarah Vaughan.

Outra particularidade que fica evidente é falta de artista contemporâneas na lista, que somam aproximadamente 10% das indicações. Entre eles, além do The Bad Plus e Polar Bear, estão Wynton Marsalis, Diana Krall, Cassandra Wilson, Courtney Pine, Esbjörn Svensson Trio, Brad Mehldau, John Zorn, Steve Coleman e Medeski, Martim and Wood. Obviamente que Marsalis não é exatamente contemporâneo, mas ele é um dos artistas pós década de 1980 que aparece na lista.

Ao fazer uma compilação com álbuns que mudaram as diretrizes do jazz, seria inevitável incluir discos que fizeram parte do free jazz e avant-garde, ambos nascidos na década de 1960. São desses movimentos que nasceram obras fundamentais dos pianistas Andre Hill e Cecil Taylor, dos saxofonistas Ornette Coleman, Albert Ayler, Anthony Braxton, Charles Lloyd, Roland Kirk, Sun Ra, Archie Shepp, Peter Brötzmann, Pharoah Sanders e Eric Dolphy e dos grupos Art Ensemble of Chicago e Music Improvisation Company.

A revolução do fusion jazz, iniciada no começo da década de 1970, também está muito bem representada aqui. Entre seus mais ilustres representantes estão Mahavishnu Orchestra, Herbie Hancock e seu álbum Head Hunters, Weather Report, Chick Corea e seu disco Return To Forever e Miles Davis, com o brilhante Bitches Brew, que em 2020 completa 50 anos do seu lançamento.

O Brasil é lembrado em duas oportunidades. A primeira, obviamente, é o disco de João Gilberto e parceria com o saxofonista Stan Getz: Getz/Gilberto, de 1963. O álbum é o ápice da fusão da bossa nova com o jazz. A batida da música brasileira foi adotada pelos jazzistas na década de 1960 e, até hoje, é lembrada e reverenciada no exterior.

O outro brasileiro citado é a pianista Eliane Elias, na época que fazia parte do quinteto Steps Ahead. O grupo liderado pelo saxofonista Michael Brecker trazia em seu som um jazz mais contemporâneo e que seria base de uma parcela significativa da produção jazzistica da década de 1980.

Abaixo você encontra o Top 20 da lista criada pela Jazzwise. Além do nome do disco e do ano de seu lançamento, a listagem mostra o nome de todos os músicos que participaram de cada disco indicado. Para conhecer o ranking completo, clique aqui e acesse o site da revista britânica.


Miles Davis - Kind of Blue - Columbia
Miles Davis (t), John Coltrane (ts), Cannonball Adderley (as), Wynton Kelly (p), Bill Evans (p), Paul Chambers (b) and Jimmy Cobb (d).
1959

John Coltrane - A Love Supreme - Impulse!
Coltrane (ts, v), McCoy Tyner (p), Jimmy Garrison (b) and Elvin Jones (d).
1964

Ornette Coleman - The Shape of Jazz To Come - Atlantic
Coleman (as), Don Cherry (t), Charlie Haden (b), Billy Higgins (d).
1959

Bill Evans Trio - Sunday At The Village Vanguard - Riverside
Evans (p), Scott LaFaro (b) and Paul Motian (d).
1961

Sonny Rollins - Saxophone Colossus - Prestige
Rollins (ts), Tommy Flanagan (p), Doug Watkins (b) and Max Roach (d).
1956

Thelonious Monk - Brilliant Corners - Riverside
Monk (p, celeste), Ernie Henry (as), Sonny Rollins (ts), Oscar Pettiford/Paul Chambers (b), Max Roach (d) and Clark Terry (t).
1956

Charles Mingus - Mingus Ah Um - Columbia
Mingus (b), Jimmy Knepper/Willie Dennis (tb), John Handy (as, ts), Shafi Hadi (as), Booker Ervin (ts), Horace Parlan (p) and Dannie Richmond (d).
1959

Charlie Parker - Bird: The Complete Original Master Takes. The Savoy Recordings - Savoy Jazz
Parker (as, ts), Miles Davis (t), Dizzy Gillespie, Argonne Thornton, Clyde Hart, Bud Powell, John Lewis, Duke Jordan (p), Tiny Grimes (g, v), Curley Russell, Tommy Potter (b), Harold West and Max Roach (d) plus others.
1945-48

Miles Davis - Bitches Brew - Columbia
Miles Davis (t), Wayne Shorter (ss), Bennie Maupin (b cl), Joe Zawinul, Chick Corea (el p), John McLaughlin (g), Dave Holland (b), Harvey Brooks (el b), Lenny White, Jack DeJohnette (d), Don Alias (perc) and Jumma Santos (shaker).
1969

Keith Jarrett - The Köln Concert - ECM
Jarrett (p).
1975

John Coltrane - Giant Steps - Atlantic
Coltrane (ts), Tommy Flanagan, Cedar Walton, Wynton Kelly (p), Paul Chambers (b), Lex Humphries, Art Taylor and Jimmy Cobb (d).
1959

Eric Dolphy - Out to Lunch - Blue Note
Dolphy (f, as, b cl), Freddie Hubbard (t), Bobby Hutcherson (vb), Richard Davis (b) and Tony Williams (d).
1964

Louis Armstrong - Complete Hot Fives and Sevens - Columbia
Armstrong (ct, v), Honore Dutrey, Edward Kid Ory, J.C. Higginbotham, Jack Teagarden (tb), Johnny Dodds, Don Redman, Jimmie Noone (cl), Barney Bigard, Happy Caldwell (ts), Lonnie Johnson (g), Johnny St Cyr (bj), Lil Hardin, Earl Hines (p), Baby Dodds, Zutty Singleton (d) and others.
1925-1930

Duke Ellington - The Blanton-Webster Band - RCA Bluebird
Ellington (p), Wallace Jones, Cootie Williams, Ray Nance (t), Rex Stewart (ct), Joe Nanton, Lawrence Brown (tb), Juan Tizol (v tb), Barney Bigard (cl), Johnny Hodges, Otto Hardwick (as), Ben Webster (ts), Harry Carney (bs, bcl) Fred Guy (g), Billy Strayhorn (p), Jimmy Blanton (b), Sonny Greer (d), Ivie Anderson, Herb Jeffries (v) and others.
1940-1942

Mahavishnu Orchestra - Inner Mounting Flame - Columbia
John McLaughlin (g), Jerry Goodman (vln), Jan Hammer (key), Rick Laird (b) and Billy Cobham (d).
1972

Albert Ayler Trio - Spiritual Unity - ESP-Disk
Ayler (ts), Gary Peacock (b) and Sunny Murray (d).
1964

Herbie Hancock - Head Hunters - Columbia
Herbie Hancock (ky), Bennie Maupin (saxes, fl, b cl), Paul Jackson (b), Harvey Mason (d) and Bill Summers (perc).
1973

Dave Brubeck - Time Out - Columbia
Brubeck (p), Paul Desmond (as), Eugene Wright (b) and Joe Morello (d).
1959

Ornette Coleman - Free Jazz - Atlantic
Ornette Coleman (as), Freddie Hubbard, Don Cherry (t), Eric Dolphy (b cl), Scott LaFaro, Charlie Haden (b), Ed Blackwell and Billy Higgins (d).
1960

Weather Report - Heavy Weather - Columbia
Joe Zawinul (ky), Wayne Shorter (ts, ss), Jaco Pastorius (b), Alex Acuña (d) and Manolo Badrena (perc).
1976











sábado, 22 de fevereiro de 2020

Pat Metheny volta orquestrado e ousado em novo álbum

Quase cinco décadas se passaram desde o primeiro disco lançado pelo guitarrista norte-americano Pat Metheny. Durante todos esses anos, o músico sempre procurou se desafiar musicalmente. Solo, em dueto, em trio, em quarteto, com orquestra, não importa, seus discos nunca passaram desapercebidos.

Hoje, aos 66 anos, Metheny volta à cena com um disco à altura do seu talento e da sua história. From This Place traz o guitarrista escorado pela orquestra de Hollywood Studio, dirigida por Joel McNeely, e arranjos dos experientes pianistas Alan Broadbent e Gil Goldstein, que já trabalhou com Metheny na década de 1990.

Não é a primeira vez que o guitarrista tem uma orquestra o acompanhando, mas este é sem dúvida sua melhor parceria com este tipo de arranjo. Para ajudá-lo nesta nova empreitada, ele escalou seu trio habitual formado por Antonio Sánchez (bateria), Linda May Han Oh (baixo) e Gwilym Simcock (pianista).

Para o fã mais assíduo do guitarrista, será impossível ouvir este disco e não lembrar do álbum Secret Story (1992), considerado por muitos o disco mais ousado de sua carreira. As referências estão em quase todas as músicas. Logo no primeiro tema, "America Undefined", com 13 minutos de duração, é possível sentir a música tomando forma e expandindo os horizontes sonoros do ouvinte. A orquestra cria uma atmosfera de imensidão e a bateria de Sánchez pulsa com força e precisão.


Metheny tem quase cinco décadas de carreira e 20 Grammys no currículo


A fórmula é repetida em "Wide and Far", desta vez com mais espaço para as frases envolventes da guitarra de Metheny, e "You Are". Em "Pathmaker", a orquestra de McNeely está presente, mas com a sutileza necessária para deixar o quarteto fazer seu papel de protagonista. O mesmo acontece com "Sixty-Six", com a música oferecendo uma montanha russa de sensações e um pouco de nostalgia ao recriar a bateria de uma das mais populares composições de Metheny: "Last Train Home".

Com a presença da orquestra, não poderia faltar temas mais introspectivos e delicados. É isso que o músico traz em "Love May Take Awhile", na tocante "From This Place", com a voz de Meshell Ndegeocello, e em "The Past in Us", com a gaita de Gregoire Maret e a percussão de Luis Conte.

A famosa guitarra sintetizada que tanto marcou a carreira de Metheny aparece em "Same River", com a sonoridade do saudoso Pat Metheny Group. Por fim, "Everything Explained", que não poderia ter um nome mais perfeito para sintetizar a sonoridade do álbum. O tema pulsante traz Metheny tomando a dianteira na sua primeira metade, seguido depois de uma bela participação do pianista Simcock.

Pat Metheny toca no Brasil nos dias 16 e 17 de março, respectivamente, em São Paulo e no Rio de Janeiro, e depois segue com a turnê para o Chile, Peru, México e Cuba. Infelizmente, a orquestra que acompanha o músico no novo álbum não virá, mas o trio com Sánchez, Simcock e Oh está garantido. Sorte de quem tiver a oportunidade de ver o experiente músico mais uma vez de perto.











sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Saudade de Pixinguinha

Falar de Pixinguinha é falar sobre a origem do choro e da brasilidade de nossa música. Para muitos, ele foi o mais genial músico brasileiro de todos os tempos. Ao seu lado, nomes como Tom Jobim, Cartola, Heitor Villa-Lobos, Garoto, Radamés Gnattali, Ary Barroso, Jacob do Bandolim e Dorival Caymmi são a elite e o alicerce do que é a essência da música popular brasileira.

Nascido Alfredo da Rocha Vianna Filho, em 23 de abril de 1897, em Piedade, Rio de Janeiro, era filho do flautista e funcionário do Departamento Geral dos Telégrafos, Alfredo da Rocha Viana e de Raimunda Viana. O Dia Nacional do Choro é comemorado em 23 de abril em homenagem ao músico.

Aos 14 anos, já era flautista profissional. Em 1915, fez sua primeira gravação para a Casa Falhauber, com o grupo Choro Carioca, interpretando o tango brasileiro “São João Debaixo d’água”, de seu professor Irineu de Almeida. Em 1917, gravou o choro “Sofre Porque Queres” e a valsa “Rosa”, em parceria com Alfredo Vianna.

Em 1918, Pixinguinha e o amigo Donga foram convidados para tocar na sala de espera do cinema Palais, no centro do Rio de Janeiro. Nascia então o grupo “Oito Batutas”, formado por Pixinguinha (flauta), José Alves (bandolim), José Palmieri (pandeiro), Nelson dos Santos (cavaquinho), Donga e Raul Palmieri (violão), Luís de Oliveira (bandolim e reco-reco) e China (canto, piano e violão).

Três anos depois, o grupo fez uma temporada de sucesso em Paris, na França. De volta ao Brasil, continuou se apresentando com Os Batutas até terminar o grupo e recomeçar ao lado de Donga a Orquestra Pixinguinha-Donga. Sua composição mais famosa, "Carinhoso", é escrita em 1928, mas a versão definitiva com a letra de João de Barros só aconteceria em 1937. Em 1932, Pixinguinha fundou o grupo da “Velha Guarda”, junto com Luís Americano, Vantuil, Donga, João da Baiana e outros.

Estátua do músico na Travessa do Ouvidor, centro do Rio

Entre suas composições mais marcantes estão "Rosa" (1917), que ganharia letra de Otávio de Sousa em 1937, "Um a zero" (1949) e "Vou vivendo" (1946), ambas em parceria com o flautista Benedito Lacerda, "Lamentos" (1928), que ganharia letra de Vinicius de Moraes em 1962 e teria o nome mudado para "Lamento", "Naquele Tempo" (1934) e "Ingênuo" (1947).

Em 1968, Pixinguinha grava o disco Gente de Antiga ao lado da cantora Clementina de Jesus e do compositor João da Baiana. O álbum traz sambas, choros e partido-alto. No repertório, "Cabide De Molambo" e "Batuque Na Cozinha", de Baiana, além de composições de Pixinguinha como "Aí Seu Pinguça" e "Fala Baixinho". Ouça abaixo a íntegra deste disco.

Em 17 de fevereiro de 1973, um sábado de Carnaval, Pixinguinha faleceu dentro da igreja Nossa Senhora da Paz, onde estava para batizar o filho de um amigo. Foi enterrado no dia seguinte, no cemitério de Inhaúma, Rio de Janeiro, ao lado de sua mulher, que falecera um ano antes.

Em 1998, o saxofonista Paulo Moura lança o disco Paulo Moura & Os Batutas - Pixinguinha, com o repertório composto por obras de Pixinguinha. Gravado ao vivo no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, Paulo Moura escalou uma formação de octeto, nos moldes do grupo Oito Batutas de Pixinguinha, para criar a atmosfera ideal para a plateia.

O grupo é formado por Joel do Nascimento (bandolim), Zé da Velha (trombone), Jorge Simas (violão de 7 cordas), Márcio Almeida (cavaquinho), Jorginho (pandeiro) e Marçal e Jovi (percussão). No repertório, clássicos como "Urubu Malandro", "Pelo Telefone", "Rosa" e "Cochichando". Ouça abaixo a íntegra deste disco.

Em 2016, no bairro de Ramos, zona norte do Rio de Janeiro, no Bar da Portuguesa, foi inaugurada uma estátua em homenagem ao músico. O local era frequentado por Pixinguinha, que costumava ir ao bar vestindo pijama e chinelo, exatamente como foi retratado na bela estátua criada pelo escultor Ique. Essa é a segunda estátua do músico na cidade. A primeira está na Travessa do Ouvidor (foto acima), no centro da cidade, e é de autoria Otto Dumovich.

Em 2017, foi divulgado que o filme Pixinguinha - Um Homem Carinhoso, estrelado por Seu Jorge (Pixinguinha) e Taís Araújo (mulher do compositor) (foto acima), estava com dificuldade para ser concluído por falta de dinheiro.

A direção é da cineasta Denise Saraceni e conta ainda com a participação especial de Lázaro Ramos, que interpreta Alfredo Vianna, pai de Pixinguinha. Não há previsão para o lançamento do filme.

Para conhecer um pouco mais Pixinguinha e o choro, veja a série Brasil Toca Choro, produzida pela TV Cultura e disponível no canal oficial do programa no Youtube. Clique aqui e boa diversão.

Em 2013, o bandolinista Hamilton de Holanda lançou o disco Mundo Pixinguinha, com participações especiais de Stefano Bollani, Richard Galliano, André Mehmari e Omar Sosa. Clique aqui para ver o DVD de Hamilton de Holanda.

Nos vídeos abaixo você encontro programas especiais sobre Pixinguinha exibidos pela TV Cultura, um no programa Bem Brasil, com participação de Henrique Cazes, Bocato, Armandinho, Nosso Choro e Mônica Salmaso outro no programa Ensaio, com Ademilde Fonseca, Vinicius de Moraes, Toquinho, Época de Ouro, Altamiro Carrilho, Nicolino Copia e Tom Jobim.






















Fonte: MUSEU AFRO BRASIL & UOL EDUCAÇÃO

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Rachelle Ferrell - Live in Montreux 91-97

Por 14 anos o Guia de Jazz esteve no ar com a missão de aproximar os internautas ao jazz. Um dos tópicos mais visitados era o de dicas de CDs, no qual dezenas de discos eram indicados e resenhados por mim.

Infelizmente, com o fim do site em setembro de 2015, todo esse acervo foi "perdido". Mas não totalmente perdido.

Além do livro Jazz ao Seu Alcance, que traz todo o conteúdo do guia, com dicas de CDs, DVDs, livros, entrevistas e muito mais, você encontrará quinzenalmente neste blog algumas dicas de CDs publicadas anteriormente no site Guia de Jazz.

Sempre que possível, ao final de cada resenha você encontrará vídeos do Youtube com algumas faixas do disco indicado para escutar. Boa leitura e audição. Veja outras dicas de CDs aqui

Rachelle Ferrell - Live in Montreux 91-97 (2002)


O mercado de música é um mistério. Às vezes nos perguntamos por que este ou aquele cantor não é conhecido, já que há tanto talento. Mas sabemos que a vida não é racional ou lógica, muito menos o show business. Esta introdução é a ideal para falar sobre a cantora norte-americana Rachelle Ferrell.

Formada pela renomada escola Berklee College of Music, de Boston, ela gravou seu primeiro disco em 89. Na época, apenas a crítica prestou alguma atenção. Felizmente, Rachelle teve dois padrinhos de peso, o trompetista Dizzy Gillespie e o produtor e arranjador George Duke. Com isso, ela conseguiu seu espaço e um pequeno, mas fiel, fã-clube.

Para conhecer um pouco seu universo, um bom começo é o disco Live At Montreux 1991-97, lançado em 2002. Aqui, você encontra uma compilação das três apresentações da cantora, em diferentes anos, no mais charmoso festival de jazz do planeta, o Montreux, da Suíça.

O disco abre com uma versão de “You Send Me”, do cantor soul Sam Cooke. Acompanhada de um trio afiado, o pianista Eddie Green, o baixista Tyrone Brown e o baterista John Roberts, Rachelle cria um arranjo jazzístico da pesada e mostra seus dotes musicais. A mesma atmosfera com o trio de jazz acontece em “You Don’t Know What Love Is” e “Don’t Waste My Time”, de autoria da própria cantora. Para completar a primeira parte do disco, a intimista “My Funny Valentine”, com destaque para o baixo acústico de Brown.


Rachelle Ferrell participou de várias edições do Montreux Jazz Festival


Na parte mais pop do álbum, a voz de Rachelle lembra muito a da cantora inglesa de rhythm and blues, Des’ree. Aqui, a presença de George Duke é vital nas canções autorais de Rachelle, “I Can Explain” e “I’m Special”. O jazz volta a reinar em “Bye Bye Blackbird”. Para agraciar o público suíço, a ela interpreta duas canções na língua local, o francês. São elas “Me Voila Sol” e “On Se Reveillera”.

Após ouvir este disco, o leitor entenderá bem o significado da introdução deste texto. Rachelle domina sua voz com muita competência. Ela se dá bem no jazz, no pop e no soul. Com suas peripécias vocais, que caminham entre Betty Carter, Sarah Vaughan, Diane Schuur e Dianne Reeves, esta norte-americana nascida na Pensilvânia ainda será descoberta para o bem do jazz e para a alegria do público.











domingo, 26 de janeiro de 2020

Grammy 2020: os vencedores

Os vencedores da 62ª edição dos prêmios Grammy foram divulgados no dia 26 de janeiro. Ao todo são 84 categorias que englobam ritmos como blues, gospel, jazz, dance, rock, country, metal, folk, r&b, entre outros.

O jazz tem cinco categorias: melhor improvisação solo, melhor disco vocal, melhor disco instrumental, melhor disco de big band e melhor disco de jazz latino.

A categoria melhor improvisação de jazz ficou com o veterano trompetista Randy Brecker, com a música "Sozinho", do disco Rocks.

O grande vencedor de melhor disco de big band é Brian Lynch Big Band, com o álbum The Omni-american Book Club. O melhor disco de jazz instrumental ficou com o pianista Brad Mehldau, pelo disco Finding Gabriel (foto).

O Brasil concorria em duas categorias: melhor disco de jazz latino com o álbum Sorte!: Music by John Firbury, que traz nos vocais a cantora carioca Thalma de Freitas, e na categoria melhor arranjo instrumental e vocal pela música "Marry Me a Little", uma parceria do violonista Diego Figueiredo e da cantora francesa Cyrille Aimée, do disco Move On: A Sondheim Adventure, lançado por Cyrille, no início de 2019.

Mas os dois acabaram superados pelo pianista Chick Corea, que ficou com o Grammy de melhor disco de jazz latino, com o álbum Antidote, e pelo pianista Jacob Collier, que levou o prêmio na categoria melhor arranjo instrumental e vocal pela música "All Night Long", versão do sucesso da década de 1980 composta pelo cantor Lionel Richie. A música de Collier está no álbum Djesse Vol. 1. Esse foi o 23° Grammy da carreira de Chick Corea, que tem 78 anos de idade.

Por fim, Esperanza Spalding conquista o quarto Grammy de sua carreira com o disco 12 Little Spells (foto). Neste ano, Esperanza superou as cantoras Tierney Sutton, Sara Gazarek, Jazzmeia Horn e Catherine Russell. O primeiro prêmio de Esperanza aconteceu em 2010, quando levou na categoria revelação.

Clique aqui para ver todos os vencedores do Grammy na categoria melhor disco de jazz, e clique aqui para ver todos os vencedores na categoria melhor disco vocal de jazz.



Melhor Improvisação Solo

SOZINHO
Randy Brecker
Álbum: Rocks

Álbum Vocal

12 LITTLE SPELLS
Esperanza Spalding

Álbum Instrumental

FINDING GABRIEL
Brad Mehldau

Álbum de Big Band

THE OMNI-AMERICAN BOOK CLUB
Brian Lynch Big Band

Álbum de Jazz Latino

ANTIDOTE
Chick Corea & The Spanish Heart Band










quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Maria Mendes faz deliciosa ponte entre jazz e fado

É inevitável falar de fado quando fazemos referência à música portuguesa. Obviamente que a arte e a música de Portugal vão muito além do fado, mas a importância desta expressão cultural portuguesa é onipresente. Nomes como Amália Rodrigues, Carlos do Carmo e Carlos Paredes são responsáveis pela fascinação que o fado exerce sobre os ouvintes em diferentes cantos do planeta.

Mas para quem deseja “fugir” do óbvio, basta querer dar o primeiro passo. Muito provavelmente você vai se deparar com Mariza, Carminho, Joana Amendoeira e Ana Moura, algumas das cantoras portuguesas mais populares do país. Mas essa lista não estará completa sem a presença de Maria Mendes, cantora que vive há uma década na Holanda.

Ela lançou no fim de 2019 o disco Close to Me, pela gravadora Justin Time. O álbum tem como grande êxito misturar fado com jazz e orquestra. Para ajudá-la neste projeto, Maria escalou o pianista e arranjador norte-americano John Beasley e a orquestra holandesa Metropole Orkest. Além disso, ela também é acompanhada do seu costumeiro trio, formado por Karel Boehlee (piano), Jasper Somsen (baixo) e Jasper van Hulten (bateria).

Com os músicos em campo, a cantora oferece ao ouvinte uma experiência única, com o jazz permeando todas as canções. A música mais impactante é a versão de “Barco Negro”, de Amália Rodrigues. Aqui, Maria é acompanhada pela orquestra e imprime uma cadência quase lírica ao seu canto. Em “Verdes Anos”, de Paredes, a técnica de scat e o lírico se encontram em uma pulsante versão de tirar o fôlego.

O Brasil está representado com a composição de Hermeto Pascoal na brasileiríssima “Hermetos Fado for Maria”, com a cantora novamente abusando da técnica scat. Maria gravou ainda três composições próprias. Destaque para “Tempo Emotivo”, com Maria acompanhada apenas do vibrafone de Vincent Houdijk, e “Fado da Invejosa”, que oferece uma bela fusão entre o trio de jazz e a orquestra Metropole.

Amália volta com força e jazzística nos temas “Tudo Isto é Fado”, “Foi Deus” e “Asas Fechadas”. Em contraponto, o ouvinte também tem a oportunidade de ouvir compositores contemporâneos nos temas “Há Música do Povo”, de Mariza com letra de Fernando Pessoa, e “E se não for Fado”, de Mafalda Arnauth.

Justin Time

No catálogo da gravadora canadense Justin Time é possível perceber o predomínio de cantoras. Além da portuguesa, encontramos nomes como Emma Frank, Laura Anglade, Barba Lica, Halie Loren, Katherine Penfold e Ariel Pocock. O selo também é a casa da veterano Carmen Lundy e da premiada cantora Cécile McLorin Salvant. Vale a pena uma visita na pagina oficial da gravadora na plataforma Soundcloud, onde é possível ouvir músicas de todas essas cantoras na íntegra. Ouça abaixo o disco de Mara Mendes.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Downbeat: melhores de 2019

A revista Downbeat publica anualmente, em janeiro, um apanhado sobre os CDs mais bem cotados de todas as edições do ano anterior. É uma ótima oportunidade para encontrar grandes discos que, por vários motivos, passaram desapercebidos.

No topo da lista, com a cotação de cinco estrelas, apenas seis discos conquistaram plenamente os críticos da revista.

São eles: Terri Lyne Carrington and Social Science (Waiting Game), Dave Douglas (Brazen Heart Live at Jazz Standard), Delia Fischer (Tempo Mínimo), Eliane Elias (Love Stories), Ted Nash Trio (Somewhere Else: West Side Story Songs) e Santana (Africa Speaks).

Pela primeira vez, o Brasil tem dois discos neste seleto time e, além disso, duas cantoras: Eliane Elias e Delia Fischer. Eliane é uma veterana em premiações e sempre muito bem cotada no mercado internacional. Seu novo disco traz belos arranjos de orquestra e temas românticos como "Bonita", de Tom Jobim, "Angel Eyes", "Come Fly with Me", do repertório de Frank Sinatra, e "Silence" e "The View", ambas compostas por Eliane.

A surpresa foi o disco da pianista e arranjadora carioca Delia Fischer, que é mais conhecida por seu trabalho como compositora e arranjadora. Neste disco (Tempo Mínimo), Delia também canta e oferece ao ouvinte belos arranjos e sua voz delicada, mas especialmente virtuosa para os temas gravados aqui. Destaque para "Garra", composição de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, com participação de Marcos nos vocais, e "Canção de Autoajuda", parceria de Delia com o compositor Carlos Careqa.

A revista também deu cinco estrelas para o disco The Complete Cuban Jam Sessions, uma coletânea de cinco discos, gravados entre 1956 e 1964, com um grupo de músicos cubanos formado por Julio Guitiérrez, Niño Rivera, José Fajardo e israel "Cachao" López. Esse disco foi incluído na categoria histórico, ou seja, é recém-lançamento, mas não é "novo".

A edição traz outras dezenas de títulos divididos em duas cotações: quatro estrelas e meia e quatro estrelas. O Brasil aparece novamente, desta vez com o pianista Antônio Adolfo (Samba Jazz Alley), a Banda Black Rio (O Som das Américas) e o violinista Guilherme Pimenta (Catopé).

A relação também destaca, entre outros, discos de Angelique Kidjo, Abdullah Ibrahim, Ahmad Jamal, Marco Pignataro, Jon Batiste, Matt Brewer, Larry Grenadier Tom Harrell, Camila Meza, Sara Gazarek e Bill Frisell.

O disco da veterana baterista Terri Lyne Carrington com o Social Science traz dois trabalhos distintos em um mesmo disco. O primeiro oferece um jazz encorpado, difícil e meticulosamente pensado, com participações da baixista Esperanza Spalding do pianista Aaron Parks. Em outro momento, a guitarra de Matthew Stevens deixa o som menos pesado e abre uma nova perspectiva para o ouvinte. O álbum também tem faixas cantadas ao estilo soul e hip hop. Terri participou em 2019 do Sesc Jazz e deu uma prévia deste disco.

A caixa com 8 CDs do trompetista Dave Douglas é uma preciosidade. Gravado por quatro noites na casa de jazz nova-iorquina Jazz Standard, em 2015, as apresentações mostram Dave acompanhado pelo quarteto formado por Jon Irabgon (sax), Linda Oh (baixo), Rudy Royston (bateria) e Matt Mitchell (piano). Além da qualidade do quinteto, é interessante ouvir um mesmo tema mais de uma vez, mas cada um deles registrados no calor do momento. Uma belíssima experiência para ouvintes tarimbados ou não.

O trio liderado pelo saxofonista e clarinetista Ted Nash faz uma bela releitura do musical West Side Story, obra-prima composta por Leonard Bernstein e Stephen Sondheim.

Ao lado do guitarrista Steve Cardenas e do baixista Ben Allison, o veterano Nash traz versões muito pessoais de temas como "“America,” “Jet Song,” e “Something’s Coming", tudo isso com a inusitada formação de sax, guitarra e baixo.

O veterano guitarrista Carlos Santana não precisa de apresentações. Aos 72 anos, o músico mexicano continua brilhante e ainda mais interessado em misturar diferentes ritmos e nações. No disco Africa Speaks, Santana coloca o peso de sua guitarra latina ao lado da cantora espanhola Buika, que trás toda a força da música africana em sua voz. Além disso, o disco teve a produção do lendário Rick Rubin, que já trabalhou com Johnny Cash, Black Sabbath, Beastie Boys e Eminem.

Por fim, fica aqui um pequena provocação. Como entender os critérios para apontar que esse ou aquele disco é brilhante ou não? A dúvida acontece ao percebemos que nenhum dos seis discos que receberam cinco estrelas da revista Downbeat foi indicado para o Grammy, que divulgou a lista completa dos indicados em npvembro de 2019. Será que foi por falta de espaço, já que o Grammy aponta apenas cinco indicados em cada categoria? O disco de Delia Fischer concorreu na categoria de melhor disco de MPB no Grammy Latino de 2019. Mas o vencedor foi o disco OK OK OK, do cantor Gilberto Gil.











quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Adolfo Mendonça comanda The History of Jazz no Blue Note SP

Os mais de 50 anos de produção musical do jazz norte-americano é amplamente explorado em The History of Jazz, show do pianista Adolfo Mendonça e seu quarteto no dia 8 de janeiro, às 20h, no Blue Note, em São Paulo.

Ele está acompanhado de Maurício Fernandes (sax), Elizeu Custódio (baixo) e Alexandre Faccas(bateria), e com a participação especial de Luiz Oliveira (guitarra).


Cronologicamente, Mendonça apresenta os maiores e mais respeitados clássicos do jazz, cobrindo diversos estilos. No repertório, estão temas como "Donna Lee", (Charlie Parker), "A Night in Tunisia" (Dizzy Gillespie), "So What" (Miles Davis), "Spain" (Chick Corea), "Teen Town" (Weather Report) e "Third Wind" (Pat Metheny).

Adolfo Mendonça está concluindo o programa Master of Music in Jazz Studies, da University of South Florida (EUA). Ele se apresentou recentemente no festival Jazz à Vienne (França), Santos Jazz Festival (Brasil) e realizou masterclasses em alguns dos melhores programas de ensino de música do Brasil, entre eles. escola de música da Unesp, Souza Lima, Santa Marcelina, Conservatório Municipal de Guarulhos e Escola de Música do Estado de São Paulo.

SERVIÇO:

The History of Jazz - Adolfo Mendonça Quarteto
Dia: 8 de janeiro
Horário: 20h
Local: Blue Note São Paulo
Endereço: Av. Paulista, 2073 – Consolação – São Paulo – SP
Mais informações: Blue Note SP