terça-feira, 30 de abril de 2019

Dia Internacional do Jazz 2019

No dia 30 de abril de 2019, uma nova edição do International Jazz Day aconteceu. Desta vez, a cidade escolhida para acolher o evento foi Melbourne, na Austrália. A próxima edição acontecerá na Cidade do Cabo, na África do Sul, em 2020.

Pelo oitavo ano consecutivo, o lendário pianista Herbie Hancock foi o mestre de cerimônia, que contou com a participação de músicos de diversas nacionalidades.

Entre eles estão Cieavash Arian (Irã), William Barton (Austrália), Brian Blade (EUA), Igor Butman (Rússia), Joey DeFrancesco (EUA), Eli Degibri (Israel), Kurt Elling (EUA), Matthew Jodrell (Austrália), Ledisi (EUA), Jane Monheit (EUA), James Morrison (Austrália), Eijiro Nakagawa (Japão), Mark Nightingale (Inglaterra), Chico Pinheiro (Brasil), Tineke Postma (Holanda), Antonio Sánchez (México), Nathan Schreiber (Austrália), Somi (EUA), Lizz Wright (EUA) e Tarek Yamani (Líbano).


Hancock, Elling, Somi, Butman (sax), Morrison (trompete), Wright e Monheit

O violonista Chico Pinheiro foi o único representante brasileiro no evento. Ele tocou e cantou a música de sua autoria "Boca de Siri", do disco There's a Storm Inside, de 2010.

Ao seu lado, tocaram o pianista libanês Tarek Yamani, o baixista norte-americano Ben Williams, os bateristas mexicano Antonio Sánchez e o norte-americano Brian Blade e o saxofonista russo Igor Butman. Pinheiro também interpretou ao lado da cantora Jane Monheit a música "Águas de Março", de Tom Jobim

Nesta edição, as vozes ficaram a cargo de Jane Monheit, Lizz Wright, Kurt Elling, Ledisi e Somi. No fim do concerto, todos se juntaram no palco para interpretar a canção "Imagine", de John Lennon.

Além da noite de gala em Melbourne, transmitido ao vivo pela Internet, o Dia Internacional do Jazz também é celebrado em mais de 190 países. Músicos, promotores de eventos, professores, estudantes e fãs do jazz se mobilizam em várias parte do mundo com eventos de diferentes tamanhos e atrações.

Assista abaixo a íntegra do concerto:




Veja também os concertos de 2018 (São Petersburgo-Rússia), 2017 (Havana-Cuba), 2016 (Washington-EUA), 2015 (Paris-França), 2014 (Osaka-Japão) e 2012 (Paris-França)












terça-feira, 23 de abril de 2019

Marsalis traz o pioneiro Buddy Bolden ao cinema

O velho Wynton Marsalis continua sua jornada para levar o jazz tradicional às novas gerações.

Nascido no berço do jazz, em Nova Orleans, filho do pianista Ells Marsalis e diretor artístico do Jazz at Lincoln Center, desde 2004, o trompetista carrega dentro de si uma chama e a missão de nunca deixar o legado do jazz ser esquecido.

A nova empreitada é o lançamento do filme Bolden, que conta a história do cornetista nascido em Nova Orleans, em 1877, Charles "Buddy" Bolden, considerado um pioneiro do jazz.

Apesar de sua fama na cidade, Bolden não lançou discos durante sua breve vida. Ele morreu em 1931, aos 54 anos, em um asilo, em Louisiana, onde estava internado com problemas mentais desde 1907.

O filme retrata a infância de Bolden e sua ascensão na cidade símbolo do jazz. Mostra também as tensões raciais e o processo que levou o músico a ser internado.


O ator Gary Carr vive o músico Charles "Buddy" Bolden no filme Bolden

Marsalis é responsável pela trilha sonora, que tem como foco a jazz do início do século XX, época em que brilharam nomes com King Oliver, Jelly Roll Morton e Louis Armstrong.

Segundo Marsalis, além dele, todos os músicos, em especial os que viveram na mesma época que Bolden, foram diretamente influenciados por ele.

Para a trilha sonora, Marsalis escalou a orquestra do Jazz at Lincoln Center, liderada pelo trompetista, além da cantora Catherine Russell e do ator Reno Wilson (foto abaixo), que no filme faz o papel do trompetista Louis Armstrong.

O ator, que canta em várias faixas da trilha, impressiona pela caracterização e pela interpretação na pele de um dos mais importantes pilares da história do jazz.

O filme estrelado pelo ator Gary Carr e dirigido por Dan Pritzker estreia nos Estados Unidos no dia 3 de maio. No Brasil, ainda não há previsão.

Você pode ouvir a íntegra da trilha sonora clicando aqui





quarta-feira, 17 de abril de 2019

JJA Jazz Awards 2019 - Indicados

Anualmente a Jazz Journalists Association (Associação de Jornalistas de Jazz) faz uma votação para premiar os músicos que mais se destacaram no ano.

Entre os prêmios mais cobiçados estão o de Conjunto da Obra, que sempre destaca um músico com mais de 50 anos de carreira, Músico do ano e Disco do ano.

Os indicados para a 23° edição foram anunciados no mês de abril, e os vencedores serão conhecidos em maio.

Entre os músicos indicados deste ano estão a cantora Cécile McLorin Salvant (foto), com três indicações, o veterano saxofonista Wayne Shorter, com seis, e a arranjadora Maria Schneider, com três.

O percussionista Cyro Baptista, radicado nos Estados Unidos há três décadas, é o único brasileiro entre os indicados, na categoria melhor Percussionista.

Os concorrentes na categoria Músico do ano são a guitarrista Mary Halvorson, a cantora Cécile McLorin Salvant, o baixista Christian McBride e o saxofonista Wayne Shorter.

Os veteranos que concorrem ao prêmio de Conjunto da Obra são o baixista Ron Carter, os pianista Chick Corea, Ahmad Jamal e Harold Mabern e o saxofonista Pharoah Sanders (foto).

Na última edição do prêmio, o vitorioso nesta categoria foi o saxofonista Benny Golson, que completou 90 anos em 2019.

Diferentemente de outras premiações, além dos músicos, também são premiados jornalista e publicações relacionadas ao mundo do jazz. Entre os prêmios estão melhor revista, melhor blogue e o melhor livro.

Para ver a relação de todos os indicados deste ano, visite o site oficial do evento aqui. Você também pode conhecer todos os 22 vencedores na categoria melhor disco de jazz clicando aqui.

Ouça, no final da matéria, uma música de cada um dos seis discos indicados na categoria melhor álbum de jazz.

Conjunto da Obra

Ron Carter
Chick Corea
Ahmad Jamal
Harold Mabern
Pharoah Sanders

Músico

Mary Halvorson
Christian McBride
Cecil McLorin Salvant
Wayne Shorter

Revelação

James Brandon Lewis
Makaya McCraven
Linda May Han Oh
Joel Ross
Christian Sands

Compositor

Satoko Fujii
Myra Melford
Maria Schneider
Wadada Leo Smith
Wayne Shorter

Arranjador

Miho Hazama
Michael Leonhart
Jim McNeely
Maria Schneider

Álbum

Sonic Creed - Stefon Harris and Blackout (Blue Note)
Vanished Gardens - Charles Lloyd and the Marvels with Lucinda Williams (Blue Note)
Universal Beings - Makaya McCraven (International Anthem )
The Window - Cécile McLorin Salvant (Mack Avenue)
West Side Story Reimagined - Bobby Sanabria (Jazzheads)
Emanon - Wayne Shorter (Blue Note)

Álbum Histórico

John Coltrane - Both Directions At Once: The Lost Album (Impulse/Verve)
Miles Davis and John Coltrane, The Final Tour: The Bootleg Series, Vol. 6 (Columbia/Legacy),
Eric Dolphy – Musical Prophet (Resonance)

Gravadora

Blue Note
ECM
HighNote/Savant
Pi Recordings
Resonance
Sunnyside

Cantor

Kurt Elling
José James
Gregory Porter

Cantora

Cyrille Aimee
Jazzmeia Horn
Cécile McLorin Salvant

Big Band

Bobby Sanabria Multiverse Big Band
Darcy James Argue Secret Society
DIVA Jazz Orchestra
Jazz at Lincoln Center Orchestra
Maria Schneider Orchestra
Orrin Evans and the Captain Black Big Band

Grupo

Fred Hersch Trio
Charles Lloyd and the Marvels
Wayne Shorter Quartet
Thumbscrew

Trompetista

Ambrose Akinmusire
Terence Blanchard
Dave Douglas
Ingrid Jensen
Kirk Knuffke
Jeremy Pelt
Wadada Leo Smith

Trombonista

Michael Dease
Marshall Gilkes
Wycliffe Gordon
Steve Turre

Metais

Anthony Braxton
James Carter
Roscoe Mitchell
Scott Robinson
Steve Wilson

Saxofone Alto

Steve Coleman
Tia Fuller
Steve Wilson
Miguel Zenón

Saxofone Tenor

Chris Potter
Wayne Shorter
Mark Turner

Saxofone Barítono

Ronnie Cuber
Lisa Parrott
Scott Robinson
Lauren Sevian
Gary Smulyan

Saxofone Soprano

Jane Ira Bloom
Jane Bunnett
Dave Liebman
Wayne Shorter

Flautista

Jamie Baum
Andrea Brachfeld
Charles Lloyd
Nicole Mitchell

Clarinetista

Don Byron
Anat Cohen
Eddie Daniels
Ben Goldberg
Ken Peplowski

Guitarrista

Bill Frisell Mary Halvorson
Julian Lage
Miles Okazaki
John Scofield

Pianista

Kenny Barron
Fred Hersch
Myra Melford
Christian Sands
Craig Taborn

Tecladista

Chick Corea
Joey DeFrancesco
Herbie Hancock
Dr. Lonnie Smith

Baixista

Dave Holland
Christian McBride
Linda May Han Oh

Violinista

Regina Carter
Tomeka Reid
Jenny Scheinman

Percussionista

Cyro Baptista
Zakir Hussain
Pedrito Martinez

Vibrafonista

Stefan Harris
Joe Locke
Warren Wolf

Baterista

Brian Blade
Andrew Cyrille
Jack DeJohnette
Eric Harland
Roy Haynes
Antonio Sánchez

Instrumentista não jazzista

Greg Leisz (dobro, mandolin, lap steel and pedal steel )
Grégoire Maret(harmonica)
Hendrik Meurkens (harmonica)
Scott Robinson (vários)
Brandee Younger (harpa)












sexta-feira, 12 de abril de 2019

Herbie Hancock, o camaleão do jazz

Quem diria que aquele menino franzino, nascido em Chicago, Illinois (EUA), em 1940, se tornaria um dos mais influentes e talentosos jazzistas do século XX.

Herbie Hanconk, nascido em 12 de abril, lançou seu primeiro disco há 57 anos, quando tinha 22 anos de idade.

Takin' Off (62) trazia o jovem pianista acompanhado por Freddie Hubbard (trompete), Dexter Gordon (sax), Butch Warren (baixo) e Billy Higgins (bateria). No repertório estava a música que marcaria para sempre sua carreira, "Watermelon Man".

O disco foi o cartão de visita que levaria Hancock a ser convidado por Miles Davis para fazer parte de seu novo quinteto, Além de Hancock, o grupo tinha Wayne Shorter (sax), Ron Carter (baixo) e Tony Williams (bateria). Hancock tocou com Miles entre 64 e 68. Entre os disco lançados neste período estão E.S.P., Miles Smiles, Sorcerer, Nefertiti e Miles in the Sky.

Outro álbum desta época é Live At The Plugged Nickel (1965), registro de duas noites do quinteto na casa Plugged Nickel, em Chicago. Em 1995, uma caixa com oito CDs foi lançada com as duas apresentações na íntegra.

Depois de deixar Miles, Hancock começou a mergulhar no universo do jazz fusion e do jazz funk, mistura de rock e funk com o jazz. Nesta época, lançou um novo grupo, The Headhunters.

O disco de estreia, de 1973, traz o tema "Chameleon", que se torna um dos maiores êxitos de toda carreira do pianista. É um dos disco de jazz mais vendidos de toda a história, ao lado de Kind of Blue (Miles Davis), Time Out (Dave Brubeck) e Breezin (George Benson).

Durante toda a década de 1970, Hancock manteve essa pegada funk, tocando piano e o órgão Fender Rhodes.

No fim desta década, Hancock criou o supergrupo V.S.O.P. (foto ao lado), que tinha a mesma formação do quinteto de Miles (Hancock, Wiliams, Shorter e Carter), mas com o trompetista Freddie Hubbard tocando trompete "no lugar" de Miles.

O grupo traz o jazz tradicional, mas com uma pitada mais moderna. Hancock também foi responsável pela ascensão dos irmãos Wynton e Branford Marsalis, ambos com 21 e 22 anos, respectivamente. A duplo entrou no lugar de Hubbard.


Hancock na década de 1970 com seus sintetizadores

A década de 1980 foi decisiva para Hancock se tornar um músico universal. Sua incursão ao hip hip, no disco Futero Shock (1983), com o hit "Rockit" trazia o músico comandando sintetizadores, que na época eram uma novidade. O impacto da músico cresceu com a produção de um vídeo clipe inovador, que ficou com cinco prêmios no MTV Video Music Awards, em 1984. O disco também deu a Hancock o primeiro Grammy de sua carreira.

Ouça no player a seguir o podcast Jazzy especial sobre o pianista:


Em 1987, Hancock ficou com o Oscar de melhor trilha sonora pelo filme Por Volta da Meia-Noite, estrelado pelo saxofonista Dexter Gordon. Na década de 1990, Hancock voltou a tocar o jazz tradicional. O resultado foram belos discos, como A Tribute to Miles Davis (1992), The New Standard (1996), 1 & 1 (com Wayne Shorter) (1997) e Gershwin's World (1998), e mais quatro Grammy para a sua coleção de 14 Grammys.

Ainda durante os anos 90, Hancock alcançou as paradas com a música "Cantaloop (Flip Fantasia)", lançada pelo grupo britânico US3. O tema original foi composto por Hancock, em 1964, e lançado no disco Empyrean Isles. O US3 usou a base da música do pianista para fazer uma mistura deliciosa entre jazz, funk e hip hop. O disco Hand On the Torch, do US3, é considerado o ponta pé inicial do movimento acid jazz, que marcou a década de 1990.

Nos últimos anos, Hancock tem mantido sua rotina de shows nos principais festivais de jazz nos Estados Unidos e na Europa. Também investiu em álbuns mais populares, com a participação de artistas ligados ao mundo do rock e do pop.

É o caso dos discos Possibilities (Christina Aguilera, John Mayer e Sting) (2005), River: The Joni Letters (Norah Jones, TIna Turner, Luciana Souza) (2007) e The Imagine Project (Pink, Ceu, Juanes, Dave Matthews) (2010).

O disco em tributo a cantora Joni Mitchell (foto acima) ficou com os prêmios Grammy de melhor disco de jazz contemporâneo e o principal prêmio de todos, o de disco do ano, em 2007.

Em 2013, o pianista foi homenageado com o prêmio Kennedy Center Honors, uma honraria oferecida pelo governo dos Estados Unidos a artistas (músicos, cineastas, bailarinos etc) com uma trajetória artística relevante para a sociedade. Antes de Hancock, músicos como Dave Brubeck, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra e Dizzy Gillespie também foram agraciados com o mesmo prêmio.

Atualmente, Hancock é embaixador da boa vontade da UNESCO e o principal idealizador do Dia Internacional do Jazz, que é comemorado anualmente, desde 2013, no dia 30 de abril.

Em 2019, a cidade escolhida para ser sede do evento é Melbourne, na Austrália. Entre os músicos convidados estão Dee Dee Brigewater, Kurt Elling, Eijiro Nakagawa, Antonio Sánchez e o violonista brasileiro Chico Pinheiro.











terça-feira, 2 de abril de 2019

Branford e Joshua voltam ao formato de quarteto

Eles foram considerados prodígios quando apareceram no fim da década de 1980 e no início da década de 1990. O instrumento escolhido por ambos, coincidentemente, foi o saxofone.

Seus sobrenomes não foram decisivos para suas carreiras, mas ainda hoje carregam em seus DNAs este legado, algo que sempre se orgulharam, mas nunca ofuscaram o talento que exibem há mais de duas décadas.

Branford Marsalis e Joshua Redman têm trajetórias bem distintas quando se trata da estrada que cada um resolveu trilhar, mas a herança musical é inegável em suas carreiras. Redman é filho do saxofonista Dewey Redman (1931-2006) e Marsalis é o filho mais velho do pianista Ellis Marsalis (1934) e irmão do trompetista Wynton Marsalis.

No decorrer das décadas, os dois se mostraram inquietos e muito criativos. E agora, que ambos passaram dos 50 (Redman completou em fevereiro e Marsalis tem 58), isso se mantém e pode ser comprovado em seus novos discos, ambos no formato de quarteto (sax-piano-baixo-bateria): The Secret Between the Shadow and the Soul (Marsalis) e Come What May (Redman).

Após 20 anos sem gravarem juntos - os discos anteriores são Beyond (2000) Passage of Time (2001) -, Redman reuniu seu quarteto, formado por Aaron Goldberg (piano), Reuben Rogers (baixo) e Gregory Hutchinson (bateria), e fez mais um belo disco autoral, com temas que são facilmente assimilados pelo ouvinte.

As delicadas "Vast" e a faíxa-título são melodias que parecem se moldar ao ambiente onde são executadas. Em "I'll Go Mine", a bateria sincopada dá o ritmo para os solos rápidos e elegantes de Redman.

A conversa franca entre Redman e Goldberg aparece com força em "Sagger Bear" e "Circle Of Life". Mesmo sem gravarem com frequência, Goldberg é sempre escalado por Redman para acompanhá-lo em suas turnês, criando assim uma afinidade musical que só as convivência pode proporcionar.

A relação de Marsalis com seu quarteto é muito similar a de Redman. O pianista Joey Calderazzo e o baixista Eric Revis acompanham o saxofonista há duas décadas. O novato, o baterista Justin Faulkner, desde 2009. O quarteto tem um som conciso e muito bem executado. As viagens musicais de Marsalis são bem menos palatáveis aos ouvidos de ouvinte não iniciado em comparação a Redman.


Gregory Hutchinson, Aaron Goldberg, Joshua Redman e Ruben Rogers

Logo de saída, "Dance of the Evil Toys", composta por Revis, é uma porrada de quase nove minutos que deixa claro a inquietação do quarteto. Depois aparece a delicada melodia "Conversation Among the Ruins", de Calderazzo, com Marsalis fazendo papel de coadjuvante.

O pianista também é responsável pelo tema "Cianna", com Calderazzo e Marsalis em perfeita sintonia. Em "Snake Hip Waltz", composta pelo pianista Andrew Hill, o quarteto mostra como deve ser a "conversa" entre quatro músicos de jazz. Seus instrumentos se completam, criando um belo arranjo para a obra do inquieto Hill.


Branford Marsalis, Justin Faulkner, Eric Revis e Joey Calderazzo

O disco fecha com "The Windup", de keith Jarrett. Mais uma vez, o jazz pesado toma conta do ambiente e espalha por todos os cantos as frases nervosas que saem do saxofone de Marsalis. Destaque também para a bateria de Faulkner, que parece um trem desgovernado, mas conduzido com maestria pelo maquinista Faulkner.

Outro disco de quarteto, também com saxofone, que merece ser escutado é Everybody Gets the Blues, do pianista Eric Reed, lançado pelo selo Smoke Sessions. Ao lado de Tim Green (sax), McClenty Hunter (bateria) e Mike Gurrola (baixo), Reed traz versões de temas compostos por Cedar Walton, Stevie Wonder, The Beatles, John Coltrane e Freddie Hubbard, tudo com uma pitada de gospel e blues.

Ouça:
"Snake Hip Waltz" e "Cianna", de Marsalis
"How We Do" e "Circle of Life", de Redman: