segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Rachelle Ferrell - Live in Montreux 91-97

Por 14 anos o Guia de Jazz esteve no ar com a missão de aproximar os internautas ao jazz. Um dos tópicos mais visitados era o de dicas de CDs, no qual dezenas de discos eram indicados e resenhados por mim.

Infelizmente, com o fim do site em setembro de 2015, todo esse acervo foi "perdido". Mas não totalmente perdido.

Além do livro Jazz ao Seu Alcance, que traz todo o conteúdo do guia, com dicas de CDs, DVDs, livros, entrevistas e muito mais, você encontrará quinzenalmente neste blog algumas dicas de CDs publicadas anteriormente no site Guia de Jazz.

Sempre que possível, ao final de cada resenha você encontrará vídeos do Youtube com algumas faixas do disco indicado para escutar. Boa leitura e audição. Veja outras dicas de CDs aqui

Rachelle Ferrell - Live in Montreux 91-97 (2002)


O mercado de música é um mistério. Às vezes nos perguntamos por que este ou aquele cantor não é conhecido, já que há tanto talento. Mas sabemos que a vida não é racional ou lógica, muito menos o show business. Esta introdução é a ideal para falar sobre a cantora norte-americana Rachelle Ferrell.

Formada pela renomada escola Berklee College of Music, de Boston, ela gravou seu primeiro disco em 89. Na época, apenas a crítica prestou alguma atenção. Felizmente, Rachelle teve dois padrinhos de peso, o trompetista Dizzy Gillespie e o produtor e arranjador George Duke. Com isso, ela conseguiu seu espaço e um pequeno, mas fiel, fã-clube.

Para conhecer um pouco seu universo, um bom começo é o disco Live At Montreux 1991-97, lançado em 2002. Aqui, você encontra uma compilação das três apresentações da cantora, em diferentes anos, no mais charmoso festival de jazz do planeta, o Montreux, da Suíça.

O disco abre com uma versão de “You Send Me”, do cantor soul Sam Cooke. Acompanhada de um trio afiado, o pianista Eddie Green, o baixista Tyrone Brown e o baterista John Roberts, Rachelle cria um arranjo jazzístico da pesada e mostra seus dotes musicais. A mesma atmosfera com o trio de jazz acontece em “You Don’t Know What Love Is” e “Don’t Waste My Time”, de autoria da própria cantora. Para completar a primeira parte do disco, a intimista “My Funny Valentine”, com destaque para o baixo acústico de Brown.


Rachelle Ferrell participou de várias edições do Montreux Jazz Festival


Na parte mais pop do álbum, a voz de Rachelle lembra muito a da cantora inglesa de rhythm and blues, Des’ree. Aqui, a presença de George Duke é vital nas canções autorais de Rachelle, “I Can Explain” e “I’m Special”. O jazz volta a reinar em “Bye Bye Blackbird”. Para agraciar o público suíço, a ela interpreta duas canções na língua local, o francês. São elas “Me Voila Sol” e “On Se Reveillera”.

Após ouvir este disco, o leitor entenderá bem o significado da introdução deste texto. Rachelle domina sua voz com muita competência. Ela se dá bem no jazz, no pop e no soul. Com suas peripécias vocais, que caminham entre Betty Carter, Sarah Vaughan, Diane Schuur e Dianne Reeves, esta norte-americana nascida na Pensilvânia ainda será descoberta para o bem do jazz e para a alegria do público.











domingo, 26 de janeiro de 2020

Grammy 2020: os vencedores

Os vencedores da 62ª edição dos prêmios Grammy foram divulgados no dia 26 de janeiro. Ao todo são 84 categorias que englobam ritmos como blues, gospel, jazz, dance, rock, country, metal, folk, r&b, entre outros.

O jazz tem cinco categorias: melhor improvisação solo, melhor disco vocal, melhor disco instrumental, melhor disco de big band e melhor disco de jazz latino.

A categoria melhor improvisação de jazz ficou com o veterano trompetista Randy Brecker, com a música "Sozinho", do disco Rocks.

O grande vencedor de melhor disco de big band é Brian Lynch Big Band, com o álbum The Omni-american Book Club. O melhor disco de jazz instrumental ficou com o pianista Brad Mehldau, pelo disco Finding Gabriel (foto).

O Brasil concorria em duas categorias: melhor disco de jazz latino com o álbum Sorte!: Music by John Firbury, que traz nos vocais a cantora carioca Thalma de Freitas, e na categoria melhor arranjo instrumental e vocal pela música "Marry Me a Little", uma parceria do violonista Diego Figueiredo e da cantora francesa Cyrille Aimée, do disco Move On: A Sondheim Adventure, lançado por Cyrille, no início de 2019.

Mas os dois acabaram superados pelo pianista Chick Corea, que ficou com o Grammy de melhor disco de jazz latino, com o álbum Antidote, e pelo pianista Jacob Collier, que levou o prêmio na categoria melhor arranjo instrumental e vocal pela música "All Night Long", versão do sucesso da década de 1980 composta pelo cantor Lionel Richie. A música de Collier está no álbum Djesse Vol. 1. Esse foi o 23° Grammy da carreira de Chick Corea, que tem 78 anos de idade.

Por fim, Esperanza Spalding conquista o quarto Grammy de sua carreira com o disco 12 Little Spells (foto). Neste ano, Esperanza superou as cantoras Tierney Sutton, Sara Gazarek, Jazzmeia Horn e Catherine Russell. O primeiro prêmio de Esperanza aconteceu em 2010, quando levou na categoria revelação.

Clique aqui para ver todos os vencedores do Grammy na categoria melhor disco de jazz, e clique aqui para ver todos os vencedores na categoria melhor disco vocal de jazz.



Melhor Improvisação Solo

SOZINHO
Randy Brecker
Álbum: Rocks

Álbum Vocal

12 LITTLE SPELLS
Esperanza Spalding

Álbum Instrumental

FINDING GABRIEL
Brad Mehldau

Álbum de Big Band

THE OMNI-AMERICAN BOOK CLUB
Brian Lynch Big Band

Álbum de Jazz Latino

ANTIDOTE
Chick Corea & The Spanish Heart Band










quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Maria Mendes faz deliciosa ponte entre jazz e fado

É inevitável falar de fado quando fazemos referência à música portuguesa. Obviamente que a arte e a música de Portugal vão muito além do fado, mas a importância desta expressão cultural portuguesa é onipresente. Nomes como Amália Rodrigues, Carlos do Carmo e Carlos Paredes são responsáveis pela fascinação que o fado exerce sobre os ouvintes em diferentes cantos do planeta.

Mas para quem deseja “fugir” do óbvio, basta querer dar o primeiro passo. Muito provavelmente você vai se deparar com Mariza, Carminho, Joana Amendoeira e Ana Moura, algumas das cantoras portuguesas mais populares do país. Mas essa lista não estará completa sem a presença de Maria Mendes, cantora que vive há uma década na Holanda.

Ela lançou no fim de 2019 o disco Close to Me, pela gravadora Justin Time. O álbum tem como grande êxito misturar fado com jazz e orquestra. Para ajudá-la neste projeto, Maria escalou o pianista e arranjador norte-americano John Beasley e a orquestra holandesa Metropole Orkest. Além disso, ela também é acompanhada do seu costumeiro trio, formado por Karel Boehlee (piano), Jasper Somsen (baixo) e Jasper van Hulten (bateria).

Com os músicos em campo, a cantora oferece ao ouvinte uma experiência única, com o jazz permeando todas as canções. A música mais impactante é a versão de “Barco Negro”, de Amália Rodrigues. Aqui, Maria é acompanhada pela orquestra e imprime uma cadência quase lírica ao seu canto. Em “Verdes Anos”, de Paredes, a técnica de scat e o lírico se encontram em uma pulsante versão de tirar o fôlego.

O Brasil está representado com a composição de Hermeto Pascoal na brasileiríssima “Hermetos Fado for Maria”, com a cantora novamente abusando da técnica scat. Maria gravou ainda três composições próprias. Destaque para “Tempo Emotivo”, com Maria acompanhada apenas do vibrafone de Vincent Houdijk, e “Fado da Invejosa”, que oferece uma bela fusão entre o trio de jazz e a orquestra Metropole.

Amália volta com força e jazzística nos temas “Tudo Isto é Fado”, “Foi Deus” e “Asas Fechadas”. Em contraponto, o ouvinte também tem a oportunidade de ouvir compositores contemporâneos nos temas “Há Música do Povo”, de Mariza com letra de Fernando Pessoa, e “E se não for Fado”, de Mafalda Arnauth.

Justin Time

No catálogo da gravadora canadense Justin Time é possível perceber o predomínio de cantoras. Além da portuguesa, encontramos nomes como Emma Frank, Laura Anglade, Barba Lica, Halie Loren, Katherine Penfold e Ariel Pocock. O selo também é a casa da veterano Carmen Lundy e da premiada cantora Cécile McLorin Salvant. Vale a pena uma visita na pagina oficial da gravadora na plataforma Soundcloud, onde é possível ouvir músicas de todas essas cantoras na íntegra. Ouça abaixo o disco de Mara Mendes.