quinta-feira, 25 de julho de 2019

Quiana Lynell mistura jazz, soul e gospel em seu álbum de estreia

De tempos em tempos somos presenteados com uma nova cantora de jazz. Da "nova safra", temos nomes como Cécile McLorin Salvant, Lizz Wright, Cyrille Aimée, Kandace Springs, Esperanza Spalding, Jazzmeia Horn e Somi.

Também é fato que entre as cantoras citadas, grande parte delas flerta com o r&b e com a soul music, o que não é exatamente um problema, concorda?

No fim de 2017, uma nova voz começou a aparecer após ter vencido o Sarah Vaughan International Jazz Vocal Competition, um dos mais importante concursos vocais dos Estados Unidos e que já teve como campeãs nomes como Cyrille Aimée, Laurin Talese, Jazzmeia Horn e Arianna Neikrug.

Mas em 2017 a vencedora foi Quiana Lynell, uma mãe de família que trabalhava como professora de música e decidiu abrir mão de seu ofício principal para se dedicar totalmente à carreira. O resultado disso é o disco A Little Love, lançado em 2019 pela gravadora Concord. O gravação de um CD foi um dos prêmios que Quiana ganhou ao vencer o concurso.

O disco traz a cantora interpretando temas imortalizados nas vozes de Nina Simone, Ella Fitzgerald, Carmen McRae, Chaka Khan, Donny Hathaway e Dusty Springfield. Tudo muito bem equalizado e com pitadas muito bem temperadas de jazz, blues, r&b, gospel e soul.

O resultado é um misto entre Dianne Reeves, Diane Schuur e Cassandra Wilson. A própria cantora declarou em entrevista que gostaria de "ser Dianne Reeves". Ao ouvir seu disco de estreia, é possível ver que Quina está no caminho certo.

Suas interpretações de "Move Me No Mountain", de Chaka Khan,, "You Hit The Spot", de Ella Fitzgerald, "Just A Little Lovin' (Early In The Mornin')", de Dusty Springfield, e "I Wish I Knew (How It Would Feel to Be Free)", de Nina Simone, trazem uma voz segura, macia e muito bem treinada para seu ofício.

Quiana também flerta com o blues nos temas "Tryin' Times", de Donny Hathaway, e "Hip Shakin' Momma", de Irma Thomas. O jazz mais "tradicional" está na clássica "They All Laughed", composta por George Gershwin e gravada por nomes como Carmen McRae, Frank Sinatra, Fred Astaire, Sarah Vaughan e Chet Baker. No disco, Quina é acompanhada por Cyrus Chestnut (piano), Jamison Ross (bateria), Ed Cherry (guitarra), George DeLancey (baixo) e Monte Croft (vibrafone).

















terça-feira, 23 de julho de 2019

Novo disco traz habitual energia do baixista Avishai Cohen

Nas últimas décadas, o jazz foi invadido por um conjunto de músicos que tem no jazz sua raiz, mas que também traz na bagagem a contemporaneidade do rock e do pop. Há diversos exemplos, mas podemos citar aqui nomes como Neil Cowley, The Bad Plus, Jamie Cullum, GoGo Penguin, Mathias Eick, Mammal Hands, Marcin Wasilewski, Tord Gustavsen, Avishai Cohen e o saudoso Esbjörn Svensson.

Quem já teve a oportunidade de vê-los ao vivo sabe da vitalidade de suas apresentações. A sensação é estar em uma montanha russa. O som oscila com frequência e cria uma atmosfera de grande impacto para quem está na plateia.

Entre os músicos citados, o baixista israelense Avishai Cohen tem uma das histórias mais marcantes. No meio da década de 1990, ele foi convidado pelo pianista Chick Corea a fazer parte de sua banda. De lá para cá, foram centenas de apresentações e mais de uma de dezena de discos solos lançados. Em todos eles, o baixo acústico de Cohen traz o som marcante de suas influências orientais (música árabe e israelense) e do fusion jazz (Jaco Pastorius), além de sua formação ouvindo compositores clássicos.

Em seu novo disco, Arvoles, todos os elementos que fizeram Cohen chamar a atenção do público entre centenas de talentosos músicos que circulam por aí estão presentes. O piano marcado, o baixo pulsante e a bateria seca hipnotizam o ouvinte. Ao seu lado, Cohen tem Noam David (bateria) e Elchin Shirinov (piano). Em cinco das dez faixas, o trio ganha o reforço de Bjorn Samuelsson (trombone) e Anders Hagberg (flauta).

O disco abre com o quinteto interpretando "Simonero", com o piano roubando a cena . Depois vem a singela, "Arvoles", na versão trio, na qual a vassourinha da bateria oferece o clima ideal para as belas frases que saem da cordas do baixo de Cohen. O trio volta a atacar em "Face Me", desta vez com Cohen usando o arco em seu baixo e o piano o acompanhando nota a nota.


Cohen toca durante a gravação do disco Arvoles

O tema "Gesture" tem duas partes. A primeira mais tranquila e sensível, e a segunda mais encorpada, com o piano fazendo o papel de protagonista. Nas músicas, "Elchinov" e "Nostalgia", novamente em trio, as marcas registradas de Cohen, citadas acima, como o piano marcante e o baixo pulsante, estão em sua forma mais explícita. A tal sensação de montanha russa faz o ouvinte se segurar na cadeira ao ouvir esses dois temas.

Em "New York 90s", pela primeira e única vez no álbum, o trombone solo, mas sem grande euforia. O disco fecha com a bela "Wings", sem dúvida, a música mais jazzista de todas, no formato de quinteto, com a flauta e o trombone oferecendo uma atmosfera orquestral pontual para as deliciosas picardias de Cohen e Shirinov.





sexta-feira, 19 de julho de 2019

Série Jazz Icons

A série de DVD Jazz Icons foi lançada em 2006 e foi recebida com empolgação pelos fãs de jazz. Desde então, cinco lotes de DVDs - a série foi encerrada em 2011 - foram lançados contendo shows gravados na Europa, entre 1957 e 1978, com quase todos os grandes ícones da história do jazz, entre eles, Ella Fitzgerald, John Coltrane, Louis Armstrong, Quincy Jones, Sonny Rollins, Count Basie, Art Blakey e Dizzy Gillespie.

Ao todo, a série lançou 36 DVDs e se tornou o maior acervo da história do jazz oferecido para o grande público. Seu valor é inestimável. A qualidade das gravações, o repertório, os músicos e, talvez o mais importante, o período dessas gravações. A maior parte delas foi filmada entre 1957 e 1966, considerado pelos estudiosos como um dos períodos mais importantes da história do jazz.

Entre 1957 e 1966, discos essências foram lançados, entre eles, Miles Davis (Kind of Blue), Dave Brubeck (Time Out), Charles Mingus (Mingus Ah Um), Ornette Coleman (The Shape of Jazz to Come), Sonny Rollins (Saxophone Colossus), John Coltrane (A Love Supreme), Count Basie (The Atomic Mr. Basie), Horace Silver (Song for My Father), Art Blakey And The Jazz Messengers (Moanin’), Eric Dolphy (Out to Lunch), Wayne Shorter (Speak No Evil) e Lee Morgan (The Sidewinder).

Diante dessa enxurrada de discos, o jazz vivia realmente uma época riquíssima, comparada apenas aos anos dourados das big bands, entre as décadas de 1930 e 1940. Os vídeos da coleção deixam isso bem claro. Assistir a John Coltrane (foto acima) tocando pela primeira vez em público "A Love Supreme" é uma experiência inesquecível. A gravação foi feita no festival Antibes Jazz, na França, em julho de 1965, ao lado de McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (baixo) e Elvin Jones (bateria).


Lee Morgan (trompete), Jymie Merritt (baixo) e Ar Blakey (bateria)


Outro destaque é a orquestra comandada por Quincy Jones, gravada em 1960, na qual faziam parte nomes como Phil Woods (sax), Clark Terry (trompete) e Sahib Shihab (sax). Como não se arrepiar ao ver Art Blakey (bateria) e seus Jazz Messengers, em 1958, com Lee Morgan (trompete), Benny Golson (sax), Bobby Timmons (piano) e Jymie Merritt (baixo)? Blakey também aparece em um concerto no qual Wayne Shorter (sax) e Walter Davis Jr.(piano) são apresentados como os novos membros dos Jazz Messengers.

Infelizmente, a série tem poucos registros de vozes, sejam elas masculinas ou femininas. Entre os shows com vocal, destaque para a jovem Ella Fitzgerald, em show gravado na Bélgica, em 1957, com Ray Brown (baixo), Oscar Peterson (piano) e Herb Ellis (guitarra), em 1963, na Suécia, ao lado do pianista Tommy Flanagan.

Outro registro importante é de Sarah Vaughan (foto), gravados em 1958 e 1964. A Divina Vaughan traz um repertório com clássicos como "Over the Rainbow", "Lover Man" e "The More I See You". Por último, o registro de Louis Armstrong e seus All-Stars, na Bélgica, em 1959. É um dos poucos shows completos do trompetista que se tem acesso. Um verdadeiro tesouro para os apreciadores do jazz.


As grandes ausências da coleção são Miles Davis, Charlie Parker e Billie Holiday. No caso de Davis, a opção é procurar o vídeo gravado em Milão, na Itália, em 1964. A qualidade das imagens não é tão boa como da série Jazz Icons, mas é interessante ver Davis ao lado dos jovens Wayne Shorter e Herbie Hancock (piano). Sobre Parker, infelizmente, não há nenhum registro conhecido de um concerto do saxofonista, que morreu em maio de 1955, aos 34 anos de idade.

O mesmo acontece com Billie Holiday, que morreu aos 54 anos, em 1959. O melhor registro que você pode encontrar de Billie está no DVD The Sound of Jazz, que traz a íntegra do programa de TV produzido em 1957 pela CBS. Billie canta o tema "Fine and Mellow". A cantora também pode ser assistida no filme New Orleans (1947), no qual divide a cena ao lado de Louis Armstrong.


Primeira caixa lançada da série Jazz Icons. Coleção conta com 36 DVDs


Todos os DVDs, que são vendidos em cinco caixas separadas ou cada um dos 36 títulos separadamente, têm um encarte com muita informação e fotos raras. Abaixo está a relação de todos os títulos da série Jazz icons, separados em caixas. Para saber mais detalhes sobre a coleção, visite o site oficial aqui.

BOX 1

Art Blakey & The Jazz Messengers • Live in '58
Dizzy Gillespie • Live in '58 & '70
Louis Armstrong • Live in '59
Quincy Jones • Live in '60
Thelonious Monk • Live in '66
Buddy Rich • Live in '78
Ella Fitzgerald • Live in '57 & '63
Count Basie • Live in '62
Chet Baker • Live in '64 & '79

BOX 2

John Coltrane • Live in '60, '61 & '65
Dave Brubeck • Live in '64 & '66
Duke Ellington • Live in '58
Sarah Vaughan • Live in '58 & '64
Dexter Gordon • Live in '63 &'64
Wes Montgomery • Live in '65
Charles Mingus • Live in '64

BOX 3

Sonny Rollins • Live in '65 & '68
Cannonball Adderley • Live in '63
Bill Evans • Live '64-'75
Rahsaan Roland Kirk • Live in '63 & '67
Lionel Hampton • Live in '58
Oscar Peterson • Live in '63, '64 & '65
Nina Simone • Live in '65 & '68

BOX 4

Jimmy Smith • Live in '69
Coleman Hawkins • Live in '62 & '64
Art Farmer • Live in '64
Erroll Garner • Live in '63 & '64
Woody Herman • Live in '64
Art Blakey • Live in '65
Anita O'Day • Live in '63 & '70

BOX 5

John Coltrane • Live In France 1965
Art Blakey's Jazz Messengers •Live In France 1959
Thelonious Monk •Live In France 1969
Johnny Griffin •Live In France 1971
Freddie Hubbard •Live In France 1973
Rahsaan Roland Kirk •Live In France 1972













quinta-feira, 11 de julho de 2019

5 décadas de ECM

E lá se vão cinco décadas desde que o músico e produtor alemão Manfred Eicher (foto) criou a gravadora ECM (Edition of Contemporary Music), em Munique, na Alemanha, em 1969. Para quem está mais familiarizado com a gravadora, sabe que a principal preocupação de Eicher é com a qualidade de som e a experiência que esse som cristalino e impecável deve causar no ouvinte.

Aliado a essa obsessão, o selo alemão também se notabilizou por gravar músicos de diferentes partes do mundo, sem nunca se preocupar em "vender discos".

Eicher é, acima de tudo, um apaixonado pela música e usa sua criação para poder expandir as mentes das pessoas e mostrar que há musicalidade em todos os cantos deste planeta. Com isso em mente, a ECM se tornou a casa de músicos de diferentes nacionalidades, entre eles, Jan Garbarek (Noruega), Tomasz Stanko (Polônia), Palle Danielsson (Suécia), Enrico Rava (Itália), Egberto Gismonti (Brasil), Dino Saluzzi (Argentina), Lakshminarayana Shankar (Índia), Miroslav Vitous (Iugoslávia), Stephan Micus (Alemanha), Arvo Pärt (Estônia), Anouar Brahem (Tunísia) e Manu Katché (França).

A ECM também é o lar de grandes nomes do jazz como os pianistas Keith Jarrett, Chick Corea, Vijay Iyer e Paul Bley, os guitarristas Pat Metheny, John Abercrombie, Ralph Towner, Terje Rypdal, Steve Tibbetts e Bill Frisell, os bateristas Paul Motian e Jack DeJohnette, o vibrafonista Gary Burton e o baixista Dave Holland.

Foi na ECM que o guitarrista Pat Metheny e o pianista Keith Jarrett chamaram a atenção do público. Metheny lançou seu primeiro disco (Bright Size Life) na ECM, aos 21 anos de idade, e continuou gravando pelo selo alemão por uma década, com destaque para os discos 80/81 (1981), Offramp (1982) e First Circle (1984). Para Jarrett, a gravadora é sua casa desde 1971, quando lançou o disco Facing You.

Mas nada superaria o disco duplo The Köln Concert, de 1975. O álbum é considerado um marco na carreira do pianista e um divisor de águas na trajetória da ECM. Até hoje, as improvisações de Jarrett neste álbum é motivo de espanto e admiração de novos ouvintes ao terem contato com este registro histórico que traz o pianista em um transe absoluto, solando e suando a cada compasso. Além disso, Jarrett tem uma dezena de discos, incluindo DVDs, lançados no formato de trio ao lado do baterista Jack DeJohnette e do baixista Gary Peacock.

Com o passar dos anos, o antenado produtor Manfred Eicher manteve seus ouvidos abertos para descobrir e gravar novos talentos da música instrumental. Entre os "novatos", estão músicos como os pianistas Vijay Iyer, Craig Taborn, Tord Gustavsen e Marcin Wasilewski, o baixista Mats Eilertse, os trompetistas Mathias Eick e Avishai Cohen, o saxofonista Nicolas Masson e o guitarrista Jakob Bro. Conheça todos os artistas da gravadora clicando aqui


Gismonti grava com Charlie Haden e Jan Garbarek o disco Mágico, de 1979


O Brasil tem um representante de peso dentro da ECM: o pianista e violonista Egberto Gismonti. É claro que o talento do brasileiro na passaria desapercebido pelo produtor alemão, que o contratou em 1976, quando lançou o disco Dança das Cabeças, ao lado do percussionista pernambucano Naná Vasconcelos. A longa parceria com a ECM, que dura até hoje, rendeu outros importantes discos como Mágico (1979), ao lado do baixista Charlie Haden e do saxofonista Jan Garbarek, e Dança dos Escravos (1989), disco solo de violão.

De olho nas novas gerações, em 2017, a gravadora colocou todo o seu catálogo nas principais plataformas digital, entre elas, Apple Music, Amazon, Spotify, Deezer, Tidal e Qobuz. Na ocasião, a ECM disse que os lançamentos nos formatos CD e LP vão continuar, mas que a prioridade da gravadora é que a música seja ouvida. Diante do aumento da pirataria e de sites que não pagavam direitos autorais pela execução de suas músicas, a gravadora teve que sucumbir aos novos tempos.


Guitarrista John Abercrombie gravou vários discos pela ECM


O trabalho do visionário Manfred Eicher, hoje com 76 anos, não acabou e sua inquietação sempre estará ditando os rumos da ECM. A essência de seu pensamento continua intacta. Em uma entrevista na década de 1990, ele sintetizou bem o que move seu trabalho e sua missão.

"Para mim, não se trata do que eu gosto ou não gosto. As minhas decisões baseiam-se sobretudo naquilo que considero merecer ou não merecer ser gravado. Os meus critérios não são critérios de gosto, e não importa se gosto ou não de um disco que vou editar, mas apenas avaliar se ele deve ser gravado. Mas o gosto do público não afeta a minha decisão. Apenas a música".

Em 2011, foi lançado o DVD Sounds and Silence, que mostra os bastidores das gravações de vários músicos, entre eles, Arvo Pärt, Eleni Karaindrou, Dino Saluzzi, Anja Lechner e Anouar Brahem, e confidências sobre a relação profissional com Manfred Eicher. Além da seleção de vídeos abaixo, clicando aqui, você encontra uma playlist publicada pelo canal oficial da ECM no Youtube com dezenas de vídeos.






















quinta-feira, 4 de julho de 2019

Jimmy Smith - Organ Grinder Swing

Por 14 anos o Guia de Jazz esteve no ar com a missão de aproximar os internautas ao jazz. Um dos tópicos mais visitados era o de dicas de CDs, no qual dezenas de discos eram indicados e resenhados por mim. Infelizmente, com o fim do site em setembro de 2015, todo esse acervo foi "perdido".

Mas não totalmente perdido. Além do livro Jazz ao Seu Alcance - que traz todo o conteúdo do guia (dicas de CDs, DVDs, livros, entrevistas e muito mais) - você encontrará quinzenalmente neste blog algumas dicas de CDs publicadas anteriormente no site Guia de Jazz.

Sempre que possível, ao final de cada resenha você encontrará vídeos do Youtube com algumas faixas do disco indicado para escutar. Boa leitura e audição. Veja outras dicas de CDs aqui


Jimmy Smith - Organ Grinder Swing (1965)

Uma pesquisa realizada em uma loja de discos inglesa perguntou aos seus consumidores: qual imagem vem à cabeça quando você escute a palavra jazz? As respostas foram as mais variadas possíveis, mas as cinco primeiras foram essas: Miles Davis, saxofone, Louis Armstrong, trompete e Ella Fiztgerald.

O resultado não foi uma surpresa, mas deixou evidente que o saxofone e trompete são instrumentos fortemente associados ao jazz. Os principais responsáveis por isso, é claro, são músicos como Miles Davis, Dizzy Gillespie, Wynton Marsalis, John Coltrane, Charlie Parker e Louis Armstrong.

Quem tem mais intimidade com o jazz sabe que outros instrumentos, como gaita, guitarra, vibrafone, flauta, trombone e, obviamente, a bateria e o piano também são meios de expressar toda a sua beleza. Nos últimos anos, o órgão Hammond é outro instrumento que tem conquistado cada vez mais espaço no jazz. Entre seus principais expoentes estão John Medeski, Joey DeFrancesco, Larry Goldings e Sam Yahel.

Mas esses novatos sabem que a porta para o Hammond B-3 no jazz foi aberta há quase 50 anos, quando organistas como Dr. Lonnie Smith, Jimmy McGriff, Jack McDuff e Jimmy Smith tiraram o “velho” órgão das igrejas batistas e o trouxeram para o jazz.

Entre esses veteranos organistas, nenhum deles é mais cultuado e associado ao instrumento do que Jimmy Smith. Nascido em 1928, James Oscar Smith foi o responsável pela popularização do instrumento e gravou álbuns antológicos nas duas principais gravadoras de jazz do planeta: Blue Note e Verve.

Com cerca de 50 discos no currículo, é difícil indicar apenas um, mas vamos falar sobre um título que muitas vezes é esquecido: Organ Grinder Swing, de 1965, lançado pela Verve. Depois de quase uma década na Blue Note, onde gravou discos como Back At The Chiken Shack, Straight Life e Prayer Meetin, Smith começou a gravar pelo selo de Norman Granz.


Jimmy Smith grava ao lado do guitarrista Kenny Burrell


Organ Grinder Swing traz o organista em uma formação enxuta, acompanhado pelo baterista Grady Tate e o guitarrista Kenny Burrell. Em trio, Smith parece ainda melhor e deixa isso bem claro logo na faixa-título. No clássico “Greensleeves”, com um solo de quase 7 minutos, Smith deixa pouco espaço para as frases de Burrell. Mas o guitarrista “impõe” seu instrumento em “Oh No, Babe” e mostra ao lado de Smith com quantas notas se faz um blues de doer o coração.

A formação de trio tem seu ponto alto no fabuloso tema “Satin Doll”, composto por Duke Ellington. É neste momento que guitarra, bateria e órgão se completam e você até esquece que não está ouvindo instrumentos de sopro ou o piano. O único problema do disco é sua duração, apenas 35 minutos. Mas é claro que isso não será um empecilho para você ir correndo comprar o seu exemplar, não é??!!!.






segunda-feira, 1 de julho de 2019

2019: Críticos da DownBeat escolhem os melhores do ano

A mais esperada premiação do mundo do jazz tem finalmente seus vencedores divulgados. Como acontece todos os anos, a octogenária revista norte-americana Downbeat, em sua edição de agosto, publica a lista com os premiados no Annual DownBeat International Critics Poll, ou seja, a votação feita pelos críticos. A votação feita pelos leitores é publicada sempre na edição de dezembro.

Em 2019, em sua 67° edição, o prêmio mais cobiçado, o de artista do ano, ficou com a cantora Cécile McLorin Salvant (na capa da edição de agosto ao lado), que também ficou com o prêmio de melhor cantora de jazz.

Em 2018, Cécile também venceu em duas categorias: melhor cantora e melhor álbum (Dreams And Daggers). A cantora também faturou este ano o Grammy de melhor disco de jazz pelo álbum The Window.

Outro destaque é a gravadora alemã, ECM, que em 2019 completou 50 anos de vida. O idealizador do selo, Manfred Eicher, levou o prêmio de produtor do ano, pelo segundo ano consecutivo, e a ECM como gravadora do ano.

O disco do ano ficou para Wayne Shorter, com o álbum Emanon. Neste ano, o disco também faturou o Grammy na mesma categoria.

Na categoria melhor disco histórico, o disco perdido de John Coltrane chamado Both Directions At Once: The Lost Album foi o grande vencedor.

Anualmente, também são premiados nomes que fizeram a história do jazz. Os vencedores deste ano são o baixista Scott LaFaro, que tocou no trio do pianista Bill Evans na década de 1960, a cantora Nina Simone e o cantor Joe Williams, que marcou época como vocalista da orquestra de Count Basie.

A premiação também destaca as revelações no universo do jazz, que é chamado de Risng Star. Assim como nos prêmios principais, há vencedores em diversas categorias.

Entre os destaques deste ano está o pianista Sullivan Fortner, que venceu como artista e como pianista. Fortener é mais conhecido por sua parceria com a cantora Cécile McLorin Salvant no disco The Window.

No fim da matéria estão vídeos com temas dos discos vencedores de John Coltrane, Wayne Shorter e Van Morrison com Joey DeFrancesco, além de uma canção do último disco de cantora Cécile McLorin Salvant.

VEJA ABAIXO OS VENCEDORES

Hall of Fame

Scott LaFaro
Nina Simone
Joe Williams

Artista
Cécile McLorin Salvant

Álbum
Wayne Shorter, Emanon (Blue Note)

Álbum histórico
John Coltrane, Both Directions At Once: The Lost Album (Impulse!)

Grupo
Fred Hersch Trio

Orquestra
Maria Schneider Orchestra

Trompete
Ambrose Akinmusire

Trombone
Steve Turre

Sax soprano
Jane Ira Bloom

Sax alto
Miguel Zenón

Sax tenor
Joe Lovano

Sax baritono
Gary Smulyan

Clarinete
Anat Cohen

Flauta
Nicole Mitchell

Piano
Kenny Barron

Teclado
Robert Glasper

Orgão
Joey DeFrancesco

Guitarra
Mary Halvorson

Baixo
Christian McBride

Baixo Elétrico
Steve Swallow

Violino
Regina Carter

Bateria
Brian Blade

Percussão
Hamid Drake

Vibrafone
Stefon Harris

Outros instrumentos
Tomeka Reid (cello)

Cantora
Cécile McLorin Salvant

Cantor
Kurt Elling

Compositor
Maria Schneider

Arranjador
Maria Schneider

Gravadora
ECM

Produtor
Manfred Eicher

Blues
Buddy Guy

Álbum de blues
Buddy Guy, The Blues Is Alive And Well (RCA)

Artista que não toca jazz
Rhiannon Giddens

Álbum além do jazz
Van Morrison & Joey DeFrancesco, You’re Driving Me Crazy (Legacy)