quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Trilhas e jazz caminham juntos na longa estrada percorrida por Dave Grusin


A carreira de seis décadas não foi o suficiente para o pianista e compositor norte-americano Dave Grusin sair do anonimato. Mas a falta de reconhecimento com o grande público é até compreensível, já que o músico dedicou grande parte de sua trajetória para as trilhas sonoras de filmes e séries de TV.

Mesmo com 10 prêmios Grammy em casa e um Oscar, o nome do compositor raramente é lembrado. Quando pensamos em trilhas sonoras, normalmente vem à nossa cabeça gigantes como Ennio Morricone, John Williams, Henry Mancini, Michel Legrand e Burt Bacharach.

Mas Grusin tem sim uma música que é conhecida "por todos", sem que a maioria desconfie que foi ele que a compôs: "It Might Be You", tema do filme Tootsie (1982), ficou famosa na voz do cantor Stephen Bishop. O filme estrelado por Dustin Hoffman fez sucesso mundialmente e a trilha sonora composta por Grusin indicada ao Oscar.

Hoffman também cruzou o caminho do compositor em A Primeira Noite de um Homem (The Graduate), de 1968. Mas, como de costume, a presença de Grusin não é notada, já que a música tema do filme é um marco do cinema: "Mrs. Robinson", interpretada pela dupla Simon & Garfunkel.

Outra trilha sonora com a marca do compositor é The Fabulous Baker Boys (1989), estrelado por Michelle Pfeiffer, Jeff Bridges e Beau Bridges. Grusin aparece ao lado de jazzistas como Ernie Watts (sax), Lee Ritenour (guitarra) e Harvey Mason (bateria). O disco rendeu dois Grammy para o compositor, incluíndo o de melhor arranjo instrumental com vocal, executado pela atriz Michelle Pfeiffer.

O lado jazzista de Grusin ganha espaço a partir da década de 1980, quando lança o selo GRP ao lado do produtor Larry Rosen. Além de álbuns próprios, entre eles tributos a Duke Ellington, George Gershwin, Henry Mancini, Leonard Bernstein e Stephen Sondheim, Grusin dirigiu discos de dezenas de jazzistas como Lee Ritenour, Dave Weckel, Chick Corea, Dianne Schuur, Dave Valentin, David Benoit, John Patitucci, Eric Marienthal, Frank Gambale, Tom Scott e Michael Brecker.

Em 1985, o disco Harlequim, em parceria com o guitarrista Lee Ritenour, recebeu três indicações ao Grammy, incluindo o de melhor arranjo instrumental acompanhado de vocal pela música "Harlequim", que tem a participação do cantor Ivan Lins, compositor da canção ao lado do parceiro Vitor Martins. O álbum ficou com o Grammy de melhor arranjo instrumental pela música "Early A.M. Attitude".

O compositor lançou em 2010 o DVD ao vivo An Evening With Dave Grusin, que traz o músico regendo a orquestra de Henry Mancini e um repertório com canções de Bernstein, Gershwin, Mancini, Sondheim e, é claro, Grusin. Participam do concerto os cantores Jon Secada, Monica Mancini e Patti Austin, o vibrafonista Gary Burton, o flautista Nestor Torres e o trompetista Arturo Sandoval. O show completo está disponível no fim desta matéria.

Em 2020, foi lançado o documentário Dave Grusin: Not Enough Time, que conta a longa trajetória do compositor, com depoimentos de Quincy Jones, Michael Keaton, James Taylor, Marcus Miller, Tommy Lipuma, Lee Ritenour, Harvey Mason, Ernie Watts, Russ Titelman, Don Grusin, Eddie Daniels, David Benoit e Dori Caymmi. Visite o site oficial do documentário e conheça um pouco mais sobre sua produção.

Em entrevista durante a divulgação do documentário, Grusin disse que o principal papel da música cinematográfica é desencadear uma resposta emocional à cena, e que a primeira tarefa é determinar como o diretor deseja que seu público reaja e, em seguida, encontrar motivos musicais que aumentem essa reação. "Em última análise, a estética da música tem que cumprir esse dever, então é assim que determino se a partitura está funcionando ou não", explicou o compositor que completará 90 anos em 2024.





















quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Grammy divulga indicados para edição de 2023


A Academia do Grammy anunciou no dia 16 de novembro os indicados para a 65ª edição dos prêmios Grammy, que acontecerá no dia 5 de fevereiro de 2023. Ao todo, são 91 categorias dos mais diversos gêneros musicais, entre eles, rock, pop, blues, clássico, folk, R&B, rap, country, new age, gospel e jazz.


A categoria de jazz é dividida em cinco sub-categorias: improviso, álbum, álbum vocal, orquestra e latino. São cinco indicados em cada uma dessas categorias. Os artistas de jazz também aparecem com frequência em outras caterorias, entre elas, composição instrumental e arranjo.

A veterana cantora brasileira Flora Purim foi indicada na categoria de melhor disco de jazz latino pelo álbum If You Will. Ela concorre ao lado de Arturo O'Farrill, Danilo Pérez, Arturo Sandoval e Miguel Zénon. Essa é a terceira indicação da cantora. As duas indicações anteriores, em 1986 e 1987, foram na categoria melhor cantora de jazz.

Na edição do ano passado, o prêmio de melhor disco de jazz latino ficou com a pianista brasileira Eliane Elias, pelo disco Mirror Mirror, no qual é acompanhada pelos pianistas Chick Corea e Chucho Valdés. Essa foi a quarta indicação da brasileira, que já tinha levado o Grammy na mesma categoria, em 2016, com o disco Made in Brazil.

Na categoria melhor disco de jazz, os indicados são a baterista Terri Lyne Carrington, o baterista Peter Erskine, o saxofonista Wayne Shorter, o grupo Yellowjackets e o quarto formado Joshua Redman (sax), Brad Mehldau (piano), Christian McBride (baixo) e Brian Blade (bateria).

Em abril de 2022, na 64ª edição do Grammy, o prêmio de melhor disco de jazz foi para Skyline, do trio formado pelo baixista Ron Carter, o baterista Jack DeJohnette e o pianista Gonzalo Rubalcaba. Na mesma edição, a cantora Esperanza Spalding ficou com o prêmio de disco vocal de jazz pelo álbum Songwrights Apothecary.
Aos 80 anos de idade, Flora Purim recebe sua 3ª indicação ao Grammy


Entre os álbuns vocais, a disputa será entre as cantoras Samara Joy, Carmen Lundy e Cécile McLorin Salvant, além do grupo vocal The Manhattan Transfer e da dupla The Baylor Project. Essa foi a quinta indicação de Cécile, que já levou para casa três prêmios, o último em 2019. A cantora também concorre na categoria melhor arranjo, com a música "Optimistic Voices / No Love Dying".

Na categoria melhor solo de jazz, os concorrentes são a saxofonista Melissa Aldana, o pianista John Beasley, a parceria entre saxofonista Wayne Shorter e o pianista Leo Genovese, o saxfonista Gerald Albright, o trompestista Ambrose Akinmusire e o baterista Marcus Baylor.

O jazz também concorre na categoria filme musical, com o documentário Jazz Fest: A New Orleans Story, que conta a história de 50 anos do festival nascido na cidade conhecida como o berço do jazz. Veja abaixo os indicados nas cinco categorias do jazz.

IMPROVISAÇÃO DE SOLISTA


"Rounds"
Ambrose Akinmusire

"Keep Holding On"
Gerald Albright

"Falling"
Melissa Aldana

"Call Of The Drum"
Marcus Baylor

"Cherokee/Koko"
John Beasley

"Endangered Species"
Wayne Shorter & Leo Genovese

DISCO DE JAZZ VOCAL


The Evening : Live At APPARATUS
The Baylor Project

Linger Awhile
Samara Joy

Fade To Black
Carmen Lundy

Fifty
The Manhattan Transfer With The WDR Funkhausorchester

Ghost Song
Cécile McLorin Salvant

DISCO DE JAZZ


New Standards Vol. 1
Terri Lyne Carrington, Kris Davis, Linda May Han Oh, Nicholas Payton & Matthew Stevens

Live In Italy
Peter Erskine Trio

LongGone
Joshua Redman, Brad Mehldau, Christian McBride, And Brian Blade

Live At The Detroit Jazz Festival
Wayne Shorter, Terri Lyne Carrington, Leo Genovese & esperanza spalding

Parallel Motion
Yellowjackets

DISCO DE ORQUESTRA


Bird Lives
John Beasley, Magnus Lindgren & SWR Big Band

Remembering Bob Freedman
Ron Carter & The Jazzaar Festival Big Band Directed By Christian Jacob

Generation Gap Jazz Orchestra
Steven Feifke, Bijon Watson, Generation Gap Jazz Orchestra

Center Stage
Steve Gadd, Eddie Gomez, Ronnie Cuber & WDR Big Band Conducted By Michael Abene

Architecture Of Storms
Remy Le Boeuf's Assembly Of Shadows

DISCO DE JAZZ LATINO


Fandango At The Wall In New York
Arturo O'Farrill & The Afro Latin Jazz Orchestra Featuring The Congra Patria Son Jarocho Collective

Crisálida
Danilo Pérez Featuring The Global Messengers

If You Will
Flora Purim

Rhythm & Soul
Arturo Sandoval

Música De Las Américas
Miguel Zenón





















quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Documentário mostra Ron Carter 'em busca das notas certas'


O nome do baixista Ron Carter é ouvido desde a década de 1960, quando foi convidado pelo trompetista Miles Davis para fazer parte de seu quinteto, ao lado de Wayne Shorter (sax), Herbie Hancock (piano) e Tony Williams (bateria). Desde então, foram mais de 2 mil gravações e o reconhecimento do Guinness Book como o baixista que mais fez gravações na história da música.

Hoje, aos 85 anos, ele continua na ativa, tocando nos principais festivais dos Estados Unidos e Europa, além de manter sua verve de educador sempre altiva e pronta para disseminar conhecimento e inspirar novas gerações de músicos.

Em abril deste ano, Ron Carter venceu o Grammy na categoria melhor disco de jazz com o álbum Skyline, ao lado do baixista Jack DeJohnette e do pianista Gonzalo Rubalcaba. Um mês depois, em comemoração ao seu 85° aniversário, o baixista fez uma apresentação especial no Carnegie Hall, na cidade de Nova York (EUA). Ele tocou com o Golden Striker Trio, formado por Carter, Donald Vega (piano) e Russell Malone (guitarra), e também se apresentou no formato quarteto e octeto.

Para conhecer um pouco mais a trajetória do músico, foi ao ar nesta semana, no canal norte-americano PBS, o documentário Ron Carter: Finding The Right Notes. O nome do documentário é o mesmo da autobiogragfia escrita em parceria com o escritor Dan Ouellette, lançada em 2014.

No documentário, o baixista fala sobre o difícil início de carreira, quando sentiu o racismo ao tocar música erudita, e sua migração para os clubes de jazz. A passagem pelo quinteto de Miles Davis e as parcerias ao logo da carreira também são lembrados por Carter. Além do depoimento do músico e de um bate papo com o músico Jon Batiste, o documentário traz entrevistas com vários jazzistas, entre eles, Herbie Hancock e Sonny Rollins. Entre as músicas que são apresentadas parcialmente no documentário, estão "My Funny Valentine", “Impressions”, “Manhã de Carnaval”, “Sweet Lorraine” e “Autumn Leaves”.
Carter e o músico Jon Batiste se encontram no estúdio

Junto com o documentário, foi lançado um CD duplo com o mesmo título trazendo várias registros ao vivo nunca antes lançados. O ouvinte terá a oportunidade de ouvir o Carter tocando com o baixista Christian McBride, no National Jazz Museum, no bairro do Harlem, em Nova York, além de duetos com o guitarrista Bill Frisell, o baixista Stanley Clarke e a orquestra WDR Big Band. Ouça abaixo o disco na íntegra.

O baixista também tocou com vários músicos brasileiros, entre eles, Tom Jobim e Milton Nascimento. Com Jobim, ele gravou os discos Wave (1968) e Stone Flower (1970) e participou do tributo realizado no Free Jazz Festival, em 1993. Na ocasião, Carter estava acompanhado de Herbie Hancock, Shirley Horn, Joe Henderson, Gonzalo Rubalcaba, Harvey Mason, Gal Costa e Oscar Castro-Neves.

O músico também lançou o disco Entre Amigos (2003) com a cantora e violonista Rosa Passos. No repertório, temas da bossa nova imortalizados por João Gilberto e Tom Jobim, entre eles, "Bahia com H", "Insensatez", "Desafinado", "Caminhos Cruzados" e "Garota de Ipanema".