quarta-feira, 26 de junho de 2019

NEA Jazz Masters

Anualmente, a entidade National Endowment for the Arts (NEA) premia pessoas que de alguma maneira contribuíram para o desenvolvimento do jazz.

Desde 1982, cerca de 100 personalidades, entre músicos, compositores, arranjadores, jornalistas, radialistas e escritores, receberam a honraria batizada de NEA Jazz Masters.

Nomes como Count Basie, Sonny Rollins, Dizzy Gillespie, Miles Davis, Sarah Vaughan, Chick Corea, Ella Fitzgerald, Pat Metheny e Dan Morgenstern já foram premiados pela NEA.

Em 2019, os vencedores foram o cantor Bob Dorough, a arranjadora Maria Schneider, o pianista Abdullah Ibrahim e crítico Stanley Crouch. Na página oficial da entidade você encontra a relação de todos os vencedores e uma breve biografia de cada um deles. Clique aqui para acessar a lista completa.

No início de maio, foram divulgados os nomes dos novos membros deste seleto grupo em 2020. São eles: o cantor Bobby McFerrin, o saxofonista Roscoe Mitchell, o baixista Reggie Workman e a radialista Dorthaan Kirk. A festa de premiação acontecerá no dia 2 de abril, em São Francisco (EUA).

Com quase quatro décadas de carreira, McFerrin é um dos mais talentos vocalista de toda a história. Ele apareceu no meio da década de 1980 e estourou com a música "Don't Worry, Be Happy". Desde então, construiu uma carreira impecável dentro do jazz e da música erudita. O saxofonista Roscoe Mitchell, de 78 anos, é um dos fundadores do emblemático grupo Art Ensemble of Chicago e um dos pilares do movimento avant-garde.

Outro veterano é o baixista Reggie Workman, de 82 anos. No currículo, passagens pelos grupos do baterista Roy Haynes e do pianista Red Garland, além de ter tocado no quarteto do saxofonista John Coltrane. A radialista Dorthaan Kirk, única premiada que não é músico, é conhecida como "Fisrt Lady of Jazz". Ela trabalhou por décadas na rádio WBGO, de Nova Jersey (especializada em jazz), e, até hoje, está envolvida em projetos relacionados ao jazz. Dorthaan é viúva do saxofonista Rahsaan Roland Kirk,  


OS PREMIADOS EM 2020



VEJA ABAIXO TODOS OS VENCEDORES DO NEA JAZZ MASTERS


1982: Roy Eldridge, Dizzy Gillespie e Sun Ra
1983: Count Basie, Kenny Clarke e Sonny Rollins

1984: Ornette Coleman, Miles Davis e Max Roach
1985: Gil Evans, Ella Fitzgerald e Jonathan Jones

1986: Benny Carter, Dexter Gordon e Teddy Wilson
1987: Cleo Patra Brown, Melba Liston e Jay McShann

1988: Art Blakey, Lionel Hampton e Billy Taylor
1989: Barry Harris, Hank Jones e Sarah Vaughan

1990: George Russell, Cecil Taylor e Gerald Wilson<
1991: Danny Barker, Buck Clayton, Andy Kirk e Clark Terry

1994: Louie Bellson, Ahmad Jamal e Carmen McRae
1995: Ray Brown, Roy Haynes e Horace Silver

1996: Tommy Flanagan, Benny Golson e J.J. Johnson
1997: Billy Higgins, Milt Jackson e Anita O'Day

1998: Ron Carter, James Moody e Wayne Shorter
1999: Dave Brubeck, Art Farmer e Joe Henderson

2000: David Baker, Donald Byrd e Marian McPartland
2001: John Lewis, Jackie McLean e Randy Weston

2002: Frank Foster, Percy Heath e McCoy Tyner
2003: Jimmy Heath, Elvin Jones e Abbey Lincoln

2004: Jim Hall, Chico Hamilton, Herbie Hancock, Luther Henderson, Nat Hentoff e Nancy Wilson
2005: Kenny Burrell, Paquito D'Rivera, Slide Hampton, Shirley Horn, Artie Shaw, Jimmy Smith e George Wein

2006: Ray Barretto, Tony Bennett, Bob Brookmeyer, Chick Corea, Buddy DeFranco, Freddie Hubbard e John Levy
2007: Toshiko Akiyoshi, Curtis Fuller, Ramsey Lewis, Dan Morgenstern, Jimmy Scott, Frank Wess e Phil Woods

2008: Candido Camero, Andrew Hill, Quincy Jones, Tom McIntosh, Gunther Schuller, Joe Wilder
2009: George Benson, Jimmy Cobb, Lee Konitz, Toots Thielemans, Rudy Van Gelder e Snooky Young

2010: Muhal Richard Abrams, George Avakian, Kenny Barron, Bill Holman, Bobby Hutcherson, Yusef Lateef, Annie Ross e Cedar Walton
2011: Hubert Laws, David Liebman, Johnny Mandel, Orrin Keepnews e Marsalis Family (Ellis Marsalis, Jr., Branford Marsalis, Wynton Marsalis, Delfeayo Marsalis e Jason Marsalis

2012: Jack DeJohnette, Von Freeman, Charlie Haden, Sheila Jordan e Jimmy Owens
2013: Mose Allison, Lou Donaldson, Lorraine Gordon e Eddie Palmieri

2014: Jamey Aebersold, Anthony Braxton, Richard Davis e Keith Jarrett
2015: Carla Bley, George Coleman, Charles Lloyd e Joe Segal

2016: Gary Burton, Wendy Oxenhorn, Pharoah Sanders e Archie Shepp
2017: Dee Dee Bridgewater, Ira Gitler, Dave Holland, Dick Hyman e Lonnie Smith

2018: Pat Metheny, Dianne Reeves, Joanne Brackeen e Todd Barkan
2019: Bob Dorough, Abdullah Ibrahim, Maria Schneider e Stanley Crouch

2020: Bobby McFerrin, Roscoe Mitchell, Reggie Workman e Dorthaan Kirk
2021:

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Chris Potter volta elétrico e irrequieto

Quem acompanha a carreira do saxofonista Chris Potter sabe que seu som não é exatamente simples de se ouvir. Mas é claro que isso não é um problema.

Pelo contrário, o som encorpado de Potter é fruto da sua inquietação musical. Isso fica cristalino ao olharmos sua discografia solo ou sua participação em quase 100 discos de outros músicos.

Hoje, aos 48 anos, Potter é um veterano dentro do jazz, com três décadas de história tocando ao lado de nomes do quilate de Dave Douglas,, Herbie Hancock, Jim Hall, John Scofield, Pat Metheny, Paul Motion e Ray Brown. Sua discografia está espalhada pelos selos Cris Cross, Concord, Verve e ECM.

Agora, mais uma vez, sua conhecida inquietação o leva para um novo desafio e uma nova gravadora, a britânica Edition Records, após vários anos na gravadora alemã ECM. A nova empreitada de Potter chama-se Circuits, com o apoio do jovem tecladista James Francies e do velho parceiro Eric Harland, na bateria. O disco conta ainda com a participação do baixista africano Linley Marthe.

Desta vez, Potter preferiu uma sonoridade mais "moderna" ao escolher o piano elétrico e o baixo elétrico como pano de fundo para os seus solos sempre criativos. Isso fica muito claro logo de saída com "Hold It", na qual a sonoridade do sax está robusta e em perfeita sintonia com o teclado de Francies. Em "The Nerve", o baixo de Marthe conversa com o sax mais livre de Potter.


Eric Harland, Chris Potter e James Francies protagonizam o disco

O clima muda completamente em "Koutomé", uma composição do músico africano Amenoudji Joseph Vicky. Aqui, a bateria de Harland dá o tom para que Potter e Marthe, nascido nas Ilhas Maurício, na África Oriental, consigam traduzir suas ideias em seus instrumentos.

A faixa título é sem dúvida o tema que mais deixa evidente a unidade do quarteto. Todos os instrumentos estão conversando entre si, de forma coerente e com criatividade. O formato de trio volta com força em "Green Pastures" e "Queens of Brooklyn", esta última uma breve balada com Potter lançando mão do sax soprano e da flauta.

Os temas "Exclamation" e "Pressed For Time" terão efeito direto nos ouvidos dos fãs do grupo Weather Reporter. A unidade e a energia do grupo nos remete diretamente ao trio Jaco Pastorius, Wayne Shorter e Joe Zawinul. Ambas são uma viagem musical vertiginosa e naturalmente contagiante. A primeira com a formação do quarteto e a última em trio, composta pelo irrequieto Francies.

O final do disco não poderia ter sido mais pujante. Potter dispara toda a sua munição de frases musicais de uma maneira extremamente pessoal e articulada. As frases que muitas vezes parecem desconectadas para o ouvinte menos iniciado acabam se unindo e criando uma música vigorosa e desafiadora para quem ouve. Ponto para Potter, que não poupa esforços para encontrar novos caminhos para mente musical sem limites.





quarta-feira, 19 de junho de 2019

Zuza Homem de Jazz: documentário destaca vida do musicólogo

A trajetória do jornalista, musicólogo e produtor musical Zuza Homem de Mello se confunde com a música popular brasileira.

Sua participação ativa no programa O Fino da Bossa, entre 1965 e 1967, e como engenheiro de som nos festivais da TV Record, são marcos em sua longínqua carreira, além da curadoria de grandes festivais de música, entre eles o Free Jazz e o Tim Festival.

Mas a história de Zuza começou muito antes, no fim da década de 1950, época em que foi estudar na School of Jazz, em Massachussets e depois na Juilliard School, em Nova York. Foi lá que o jovem estudante de baixo teve a oportunidade de ver shows das maiores estrelas do jazz, entre eles, Billie Holiday, Coleman Hawkins, John Coltrane, Dizzy Gillespie, Duke Ellington e Thelonious Monk.

Foi neste momento que a relação de Zuza com o jazz nasceu e nunca mais o abandonou. Hoje, aos 85 anos, ele continua sua missão de "ensinar" seus seguidores a aprender a ouvir música e a sempre tirar o que há de melhor na obra de cada músico.

O documentário Zuza Homem de Jazz, dirigido por Janaina Dalri, conta um pouco sua trajetória por meio de depoimentos de pessoas que conviveram com o jornalista no Brasil e no exterior e, é claro, com deliciosos papos com o próprio Zuza.

A diretora Janaina acompanha Zuza na cidade de Nova York e registra encontros do jornalista com diversas personalidades deste universo, entre eles o arranjador e pianista Bob Dorough, o cantor e pianista Steve Ross, o trompetista Wynton Marsalis, a arranjadora Maria Schneider e os jornalistas Gary Giddins e James Gavin.

No Brasil, os depoimentos ficaram a cargo do jornalista Roberto Muylaert, da produtora Monique Gardenberg e dos músicos André Mehmari, Zé Nogueira, Egberto Gismonti, Letieres Leite, Nelson Ayres e Mario Adnet.


Zuza em Nova York em uma cena do documentário Zuza Homem de Jazz


Segundo o próprio Zuza, o objetivo do documentário não era apenas falar sobre sua vida. O principal ponto foi mostrar como a música brasileira influenciou o jazz e vice-versa, em especial na época da bossa nova, durante a década de 1960.

Atualmente, o documentário pode ser visto na programação do canal Curta, disponível nas principais empresas de TV por assinatura. Veja aqui uma reportagem sobre o documentário exibida no Jornal da Band, em novembro de 2018.

No decorrer de sua carreira, Zuza publicou vários livros, entre eles Copacabana – A Trajetória do Samba-Canção (1929-1958), A Era dos Festivais, Música com Z, Eis Aqui os Bossa Nova, Música nas Veias e João Gilberto.

Entrevista no Roda Viva (2019)

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Peter Frampton mergulha com sua guitarra no blues

Ele foi uma das figuras centrais do rock na década de 1970. Seu disco ao vivo, Comes Alive, foi por décadas o disco ao vivo mais vendido da história.

Sua figura sexy permeou o imaginário das mulheres no auge de sua carreira e sexy appeal. Ele era conhecido por sua bela voz e sua inconfundível guitarra.

Peter Frampton continua uma referência, independentemente de ter sua carreira prejudicada pelos excessos que a vida de um rockstar muitas vezes ocasionam.

Hoje, aos 69 anos, Frampton está volta à ativa, com o disco All Blues, no qual recria grandes temas da história do blues. Além de ser o primeiro disco do guitarrista dedicado totalmente ao blues, o álbum chega em um momento particularmente decisivo em sua carreira.

Em fevereiro, ele revelou ter sido diagnosticado com uma doença muscular degenerativa rara. Diante disso, ele anunciou que a turnê deste disco será despedida dos palcos.

A notícia de sua doença causa comoção, é claro, mas ao mesmo tempo a volta de Frampton ao disco é uma ótima maneira de encarar o momento delicado ao qual ele está passando. O novo álbum foi gravado ao vivo em estúdio com a banda afiada de Frampton: Adam Lester (guitarra), Rob Arthur (teclados) e Dan Wojciechowski (bateria).


Aos 69 anos, Frampton lança seu primeiro disco inteiramente dedicado ao blues

O disco traz clássicos como “The Thrill Is Gone” (composta originalmente em 1951 e imortalizada por B.B. King), com a participação do guitarrista Sonny Landreth, e “I Just Want to Make Love to You”, de Muddy Waters, com o cantor Kim Wilson, da banda Fabulous Thunderbirds, nos vocais.

Outros dois convidados de peso também participam do disco. O veterano guitarrista Larry Carlton dá seu toque pessoal no clássico do jazz “All Blues”, e o virtuoso Steve Morse, do Deep Purple, mostra o seu lado bluseiro em “Going Down Slow”, música originalmente gravada pelo cantor de Chicago St. Louis Jimmy Oden, em 1941.

A guitarra de Frampton brilha ainda na balada “Same Old Blues”, gravada pelo mestre Freddy King, em “Me And My Guitar” e “Yoy Can’t Judge A Book By The Cover”, com Frampton abusando da guitarra slide. Para completar, o guitarrista ainda faz uma versão instrumental da clássica “Georgia On My Mind”.

A turnê norte-americana do cantor começa no dia 18 em Tulsa, em Oklahoma, e termina no dia 12 de outubro em Concord, na Califórnia. Para quem tem grana sobrando, fica aqui um conselho, ver o mestre Frampton tocando blues em casa, ou seja, nos Estados Unidos, é um investimento que vale cada centavo que você economizou até hoje. O músico não informou se a turnê será estendida para outros países.

Georgia on My Mind



All Blues (Larry Carlton)



The Thrill Is Gone (Sonny Landreth)



Going Down Slow (Steve Morse)



Same Old Blues



You Can't Judge A Book By The Cover