sexta-feira, 19 de julho de 2019

Série Jazz Icons

A série de DVD Jazz Icons foi lançada em 2006 e foi recebida com empolgação pelos fãs de jazz. Desde então, cinco lotes de DVDs - a série foi encerrada em 2011 - foram lançados contendo shows gravados na Europa, entre 1957 e 1978, com quase todos os grandes ícones da história do jazz, entre eles, Ella Fitzgerald, John Coltrane, Louis Armstrong, Quincy Jones, Sonny Rollins, Count Basie, Art Blakey e Dizzy Gillespie.

Ao todo, a série lançou 36 DVDs e se tornou o maior acervo da história do jazz oferecido para o grande público. Seu valor é inestimável. A qualidade das gravações, o repertório, os músicos e, talvez o mais importante, o período dessas gravações. A maior parte delas foi filmada entre 1957 e 1966, considerado pelos estudiosos como um dos períodos mais importantes da história do jazz.

Entre 1957 e 1966, discos essências foram lançados, entre eles, Miles Davis (Kind of Blue), Dave Brubeck (Time Out), Charles Mingus (Mingus Ah Um), Ornette Coleman (The Shape of Jazz to Come), Sonny Rollins (Saxophone Colossus), John Coltrane (A Love Supreme), Count Basie (The Atomic Mr. Basie), Horace Silver (Song for My Father), Art Blakey And The Jazz Messengers (Moanin’), Eric Dolphy (Out to Lunch), Wayne Shorter (Speak No Evil) e Lee Morgan (The Sidewinder).

Diante dessa enxurrada de discos, o jazz vivia realmente uma época riquíssima, comparada apenas aos anos dourados das big bands, entre as décadas de 1930 e 1940. Os vídeos da coleção deixam isso bem claro. Assistir a John Coltrane (foto acima) tocando pela primeira vez em público "A Love Supreme" é uma experiência inesquecível. A gravação foi feita no festival Antibes Jazz, na França, em julho de 1965, ao lado de McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (baixo) e Elvin Jones (bateria).


Lee Morgan (trompete), Jymie Merritt (baixo) e Ar Blakey (bateria)


Outro destaque é a orquestra comandada por Quincy Jones, gravada em 1960, na qual faziam parte nomes como Phil Woods (sax), Clark Terry (trompete) e Sahib Shihab (sax). Como não se arrepiar ao ver Art Blakey (bateria) e seus Jazz Messengers, em 1958, com Lee Morgan (trompete), Benny Golson (sax), Bobby Timmons (piano) e Jymie Merritt (baixo)? Blakey também aparece em um concerto no qual Wayne Shorter (sax) e Walter Davis Jr.(piano) são apresentados como os novos membros dos Jazz Messengers.

Infelizmente, a série tem poucos registros de vozes, sejam elas masculinas ou femininas. Entre os shows com vocal, destaque para a jovem Ella Fitzgerald, em show gravado na Bélgica, em 1957, com Ray Brown (baixo), Oscar Peterson (piano) e Herb Ellis (guitarra), em 1963, na Suécia, ao lado do pianista Tommy Flanagan.

Outro registro importante é de Sarah Vaughan (foto), gravados em 1958 e 1964. A Divina Vaughan traz um repertório com clássicos como "Over the Rainbow", "Lover Man" e "The More I See You". Por último, o registro de Louis Armstrong e seus All-Stars, na Bélgica, em 1959. É um dos poucos shows completos do trompetista que se tem acesso. Um verdadeiro tesouro para os apreciadores do jazz.


As grandes ausências da coleção são Miles Davis, Charlie Parker e Billie Holiday. No caso de Davis, a opção é procurar o vídeo gravado em Milão, na Itália, em 1964. A qualidade das imagens não é tão boa como da série Jazz Icons, mas é interessante ver Davis ao lado dos jovens Wayne Shorter e Herbie Hancock (piano). Sobre Parker, infelizmente, não há nenhum registro conhecido de um concerto do saxofonista, que morreu em maio de 1955, aos 34 anos de idade.

O mesmo acontece com Billie Holiday, que morreu aos 54 anos, em 1959. O melhor registro que você pode encontrar de Billie está no DVD The Sound of Jazz, que traz a íntegra do programa de TV produzido em 1957 pela CBS. Billie canta o tema "Fine and Mellow". A cantora também pode ser assistida no filme New Orleans (1947), no qual divide a cena ao lado de Louis Armstrong.


Primeira caixa lançada da série Jazz Icons. Coleção conta com 36 DVDs


Todos os DVDs, que são vendidos em cinco caixas separadas ou cada um dos 36 títulos separadamente, têm um encarte com muita informação e fotos raras. Abaixo está a relação de todos os títulos da série Jazz icons, separados em caixas. Para saber mais detalhes sobre a coleção, visite o site oficial aqui.

BOX 1

Art Blakey & The Jazz Messengers • Live in '58
Dizzy Gillespie • Live in '58 & '70
Louis Armstrong • Live in '59
Quincy Jones • Live in '60
Thelonious Monk • Live in '66
Buddy Rich • Live in '78
Ella Fitzgerald • Live in '57 & '63
Count Basie • Live in '62
Chet Baker • Live in '64 & '79

BOX 2

John Coltrane • Live in '60, '61 & '65
Dave Brubeck • Live in '64 & '66
Duke Ellington • Live in '58
Sarah Vaughan • Live in '58 & '64
Dexter Gordon • Live in '63 &'64
Wes Montgomery • Live in '65
Charles Mingus • Live in '64

BOX 3

Sonny Rollins • Live in '65 & '68
Cannonball Adderley • Live in '63
Bill Evans • Live '64-'75
Rahsaan Roland Kirk • Live in '63 & '67
Lionel Hampton • Live in '58
Oscar Peterson • Live in '63, '64 & '65
Nina Simone • Live in '65 & '68

BOX 4

Jimmy Smith • Live in '69
Coleman Hawkins • Live in '62 & '64
Art Farmer • Live in '64
Erroll Garner • Live in '63 & '64
Woody Herman • Live in '64
Art Blakey • Live in '65
Anita O'Day • Live in '63 & '70

BOX 5

John Coltrane • Live In France 1965
Art Blakey's Jazz Messengers •Live In France 1959
Thelonious Monk •Live In France 1969
Johnny Griffin •Live In France 1971
Freddie Hubbard •Live In France 1973
Rahsaan Roland Kirk •Live In France 1972













quinta-feira, 11 de julho de 2019

5 décadas de ECM

E lá se vão cinco décadas desde que o músico e produtor alemão Manfred Eicher (foto) criou a gravadora ECM (Edition of Contemporary Music), em Munique, na Alemanha, em 1969. Para quem está mais familiarizado com a gravadora, sabe que a principal preocupação de Eicher é com a qualidade de som e a experiência que esse som cristalino e impecável deve causar no ouvinte.

Aliado a essa obsessão, o selo alemão também se notabilizou por gravar músicos de diferentes partes do mundo, sem nunca se preocupar em "vender discos".

Eicher é, acima de tudo, um apaixonado pela música e usa sua criação para poder expandir as mentes das pessoas e mostrar que há musicalidade em todos os cantos deste planeta. Com isso em mente, a ECM se tornou a casa de músicos de diferentes nacionalidades, entre eles, Jan Garbarek (Noruega), Tomasz Stanko (Polônia), Palle Danielsson (Suécia), Enrico Rava (Itália), Egberto Gismonti (Brasil), Dino Saluzzi (Argentina), Lakshminarayana Shankar (Índia), Miroslav Vitous (Iugoslávia), Stephan Micus (Alemanha), Arvo Pärt (Estônia), Anouar Brahem (Tunísia) e Manu Katché (França).

A ECM também é o lar de grandes nomes do jazz como os pianistas Keith Jarrett, Chick Corea, Vijay Iyer e Paul Bley, os guitarristas Pat Metheny, John Abercrombie, Ralph Towner, Terje Rypdal, Steve Tibbetts e Bill Frisell, os bateristas Paul Motian e Jack DeJohnette, o vibrafonista Gary Burton e o baixista Dave Holland.

Foi na ECM que o guitarrista Pat Metheny e o pianista Keith Jarrett chamaram a atenção do público. Metheny lançou seu primeiro disco (Bright Size Life) na ECM, aos 21 anos de idade, e continuou gravando pelo selo alemão por uma década, com destaque para os discos 80/81 (1981), Offramp (1982) e First Circle (1984). Para Jarrett, a gravadora é sua casa desde 1971, quando lançou o disco Facing You.

Mas nada superaria o disco duplo The Köln Concert, de 1975. O álbum é considerado um marco na carreira do pianista e um divisor de águas na trajetória da ECM. Até hoje, as improvisações de Jarrett neste álbum é motivo de espanto e admiração de novos ouvintes ao terem contato com este registro histórico que traz o pianista em um transe absoluto, solando e suando a cada compasso. Além disso, Jarrett tem uma dezena de discos, incluindo DVDs, lançados no formato de trio ao lado do baterista Jack DeJohnette e do baixista Gary Peacock.

Com o passar dos anos, o antenado produtor Manfred Eicher manteve seus ouvidos abertos para descobrir e gravar novos talentos da música instrumental. Entre os "novatos", estão músicos como os pianistas Vijay Iyer, Craig Taborn, Tord Gustavsen e Marcin Wasilewski, o baixista Mats Eilertse, os trompetistas Mathias Eick e Avishai Cohen, o saxofonista Nicolas Masson e o guitarrista Jakob Bro. Conheça todos os artistas da gravadora clicando aqui


Gismonti grava com Charlie Haden e Jan Garbarek o disco Mágico, de 1979


O Brasil tem um representante de peso dentro da ECM: o pianista e violonista Egberto Gismonti. É claro que o talento do brasileiro na passaria desapercebido pelo produtor alemão, que o contratou em 1976, quando lançou o disco Dança das Cabeças, ao lado do percussionista pernambucano Naná Vasconcelos. A longa parceria com a ECM, que dura até hoje, rendeu outros importantes discos como Mágico (1979), ao lado do baixista Charlie Haden e do saxofonista Jan Garbarek, e Dança dos Escravos (1989), disco solo de violão.

De olho nas novas gerações, em 2017, a gravadora colocou todo o seu catálogo nas principais plataformas digital, entre elas, Apple Music, Amazon, Spotify, Deezer, Tidal e Qobuz. Na ocasião, a ECM disse que os lançamentos nos formatos CD e LP vão continuar, mas que a prioridade da gravadora é que a música seja ouvida. Diante do aumento da pirataria e de sites que não pagavam direitos autorais pela execução de suas músicas, a gravadora teve que sucumbir aos novos tempos.


Guitarrista John Abercrombie gravou vários discos pela ECM


O trabalho do visionário Manfred Eicher, hoje com 76 anos, não acabou e sua inquietação sempre estará ditando os rumos da ECM. A essência de seu pensamento continua intacta. Em uma entrevista na década de 1990, ele sintetizou bem o que move seu trabalho e sua missão.

"Para mim, não se trata do que eu gosto ou não gosto. As minhas decisões baseiam-se sobretudo naquilo que considero merecer ou não merecer ser gravado. Os meus critérios não são critérios de gosto, e não importa se gosto ou não de um disco que vou editar, mas apenas avaliar se ele deve ser gravado. Mas o gosto do público não afeta a minha decisão. Apenas a música".

Em 2011, foi lançado o DVD Sounds and Silence, que mostra os bastidores das gravações de vários músicos, entre eles, Arvo Pärt, Eleni Karaindrou, Dino Saluzzi, Anja Lechner e Anouar Brahem, e confidências sobre a relação profissional com Manfred Eicher. Além da seleção de vídeos abaixo, clicando aqui, você encontra uma playlist publicada pelo canal oficial da ECM no Youtube com dezenas de vídeos.




















quinta-feira, 4 de julho de 2019

Jimmy Smith - Organ Grinder Swing

Por 14 anos o Guia de Jazz esteve no ar com a missão de aproximar os internautas ao jazz. Um dos tópicos mais visitados era o de dicas de CDs, no qual dezenas de discos eram indicados e resenhados por mim. Infelizmente, com o fim do site em setembro de 2015, todo esse acervo foi "perdido".

Mas não totalmente perdido. Além do livro Jazz ao Seu Alcance - que traz todo o conteúdo do guia (dicas de CDs, DVDs, livros, entrevistas e muito mais) - você encontrará quinzenalmente neste blog algumas dicas de CDs publicadas anteriormente no site Guia de Jazz.

Sempre que possível, ao final de cada resenha você encontrará vídeos do Youtube com algumas faixas do disco indicado para escutar. Boa leitura e audição. Veja outras dicas de CDs aqui


Jimmy Smith - Organ Grinder Swing (1965)

Uma pesquisa realizada em uma loja de discos inglesa perguntou aos seus consumidores: qual imagem vem à cabeça quando você escute a palavra jazz? As respostas foram as mais variadas possíveis, mas as cinco primeiras foram essas: Miles Davis, saxofone, Louis Armstrong, trompete e Ella Fiztgerald.

O resultado não foi uma surpresa, mas deixou evidente que o saxofone e trompete são instrumentos fortemente associados ao jazz. Os principais responsáveis por isso, é claro, são músicos como Miles Davis, Dizzy Gillespie, Wynton Marsalis, John Coltrane, Charlie Parker e Louis Armstrong.

Quem tem mais intimidade com o jazz sabe que outros instrumentos, como gaita, guitarra, vibrafone, flauta, trombone e, obviamente, a bateria e o piano também são meios de expressar toda a sua beleza. Nos últimos anos, o órgão Hammond é outro instrumento que tem conquistado cada vez mais espaço no jazz. Entre seus principais expoentes estão John Medeski, Joey DeFrancesco, Larry Goldings e Sam Yahel.

Mas esses novatos sabem que a porta para o Hammond B-3 no jazz foi aberta há quase 50 anos, quando organistas como Dr. Lonnie Smith, Jimmy McGriff, Jack McDuff e Jimmy Smith tiraram o “velho” órgão das igrejas batistas e o trouxeram para o jazz.

Entre esses veteranos organistas, nenhum deles é mais cultuado e associado ao instrumento do que Jimmy Smith. Nascido em 1928, James Oscar Smith foi o responsável pela popularização do instrumento e gravou álbuns antológicos nas duas principais gravadoras de jazz do planeta: Blue Note e Verve.

Com cerca de 50 discos no currículo, é difícil indicar apenas um, mas vamos falar sobre um título que muitas vezes é esquecido: Organ Grinder Swing, de 1965, lançado pela Verve. Depois de quase uma década na Blue Note, onde gravou discos como Back At The Chiken Shack, Straight Life e Prayer Meetin, Smith começou a gravar pelo selo de Norman Granz.


Jimmy Smith grava ao lado do guitarrista Kenny Burrell


Organ Grinder Swing traz o organista em uma formação enxuta, acompanhado pelo baterista Grady Tate e o guitarrista Kenny Burrell. Em trio, Smith parece ainda melhor e deixa isso bem claro logo na faixa-título. No clássico “Greensleeves”, com um solo de quase 7 minutos, Smith deixa pouco espaço para as frases de Burrell. Mas o guitarrista “impõe” seu instrumento em “Oh No, Babe” e mostra ao lado de Smith com quantas notas se faz um blues de doer o coração.

A formação de trio tem seu ponto alto no fabuloso tema “Satin Doll”, composto por Duke Ellington. É neste momento que guitarra, bateria e órgão se completam e você até esquece que não está ouvindo instrumentos de sopro ou o piano. O único problema do disco é sua duração, apenas 35 minutos. Mas é claro que isso não será um empecilho para você ir correndo comprar o seu exemplar, não é??!!!.






segunda-feira, 1 de julho de 2019

2019: Críticos da DownBeat escolhem os melhores do ano

A mais esperada premiação do mundo do jazz tem finalmente seus vencedores divulgados. Como acontece todos os anos, a octogenária revista norte-americana Downbeat, em sua edição de agosto, publica a lista com os premiados no Annual DownBeat International Critics Poll, ou seja, a votação feita pelos críticos. A votação feita pelos leitores é publicada sempre na edição de dezembro.

Em 2019, em sua 67° edição, o prêmio mais cobiçado, o de artista do ano, ficou com a cantora Cécile McLorin Salvant (na capa da edição de agosto ao lado), que também ficou com o prêmio de melhor cantora de jazz.

Em 2018, Cécile também venceu em duas categorias: melhor cantora e melhor álbum (Dreams And Daggers). A cantora também faturou este ano o Grammy de melhor disco de jazz pelo álbum The Window.

Outro destaque é a gravadora alemã, ECM, que em 2019 completou 50 anos de vida. O idealizador do selo, Manfred Eicher, levou o prêmio de produtor do ano, pelo segundo ano consecutivo, e a ECM como gravadora do ano.

O disco do ano ficou para Wayne Shorter, com o álbum Emanon. Neste ano, o disco também faturou o Grammy na mesma categoria.

Na categoria melhor disco histórico, o disco perdido de John Coltrane chamado Both Directions At Once: The Lost Album foi o grande vencedor.

Anualmente, também são premiados nomes que fizeram a história do jazz. Os vencedores deste ano são o baixista Scott LaFaro, que tocou no trio do pianista Bill Evans na década de 1960, a cantora Nina Simone e o cantor Joe Williams, que marcou época como vocalista da orquestra de Count Basie.

A premiação também destaca as revelações no universo do jazz, que é chamado de Risng Star. Assim como nos prêmios principais, há vencedores em diversas categorias.

Entre os destaques deste ano está o pianista Sullivan Fortner, que venceu como artista e como pianista. Fortener é mais conhecido por sua parceria com a cantora Cécile McLorin Salvant no disco The Window.

No fim da matéria estão vídeos com temas dos discos vencedores de John Coltrane, Wayne Shorter e Van Morrison com Joey DeFrancesco, além de uma canção do último disco de cantora Cécile McLorin Salvant.

VEJA ABAIXO OS VENCEDORES

Hall of Fame

Scott LaFaro
Nina Simone
Joe Williams

Artista
Cécile McLorin Salvant

Álbum
Wayne Shorter, Emanon (Blue Note)

Álbum histórico
John Coltrane, Both Directions At Once: The Lost Album (Impulse!)

Grupo
Fred Hersch Trio

Orquestra
Maria Schneider Orchestra

Trompete
Ambrose Akinmusire

Trombone
Steve Turre

Sax soprano
Jane Ira Bloom

Sax alto
Miguel Zenón

Sax tenor
Joe Lovano

Sax baritono
Gary Smulyan

Clarinete
Anat Cohen

Flauta
Nicole Mitchell

Piano
Kenny Barron

Teclado
Robert Glasper

Orgão
Joey DeFrancesco

Guitarra
Mary Halvorson

Baixo
Christian McBride

Baixo Elétrico
Steve Swallow

Violino
Regina Carter

Bateria
Brian Blade

Percussão
Hamid Drake

Vibrafone
Stefon Harris

Outros instrumentos
Tomeka Reid (cello)

Cantora
Cécile McLorin Salvant

Cantor
Kurt Elling

Compositor
Maria Schneider

Arranjador
Maria Schneider

Gravadora
ECM

Produtor
Manfred Eicher

Blues
Buddy Guy

Álbum de blues
Buddy Guy, The Blues Is Alive And Well (RCA)

Artista que não toca jazz
Rhiannon Giddens

Álbum além do jazz
Van Morrison & Joey DeFrancesco, You’re Driving Me Crazy (Legacy)







quarta-feira, 26 de junho de 2019

NEA Jazz Masters

Anualmente, a entidade National Endowment for the Arts (NEA) premia pessoas que de alguma maneira contribuíram para o desenvolvimento do jazz.

Desde 1982, cerca de 100 personalidades, entre músicos, compositores, arranjadores, jornalistas, radialistas e escritores, receberam a honraria batizada de NEA Jazz Masters.

Nomes como Count Basie, Sonny Rollins, Dizzy Gillespie, Miles Davis, Sarah Vaughan, Chick Corea, Ella Fitzgerald, Pat Metheny e Dan Morgenstern já foram premiados pela NEA.

Em 2019, os vencedores foram o cantor Bob Dorough, a arranjadora Maria Schneider, o pianista Abdullah Ibrahim e crítico Stanley Crouch. Na página oficial da entidade você encontra a relação de todos os vencedores e uma breve biografia de cada um deles. Clique aqui para acessar a lista completa.

No início de maio, foram divulgados os nomes dos novos membros deste seleto grupo em 2020. São eles: o cantor Bobby McFerrin, o saxofonista Roscoe Mitchell, o baixista Reggie Workman e a radialista Dorthaan Kirk. A festa de premiação acontecerá no dia 2 de abril, em São Francisco (EUA).

Com quase quatro décadas de carreira, McFerrin é um dos mais talentos vocalista de toda a história. Ele apareceu no meio da década de 1980 e estourou com a música "Don't Worry, Be Happy". Desde então, construiu uma carreira impecável dentro do jazz e da música erudita. O saxofonista Roscoe Mitchell, de 78 anos, é um dos fundadores do emblemático grupo Art Ensemble of Chicago e um dos pilares do movimento avant-garde.

Outro veterano é o baixista Reggie Workman, de 82 anos. No currículo, passagens pelos grupos do baterista Roy Haynes e do pianista Red Garland, além de ter tocado no quarteto do saxofonista John Coltrane. A radialista Dorthaan Kirk, única premiada que não é músico, é conhecida como "Fisrt Lady of Jazz". Ela trabalhou por décadas na rádio WBGO, de Nova Jersey (especializada em jazz), e, até hoje, está envolvida em projetos relacionados ao jazz. Dorthaan é viúva do saxofonista Rahsaan Roland Kirk,  


OS PREMIADOS EM 2020



VEJA ABAIXO TODOS OS VENCEDORES DO NEA JAZZ MASTERS


1982: Roy Eldridge, Dizzy Gillespie e Sun Ra
1983: Count Basie, Kenny Clarke e Sonny Rollins

1984: Ornette Coleman, Miles Davis e Max Roach
1985: Gil Evans, Ella Fitzgerald e Jonathan Jones

1986: Benny Carter, Dexter Gordon e Teddy Wilson
1987: Cleo Patra Brown, Melba Liston e Jay McShann

1988: Art Blakey, Lionel Hampton e Billy Taylor
1989: Barry Harris, Hank Jones e Sarah Vaughan

1990: George Russell, Cecil Taylor e Gerald Wilson<
1991: Danny Barker, Buck Clayton, Andy Kirk e Clark Terry

1994: Louie Bellson, Ahmad Jamal e Carmen McRae
1995: Ray Brown, Roy Haynes e Horace Silver

1996: Tommy Flanagan, Benny Golson e J.J. Johnson
1997: Billy Higgins, Milt Jackson e Anita O'Day

1998: Ron Carter, James Moody e Wayne Shorter
1999: Dave Brubeck, Art Farmer e Joe Henderson

2000: David Baker, Donald Byrd e Marian McPartland
2001: John Lewis, Jackie McLean e Randy Weston

2002: Frank Foster, Percy Heath e McCoy Tyner
2003: Jimmy Heath, Elvin Jones e Abbey Lincoln

2004: Jim Hall, Chico Hamilton, Herbie Hancock, Luther Henderson, Nat Hentoff e Nancy Wilson
2005: Kenny Burrell, Paquito D'Rivera, Slide Hampton, Shirley Horn, Artie Shaw, Jimmy Smith e George Wein

2006: Ray Barretto, Tony Bennett, Bob Brookmeyer, Chick Corea, Buddy DeFranco, Freddie Hubbard e John Levy
2007: Toshiko Akiyoshi, Curtis Fuller, Ramsey Lewis, Dan Morgenstern, Jimmy Scott, Frank Wess e Phil Woods

2008: Candido Camero, Andrew Hill, Quincy Jones, Tom McIntosh, Gunther Schuller, Joe Wilder
2009: George Benson, Jimmy Cobb, Lee Konitz, Toots Thielemans, Rudy Van Gelder e Snooky Young

2010: Muhal Richard Abrams, George Avakian, Kenny Barron, Bill Holman, Bobby Hutcherson, Yusef Lateef, Annie Ross e Cedar Walton
2011: Hubert Laws, David Liebman, Johnny Mandel, Orrin Keepnews e Marsalis Family (Ellis Marsalis, Jr., Branford Marsalis, Wynton Marsalis, Delfeayo Marsalis e Jason Marsalis

2012: Jack DeJohnette, Von Freeman, Charlie Haden, Sheila Jordan e Jimmy Owens
2013: Mose Allison, Lou Donaldson, Lorraine Gordon e Eddie Palmieri

2014: Jamey Aebersold, Anthony Braxton, Richard Davis e Keith Jarrett
2015: Carla Bley, George Coleman, Charles Lloyd e Joe Segal

2016: Gary Burton, Wendy Oxenhorn, Pharoah Sanders e Archie Shepp
2017: Dee Dee Bridgewater, Ira Gitler, Dave Holland, Dick Hyman e Lonnie Smith

2018: Pat Metheny, Dianne Reeves, Joanne Brackeen e Todd Barkan
2019: Bob Dorough, Abdullah Ibrahim, Maria Schneider e Stanley Crouch

2020: Bobby McFerrin, Roscoe Mitchell, Reggie Workman e Dorthaan Kirk
2021:

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Chris Potter volta elétrico e irrequieto

Quem acompanha a carreira do saxofonista Chris Potter sabe que seu som não é exatamente simples de se ouvir. Mas é claro que isso não é um problema.

Pelo contrário, o som encorpado de Potter é fruto da sua inquietação musical. Isso fica cristalino ao olharmos sua discografia solo ou sua participação em quase 100 discos de outros músicos.

Hoje, aos 48 anos, Potter é um veterano dentro do jazz, com três décadas de história tocando ao lado de nomes do quilate de Dave Douglas,, Herbie Hancock, Jim Hall, John Scofield, Pat Metheny, Paul Motion e Ray Brown. Sua discografia está espalhada pelos selos Cris Cross, Concord, Verve e ECM.

Agora, mais uma vez, sua conhecida inquietação o leva para um novo desafio e uma nova gravadora, a britânica Edition Records, após vários anos na gravadora alemã ECM. A nova empreitada de Potter chama-se Circuits, com o apoio do jovem tecladista James Francies e do velho parceiro Eric Harland, na bateria. O disco conta ainda com a participação do baixista africano Linley Marthe.

Desta vez, Potter preferiu uma sonoridade mais "moderna" ao escolher o piano elétrico e o baixo elétrico como pano de fundo para os seus solos sempre criativos. Isso fica muito claro logo de saída com "Hold It", na qual a sonoridade do sax está robusta e em perfeita sintonia com o teclado de Francies. Em "The Nerve", o baixo de Marthe conversa com o sax mais livre de Potter.


Eric Harland, Chris Potter e James Francies protagonizam o disco

O clima muda completamente em "Koutomé", uma composição do músico africano Amenoudji Joseph Vicky. Aqui, a bateria de Harland dá o tom para que Potter e Marthe, nascido nas Ilhas Maurício, na África Oriental, consigam traduzir suas ideias em seus instrumentos.

A faixa título é sem dúvida o tema que mais deixa evidente a unidade do quarteto. Todos os instrumentos estão conversando entre si, de forma coerente e com criatividade. O formato de trio volta com força em "Green Pastures" e "Queens of Brooklyn", esta última uma breve balada com Potter lançando mão do sax soprano e da flauta.

Os temas "Exclamation" e "Pressed For Time" terão efeito direto nos ouvidos dos fãs do grupo Weather Reporter. A unidade e a energia do grupo nos remete diretamente ao trio Jaco Pastorius, Wayne Shorter e Joe Zawinul. Ambas são uma viagem musical vertiginosa e naturalmente contagiante. A primeira com a formação do quarteto e a última em trio, composta pelo irrequieto Francies.

O final do disco não poderia ter sido mais pujante. Potter dispara toda a sua munição de frases musicais de uma maneira extremamente pessoal e articulada. As frases que muitas vezes parecem desconectadas para o ouvinte menos iniciado acabam se unindo e criando uma música vigorosa e desafiadora para quem ouve. Ponto para Potter, que não poupa esforços para encontrar novos caminhos para mente musical sem limites.





quarta-feira, 19 de junho de 2019

Zuza Homem de Jazz: documentário destaca vida do musicólogo

A trajetória do jornalista, musicólogo e produtor musical Zuza Homem de Mello se confunde com a música popular brasileira.

Sua participação ativa no programa O Fino da Bossa, entre 1965 e 1967, e como engenheiro de som nos festivais da TV Record, são marcos em sua longínqua carreira, além da curadoria de grandes festivais de música, entre eles o Free Jazz e o Tim Festival.

Mas a história de Zuza começou muito antes, no fim da década de 1950, época em que foi estudar na School of Jazz, em Massachussets e depois na Juilliard School, em Nova York. Foi lá que o jovem estudante de baixo teve a oportunidade de ver shows das maiores estrelas do jazz, entre eles, Billie Holiday, Coleman Hawkins, John Coltrane, Dizzy Gillespie, Duke Ellington e Thelonious Monk.

Foi neste momento que a relação de Zuza com o jazz nasceu e nunca mais o abandonou. Hoje, aos 85 anos, ele continua sua missão de "ensinar" seus seguidores a aprender a ouvir música e a sempre tirar o que há de melhor na obra de cada músico.

O documentário Zuza Homem de Jazz, dirigido por Janaina Dalri, conta um pouco sua trajetória por meio de depoimentos de pessoas que conviveram com o jornalista no Brasil e no exterior e, é claro, com deliciosos papos com o próprio Zuza.

A diretora Janaina acompanha Zuza na cidade de Nova York e registra encontros do jornalista com diversas personalidades deste universo, entre eles o arranjador e pianista Bob Dorough, o cantor e pianista Steve Ross, o trompetista Wynton Marsalis, a arranjadora Maria Schneider e os jornalistas Gary Giddins e James Gavin.

No Brasil, os depoimentos ficaram a cargo do jornalista Roberto Muylaert, da produtora Monique Gardenberg e dos músicos André Mehmari, Zé Nogueira, Egberto Gismonti, Letieres Leite, Nelson Ayres e Mario Adnet.


Zuza em Nova York em uma cena do documentário Zuza Homem de Jazz


Segundo o próprio Zuza, o objetivo do documentário não era apenas falar sobre sua vida. O principal ponto foi mostrar como a música brasileira influenciou o jazz e vice-versa, em especial na época da bossa nova, durante a década de 1960.

Atualmente, o documentário pode ser visto na programação do canal Curta, disponível nas principais empresas de TV por assinatura. Veja aqui uma reportagem sobre o documentário exibida no Jornal da Band, em novembro de 2018.

No decorrer de sua carreira, Zuza publicou vários livros, entre eles Copacabana – A Trajetória do Samba-Canção (1929-1958), A Era dos Festivais, Música com Z, Eis Aqui os Bossa Nova, Música nas Veias e João Gilberto.

Entrevista no Roda Viva (2019)

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Peter Frampton mergulha com sua guitarra no blues

Ele foi uma das figuras centrais do rock na década de 1970. Seu disco ao vivo, Comes Alive, foi por décadas o disco ao vivo mais vendido da história.

Sua figura sexy permeou o imaginário das mulheres no auge de sua carreira e sexy appeal. Ele era conhecido por sua bela voz e sua inconfundível guitarra.

Peter Frampton continua uma referência, independentemente de ter sua carreira prejudicada pelos excessos que a vida de um rockstar muitas vezes ocasionam.

Hoje, aos 69 anos, Frampton está volta à ativa, com o disco All Blues, no qual recria grandes temas da história do blues. Além de ser o primeiro disco do guitarrista dedicado totalmente ao blues, o álbum chega em um momento particularmente decisivo em sua carreira.

Em fevereiro, ele revelou ter sido diagnosticado com uma doença muscular degenerativa rara. Diante disso, ele anunciou que a turnê deste disco será despedida dos palcos.

A notícia de sua doença causa comoção, é claro, mas ao mesmo tempo a volta de Frampton ao disco é uma ótima maneira de encarar o momento delicado ao qual ele está passando. O novo álbum foi gravado ao vivo em estúdio com a banda afiada de Frampton: Adam Lester (guitarra), Rob Arthur (teclados) e Dan Wojciechowski (bateria).


Aos 69 anos, Frampton lança seu primeiro disco inteiramente dedicado ao blues

O disco traz clássicos como “The Thrill Is Gone” (composta originalmente em 1951 e imortalizada por B.B. King), com a participação do guitarrista Sonny Landreth, e “I Just Want to Make Love to You”, de Muddy Waters, com o cantor Kim Wilson, da banda Fabulous Thunderbirds, nos vocais.

Outros dois convidados de peso também participam do disco. O veterano guitarrista Larry Carlton dá seu toque pessoal no clássico do jazz “All Blues”, e o virtuoso Steve Morse, do Deep Purple, mostra o seu lado bluseiro em “Going Down Slow”, música originalmente gravada pelo cantor de Chicago St. Louis Jimmy Oden, em 1941.

A guitarra de Frampton brilha ainda na balada “Same Old Blues”, gravada pelo mestre Freddy King, em “Me And My Guitar” e “Yoy Can’t Judge A Book By The Cover”, com Frampton abusando da guitarra slide. Para completar, o guitarrista ainda faz uma versão instrumental da clássica “Georgia On My Mind”.

A turnê norte-americana do cantor começa no dia 18 em Tulsa, em Oklahoma, e termina no dia 12 de outubro em Concord, na Califórnia. Para quem tem grana sobrando, fica aqui um conselho, ver o mestre Frampton tocando blues em casa, ou seja, nos Estados Unidos, é um investimento que vale cada centavo que você economizou até hoje. O músico não informou se a turnê será estendida para outros países.

Georgia on My Mind



All Blues (Larry Carlton)



The Thrill Is Gone (Sonny Landreth)



Going Down Slow (Steve Morse)



Same Old Blues



You Can't Judge A Book By The Cover

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Beyond The Notes traz a história da Blue Note

Não é novidade a devoção que qualquer fã de jazz tem pela gravadora Blue Note. Também é óbvio que essa admiração é fruto de uma história de oito décadas dedicadas a mais norte-americana das artes.

Aqui, no lar criado por Alfred Lion e Francis Wolff, em 1939, passaram quase todos os gigantes do jazz, entre eles, John Coltrane, Dexter Gordon, Bud Powell, Joe Henderson, Wayne Shorter, Herbie Hancock, Art Blakey, Horace Silver e Clifford Brown.

Para comemorar o aniversário dessa octogenária, um novo documentário sobre a gravadora foi produzido pela diretora suíça Sophie Huber. Beyond The Notes conta de forma leva o desenvolvimento do selo comandado por décadas por Lion e Wolff.

Durante entrevistas para lançar o documentário, Sophie destacou a forma caseira e amadora como os dois imigrantes de origem alemã judeu administravam a gravadora.


Francis Wolf e Alfred Lion criaram em 1939 a gravadora Blue Note

"De certa forma, o que fez a Blue Note ser diferente é que Alfred Lion e Francis Wolff eram, acima de tudo, fãs de jazz que não tinham ideia de como o negócio da música funcionava. Então, basicamente, eles só gravavam músicas que queriam ouvir. Eles tinham tanto respeito e amor pelos músicos que os deixavam fazer o que quisessem. Foi essa abordagem que fez a gravadora lançar discos realmente revolucionários”.

Parte do documentário registra a gravação do disco Our Point Of View, o primeiro do Blue Note All-Stars, em 2017. O supergrupo é formado por estralas atuais da gravadora. São eles: Ambrose Akinmusire (trompete), Robert Glasper (teclados), Derrick Hodge (baixo), Lionel Loueke (guitarra), Kendrick Scott (bateria) e Marcus Strickland (sax).

Além dos músicos citados, o disco ainda traz a participação especial dos veteranos Wayner Shorter (sax) e Herbie Hancock (piano).

Os dois tocam na faixa "Masquelero", música composta por Shorter em 1967. O encontro desses dois gigantes do jazz com a "meninada" é registrado com muita destreza pela diretora.

No mesmo ambiente, após alguns takes, Hancock e Shorter falam sobre suas experiências na gravadora Blue Note e a presença de Alfred Lion e Francis Wolff durante as gravações nas décadas de 1950 e 1960.

Outra boa sacada do documentário são as entrevistas com os produtores Terrace Martin e Ali Shaheed Muhammed, do grupo A Tribe Called Quest. Ambos falam de como os samplers da gravadora Blue Note usados na cena hip hop ajudaram a mantê-la relevante ainda hoje.

Outro documentário que vale a pena ser procurado é It Must Schwing! The Blue Note Story, uma produção alemã dirigida por Eric Friedler, em parceria com o cineasta Wim Wenders.

O título é uma brincadeira com o sotaque alemão de Alfred Lion. Durante o documentário, os músicos brincam com a pronuncia de Lion ao falar a palavra swing, que acabava saindo Schwing.

Além de depoimentos de músicos como Herbie Hancock, Wayne Shorter, Sheila Jordan, Lou Donaldson e Benny Golson, o documentário reproduz, por meio de animações, as sessões de gravações da Blue Note, com destaque para a presença constante de Lion e de Wolf, que aproveitava o momento para tirar fotos dos músicos.

Abaixo você encontra os trailers dos dois documentários e um vídeo com o registro do grupo Blue Note All-Stars tocando a música "Cycling Through Reality". O último vídeo traz um pequeno documentário sobre a gravadora, produzido em 2014, com entrevistas com o pianista Jason Moran e os produtores Don Was (atual presidente da Blue Note) e Michael Cuscuna.









Veja abaixo um Top 20 com discos da gravadora Blue Note (em ordem alfabética)

Andrew Hill - Black Fire (1964)
Art Blakey & The Jazz Messengers - Free For All (1964)
Bobby Huttecherson - Oblique (1979)
Cannonball Adderley - Somethin' Else (1958)
Dexter Gordon - Go (1962)
Donald Byrd - A New Perspective (1964)
Eric Dolphy - Out to Lunch (1964)
Freddie Hubbard - Open Sesame (1960)
Grant Green - Grantstand (1962)
Herbie Hancock - Speak Like a Child (1968)
Horace Silver - Song For My Father (1965)
J.J. Johnson - Volume 1 (1953)
Joe henderson - Inner Urge (1966)
John Coltrane - Blue Train (1958)
Larry Young - Unity (1966)
Lee Morgan - Search For The New Land (1966)
McCoy Tyner - The Real McCoy (1967)
Norah Jones - Come Away With Me (2002)
US3 - Hand On The Touch (1993)
Wayne Shorter - Adam's Apple (1963)

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Guitarristas fazem tributos em seus novos discos

O veterano guitarrista George Benson está de volta ao trabalho. Em forma aos 76 anos, Benson retorna com um novo disco em tributo a dois "pais" do rock and roll: o guitarrista Chuck Berry e o pianista Fats Domino.

Em Walking to New Orleans, o Benson cantor aparece com mais eloquência, mas sua inconfundível guitarra está por toda parte e sempre precisa.

É sempre bom ver um gigante do jazz prestando reverência a dois gigantes do rock. Ao lado de Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Carl Perkins, Domino e Berry são responsáveis por tudo que viria a seguir e mudaria para sempre a história da música.

Diante de um legado desses, Benson não titubeou ao escolher clássicos de Berry como "Nadine (Is It You?)” “You Can’t Catch Me” “Havana Moon” “Memphis, Tennessee,” e “How You’ve Changed". Obviamente que outros temas, entre eles "Sweet Little Sixteen” e “Johnny B. Good", poderiam ter sido incluídos, mas Benson não quis ser tão óbvio assim.

A energia do disco continua com os temas de Fat Domino, entre eles “Rockin’ Chair,” “Ain’t That a Shame,” “I Hear You Knocking,”, “Blue Monday, além da faixa-título. Assim como os fãs de Berry, quem conhece a trajetória de Domino também sentirá falta de clássicos como "Blueberry Hill” e "“I’m Walkin". Mas a ausência não tira o mérito do disco.

O disco está muito bem servido com a guitarra de Benson, a bateria de Greg Morrow, o piano de Kevin McKendree e o baixo de Alison Prestwood. Além disso, um naipe de metais deixa tudo ainda mais rock and roll e faz o ouvinte ir direto para as décadas de 1950 e 1960. O disco pode ser ouvido na íntegra clicando aqui.

Outro guitarrista veterano que também presta tributo em seu novo álbum é Bobby Broom, Em Soul Fingers, Broom oferece um repertório mais eclético que Benson.

Ao lado de Kobie Watkins (bateria) e Ben Paterson (órgão), o músico traz seu dedilhado preciso e bem articulado em temas como “A Whiter Shade of Pale", do Procul Harum, "Do It Again,", do Steely Dan, "While My Guitar Gently Weeps", dos Beatles, entre outros.

Assim como outros guitarristas, Broom, de 58 anos, bebeu de várias fontes, entre elas Wes Montgomery e, é claro, do veterano George Benson. Seu fraseado limpo deixa temas como "I Can’t Help It”, de Stevie Wonder, e ""Summer Breeze", do Seals & Crofts, ainda mais interessantes e agradáveis de ouvir.

Mas isso para quem não tem preconceito com o jazz tocado com arranjos mais acessíveis. Além do trio, o disco também conta com o sax de Ron Blake e o trompete Chris Rogers.











quarta-feira, 15 de maio de 2019

Nostalgia traz Jazz 625 de volta à BBC

Dedicar um programa de TV ao jazz é uma iniciativa que sempre deve ser comemorada e exaltada.

É claro que fora do Brasil isso é mais comum, mas não deixa de ser também um pequeno gesto de resistência e amor à nobre arte da música criada lá no longínquo início do século XX.

Um dos programas mais cultuados pelos apreciadores de jazz é o britânico Jazz 625, que foi ao ar entre os anos de 1964-1966, produzido pela rede de TV estatal BBC.

Originalmente transmitido em preto e branco, o programa teve em seus 84 episódios nomes do quilate de Duke Ellington, Thelonious Monk, Modern Jazz Quartet, Bill Evans, Dizzy Gillespie, Dave Brubeck, Coleman Hawkins, Erroll Garner e Oscar Peterson. Coube a Duke Ellington e sua orquestra ser o protagonista da primeira edição, em 21 de abril de 1964.

O programa foi apresentado por Steve Race e Humphrey Lyttelton, em épocas diferentes, mas sempre com a missão de situar os telespectadores sobre o jazzista que participava do programa. Com entrevistas curtas, Race e Lyttelton tentavam deixar o convidado à vontade e criar uma ligação entre os músicos e a plateia presente no estúdio.

O nome "diferente" do programa faz referência a mudança de número de linhas de frequência da transmissão de TV que na época migrava de 405 para 625. O que na época foi chamada de TV de alta definição.

Atualmente, a BBC tem revisitado seus programas antigos e recriados alguns para mostrar ao seu público atual como eram os programas da emissora no passado. Para a alegria dos fãs de jazz, chegou a vez do Jazz 625.



O programa chamado Jazz 625 Live: For One Night Only foi ao ar no dia 3 de maio e trouxe como atração o saxofonista Joshua Redman, o cantor Gregory Porter, o saxofonista Jean Toussaint, a cantora Jacqui Dankworth, o pianista Robert Mitchell e o guitarrista Shirley Tetteh. Foi a primeira transmissão da BBC em preto e branco desde a década de 1970.


Duke Ellington e sua Orchestra no estúdio da BBC, em 1966 (Foto: Val Wilmer)

Quem também participa é a veterana cantora britânica Cleo Laine e o baterista Charlie Watts, do Rolling Stones, acompanhado do baixista Dave Green, o pianista John Pearce e do saxofonista Scott Hamilton. O programa traz o depoimento de Cleo, que participou da versão original do programa, e de outras pessoas envolvidas na atração na época.





segunda-feira, 6 de maio de 2019

Top 100 - Casas de Jazz

O site All About Jazz divulgou uma lista com as 100 melhores casas de jazz do planeta. O resultado é fruto da primeira pesquisa realizada pelo site. Cerca de 4 mil pessoas - todas cadastradas no site - participaram da enquete.

Apesar de sempre ser questionável se a pesquisa é uma fotografia do momento ou se ela realmente expressa a opinião da maioria dos leitores do site, a lista deve ser usada como um guia prático para encontrar locais para ouvir jazz, seja nos Estados Unidos, Europa ou Ásia.

Ao analisar a pesquisa, o que mais impressiona é o número de locais na capital russa, Moscou. Para quem mora no ocidente, as notícias que chegam da terra do onipresente Vladimir Putin são basicamente sobre o onipresente Vladimir Putin e sua eterna briga com os Estados Unidos.


Kozlov Club, em Moscou (Rússia), ficou no topo da lista da pesquisa

A Rússia aparece com quatro casas entre as 50 mais, entre ela Kozlov Club, que ficou com a primeira colocação no ranking geral, e JFC Jazz Club, que fica na bela São Petersburgo.

A capital mundial do jazz, Nova York, domina o Top 10, com três casas: Village Vanguard, Smalls Jazz Club e Blue Note. Ainda nos Estados Unidos, o Estado da Califórnia também aparece como um polo importante para quem gosta de ver jazz ao vivo.

Na liderança está o Piedmont Piano Company, em Oakland, seguido do Yoshi, também em Oakland, The Sequoia Room, em Fort Bragg, e SFJAZZ Center, em São Francisco.


Bop Stop, em Cleveland, Ohio, é o primeiro entre as casas dos EUA


Pela Europa, os tradicionais Vortex Jazz Club (Londres), Ronnie Scott's (Londres) e Bimhuis (Amsterdã) aparecem entre os 30 primeiros. Destaque também para o The Bear Club, em Luton, nos arredores da capital britânica, e Philly Joe's, em Tallinn, na Estônia, que alcançou a impressionante quarta colocação. Ainda no continente europeu, a pesquisa mostra casas de jazz na Alemanha, Irlanda e Suíça.


Philly Joe's, em Tallinn (Estônia), conquistou a quarta colocação


No site All About Jazz, você tem links para todas as casas listadas na pesquisa, além de poder pesquisar por cidade ou por país. Abaixo, você encontra o Top 50 geral, que inclui casas de todos os continentes, além dos Top 20 EUA e Top 20 Mundo. Para ver a relação completa, acesso o site oficial aqui

Infelizmente, a pesquisa acabou deixando de fora casas de show da América Latina, provavelmente por causa do público que participou da votação, na sua maioria americanos e europeus.

Vale lembrar que o Brasil, além dos seus tradicionais festivais de música, tem casas de jazz que não ficam devendo para nenhum palco fora do país. Só na capital paulista, por exemplo, há o Bourbon Street, Jazz aos Fundos e o Blue Note, que também tem uma filial na capital Fluminense.


Notorius, em Buenos Aires (Argentina), não foi lembrado na pesquisa


Na vizinha Buenos Aires, na Argentina, casas como o Notorius e o Thelonious Club também poderiam figurar tranquilamente entre os 50 mais desta pesquisa. Algumas casas importantes e ausentes na pesquisa são o Hot Clube de Portugal, na capital portuguesa Lisboa, o Bogui Jazz, na capital espanhola Madri, o Jamboree Jazz Club, na cidade espanhola de Barcelona, e o Quasimodo, na capital alemã Berlim.

Além da pesquisa do site All About Jazz, uma outra ótima fonte de pesquisa sobre locais para ouvir jazz espalhados pelo planeta é o guia anual da revista DownBeat. Clique aqui para ver a edição de 76 páginas publicadas no fim de 2018.

Top 50


Kozlov Club
Moscou, Rússia

Bop Stop
Cleveland, OH

Village Vanguard
Nova York, NY

Philly Joe's
Tallinn, Estônia

Piedmont Piano Company
Oakland, CA

Smalls Jazz Club
Nova York, NY

Vortex Jazz Club
Londres, Reino Unido

Yoshi's Oakland
Oakland, CA

Ronnie Scott's
Londres, Reino Unido

Blue Note Nova York
Nova York, NY

The Sequoia Room
Fort Bragg, CA

SFJAZZ Center
São Francisco, CA

An Die Musik Live
Baltimore, MD

Le Chat Noir De Salis
Miami, FL

Jazz Standard
Nova York, NY

Nighttown
Cleveland Heights, OH

Dizzy's Club Coca-Cola
Nova York, NY

@exuberance
Filadélfia, PA

JFC Jazz Club
São Petersburgo, Rússia

Jazz Corner
Hilton Head Island, SC

Fiesta Sunset Jazz
Santo Domingo, República Dominicana

Blues Alley
Washington, DC

The Bear Club
Luton, Reino Unido

Birdland
Nova York, NY

Blue Whale
Los Angeles, CA

Bimhuis
Amsterdã, Holanda

Esse
Moscou, Rússia

Smoke Jazz & Supper Club
Nova York, NY

Chris' Jazz Café
Filadélfia, PA

Dazzle Jazz Club
Denver, CO

BLU Jazz+
Akron, OH

The Sound Room
Oakland, CA

Mezzrow Jazz Club
New York, NY

Igor Butman Jazz Club
Moscou, Rússia

Sam First
Los Angeles, CA

Crooners Supper Club
Minneapolis, MN

Green Mill Cocktail Lounge
Chicago, IL

South Jazz Club
Filadélfia, PA

55 Bar
Nova York, NY

606 Club
Londres, Reino Unido

Catalina Bar & Grill
Hollywood, CA

California Jazz Conservatory
Berkeley, CA

Art Boutiki
San Jose, CA

Jazz Showcase
Chicago, IL

Iridium

Nova York, NY

Birdland Theater
Nova York, NY

Jazz Alley
Seattle, WA

PizzaExpress Jazz Club Soho
Londres, Reino Unido

Freight and Salvage Coffeehouse
Berkeley, CA

Kuumbwa Jazz Center
Santa Cruz, CA

Top 20 (fora dos EUA)


Kozlov Club
Moscou, Rússia

Philly Joe's
Tallinn, Estonia

Vortex Jazz Club
Londres, Reino Unido

Ronnie Scott's
Londres, Reino Unido

JFC Jazz Club
São Petersburgo

Fiesta Sunset Jazz
Santo Domingo, República Dominicana

The Bear Club
Luton, Reino Unido

Bimhuis
Amsterdã, Holanda

Esse
Moscou, Rússia

Igor Butman Jazz Club
Moscou, Rússia

606 Club
Londres, Reino Unido

PizzaExpress Jazz Club Soho
Londres, Reino Unido

Cafe OTO
Londres, Reino Unido

Duc Des Lombards
Paris, França

Porgy & Bess
Viena, Áustria

Umeå Jazzstudio
Umeå, Suécia

Blue Note Milan
Milão, Itália

Jazz Club Ferrara
Ferrara, Itália

Blue Note Tokyo
Tóquio, Japão

New Morning
Paris, França

Top 20 - EUA


Bop Stop
Cleveland, OH

Village Vanguard
Nova York, NY

Piedmont Piano Company
Oakland, CA

Smalls Jazz Club
Nova York, NY

Yoshi's Oakland
Oakland, CA

Blue Note New York
Nova York, NY

The Sequoia Room
Fort Bragg, CA

SFJAZZ Center
São Francisco, CA

An Die Musik Live
Baltimore, MD

Le Chat Noir De Salis
Miami, FL

Jazz Standard
Nova York, NY

Nighttown
Cleveland Heights, OH

Dizzy's Club Coca-Cola
NovaYork, NY

@exuberance
Filadélfia, PA

The Jazz Corner
Hilton Head Island, SC

1Blues Alley
Washington, DC

Birdland
Nova York, NY

Blue Whale
Los Angeles, CA

Smoke Jazz & Supper Club
Nova York, NY

Chris' Jazz Café
Filadélfia, PA









sexta-feira, 3 de maio de 2019

JJA Jazz Awards 2019 - os vencedores

O veterano Wayne Shorter (foto) foi o grande vencedor da 24ª edição do Jazz Journalists Association Jazz Awards, prêmio concedido pela Associação de Jornalistas de Jazz, composta por jornalistas de várias partes do planeta.

Shorter, de 85 anos, venceu nas categorias melhor Músico, Compositor e Grupo (quarteto formado por Shorter, John Patitucci, Brian Blade e Danilo Perez). Em 2018, Shorter lançou o disco triplo Emanon, e em fevereiro deste ano ganhou com este disco o Grammy de melhor álbum de jazz.

Outro prêmio cobiçado, o de Conjunto da Obra, que sempre destaca um músico com mais de 50 anos de carreira, ficou com o pianista Ahmad Jamal (foto abaixo), que completará 89 anos em 2019. No ano passado, o vitorioso nesta categoria foi o saxofonista Benny Golson, que completou 90 anos em 2019.

O disco do ano foi para o baterista Bobby Sanabria e sua Multiverse Big Band pelo disco West Side Story Reimagined. O álbum faz uma releitura do aclamado musical que estreou na Broadway em 1957, com música de Leonard Bernstein e letras de Stephen Sondheim. Na categoria melhor Álbum Histórico, o disco perdido de John Coltrane, Both Directions At Once: The Lost Album, ficou com o prêmio.

Nas categorias melhor Cantor e Cantora, pelo segundo ano consecutivo, Cécile McLorin Salvant e Kurt Elling ficaram com os prêmios, respectivamente.

A maior vencedora de todas as edições do prêmio, a arranjadora Maria Schneider, ganhou pelo oitavo ano consecutivo na categoria melhor arranjadora. Outro destaque é o prêmio de revelação, que desta vez ficou com a baixista da malásia Linda May Han Oh, que também levou o prêmio de baixista do ano.

Diferentemente de outras premiações, além dos músicos, também são premiados jornalistas e publicações relacionadas ao mundo do jazz. Entre os vencedores estão a revista DownBeat, o blog Do The Math e o livro Sophisticated Giant: The Life and Legacy of Dexter Gordon, escrito pela viúva do saxofonista Dexter Gordon, Maxine Gordon.

Para ver a relação de todos os vencedores deste ano, visite o site oficial do evento aqui. Você também pode conhecer todos os 23 vencedores na categoria melhor disco de jazz clicando aqui.

OS VENCEDORES:

Conjunto da Obra

Ahmad Jamal

Músico

Wayne Shorter

Revelação

Linda May Han Oh

Compositor

Wayne Shorter

Arranjador

Maria Schneider

Álbum

West Side Story Reimagined - Bobby Sanabria (Jazzheads)

Álbum Histórico

John Coltrane - Both Directions At Once: The Lost Album (Impulse/Verve)

Gravadora

ECM

Cantor

Kurt Elling

Cantora

Cécile McLorin Salvant

Big Band

Orrin Evans and the Captain Black Big Band

Grupo

Wayne Shorter Quartet

Trompetista

Ingrid Jensen

Trombonista

Wycliffe Gordon

Metais

Scott Robinson

Saxofone Alto

Miguel Zenón

Saxofone Tenor

Chris Potter

Saxofone Barítono

Gary Smulyan

Saxofone Soprano

Jane Ira Bloom

Flautista

Nicole Mitchell

Clarinetista

Anat Cohen

Guitarrista

Bill Frisell

Pianista

Kenny Barron

Tecladista

Dr. Lonnie Smith

Baixista

Linda May Han Oh

Violinista ou celista

Tomeka Reid

Percussionista

Pedrito Martinez

Vibrafonista

Joe Locke

Baterista

Brian Blade

Instrumentista não jazzista

Scott Robinson (vários)

Abaixo você encontra os seguintes vídeos:

Bobby Sanabria Multiverse Big Band - America
Linda May Han Oh - Mantis
Wayne Shorter - Lotus
Kurt Elling - Long As You're Living
Cécile McLorin Salvant - Mean To Me
John Coltrane - One Up, One Down
Ahmad Jamal - Autumn Leaves












terça-feira, 30 de abril de 2019

Dia Internacional do Jazz 2019

No dia 30 de abril de 2019, uma nova edição do International Jazz Day aconteceu. Desta vez, a cidade escolhida para acolher o evento foi Melbourne, na Austrália. A próxima edição acontecerá na Cidade do Cabo, na África do Sul, em 2020.

Pelo oitavo ano consecutivo, o lendário pianista Herbie Hancock foi o mestre de cerimônia, que contou com a participação de músicos de diversas nacionalidades.

Entre eles estão Cieavash Arian (Irã), William Barton (Austrália), Brian Blade (EUA), Igor Butman (Rússia), Joey DeFrancesco (EUA), Eli Degibri (Israel), Kurt Elling (EUA), Matthew Jodrell (Austrália), Ledisi (EUA), Jane Monheit (EUA), James Morrison (Austrália), Eijiro Nakagawa (Japão), Mark Nightingale (Inglaterra), Chico Pinheiro (Brasil), Tineke Postma (Holanda), Antonio Sánchez (México), Nathan Schreiber (Austrália), Somi (EUA), Lizz Wright (EUA) e Tarek Yamani (Líbano).


Hancock, Elling, Somi, Butman (sax), Morrison (trompete), Wright e Monheit

O violonista Chico Pinheiro foi o único representante brasileiro no evento. Ele tocou e cantou a música de sua autoria "Boca de Siri", do disco There's a Storm Inside, de 2010.

Ao seu lado, tocaram o pianista libanês Tarek Yamani, o baixista norte-americano Ben Williams, os bateristas mexicano Antonio Sánchez e o norte-americano Brian Blade e o saxofonista russo Igor Butman. Pinheiro também interpretou ao lado da cantora Jane Monheit a música "Águas de Março", de Tom Jobim

Nesta edição, as vozes ficaram a cargo de Jane Monheit, Lizz Wright, Kurt Elling, Ledisi e Somi. No fim do concerto, todos se juntaram no palco para interpretar a canção "Imagine", de John Lennon.

Além da noite de gala em Melbourne, transmitido ao vivo pela Internet, o Dia Internacional do Jazz também é celebrado em mais de 190 países. Músicos, promotores de eventos, professores, estudantes e fãs do jazz se mobilizam em várias parte do mundo com eventos de diferentes tamanhos e atrações.

Assista abaixo a íntegra do concerto:




Veja também os concertos de 2018 (São Petersburgo-Rússia), 2017 (Havana-Cuba), 2016 (Washington-EUA), 2015 (Paris-França), 2014 (Osaka-Japão) e 2012 (Paris-França)












terça-feira, 23 de abril de 2019

Marsalis traz o pioneiro Buddy Bolden ao cinema

O velho Wynton Marsalis continua sua jornada para levar o jazz tradicional às novas gerações.

Nascido no berço do jazz, em Nova Orleans, filho do pianista Ells Marsalis e diretor artístico do Jazz at Lincoln Center, desde 2004, o trompetista carrega dentro de si uma chama e a missão de nunca deixar o legado do jazz ser esquecido.

A nova empreitada é o lançamento do filme Bolden, que conta a história do cornetista nascido em Nova Orleans, em 1877, Charles "Buddy" Bolden, considerado um pioneiro do jazz.

Apesar de sua fama na cidade, Bolden não lançou discos durante sua breve vida. Ele morreu em 1931, aos 54 anos, em um asilo, em Louisiana, onde estava internado com problemas mentais desde 1907.

O filme retrata a infância de Bolden e sua ascensão na cidade símbolo do jazz. Mostra também as tensões raciais e o processo que levou o músico a ser internado.


O ator Gary Carr vive o músico Charles "Buddy" Bolden no filme Bolden

Marsalis é responsável pela trilha sonora, que tem como foco a jazz do início do século XX, época em que brilharam nomes com King Oliver, Jelly Roll Morton e Louis Armstrong.

Segundo Marsalis, além dele, todos os músicos, em especial os que viveram na mesma época que Bolden, foram diretamente influenciados por ele.

Para a trilha sonora, Marsalis escalou a orquestra do Jazz at Lincoln Center, liderada pelo trompetista, além da cantora Catherine Russell e do ator Reno Wilson (foto abaixo), que no filme faz o papel do trompetista Louis Armstrong.

O ator, que canta em várias faixas da trilha, impressiona pela caracterização e pela interpretação na pele de um dos mais importantes pilares da história do jazz.

O filme estrelado pelo ator Gary Carr e dirigido por Dan Pritzker estreia nos Estados Unidos no dia 3 de maio. No Brasil, ainda não há previsão.

Você pode ouvir a íntegra da trilha sonora clicando aqui





quarta-feira, 17 de abril de 2019

JJA Jazz Awards 2019 - Indicados

Anualmente a Jazz Journalists Association (Associação de Jornalistas de Jazz) faz uma votação para premiar os músicos que mais se destacaram no ano.

Entre os prêmios mais cobiçados estão o de Conjunto da Obra, que sempre destaca um músico com mais de 50 anos de carreira, Músico do ano e Disco do ano.

Os indicados para a 23° edição foram anunciados no mês de abril, e os vencedores serão conhecidos em maio.

Entre os músicos indicados deste ano estão a cantora Cécile McLorin Salvant (foto), com três indicações, o veterano saxofonista Wayne Shorter, com seis, e a arranjadora Maria Schneider, com três.

O percussionista Cyro Baptista, radicado nos Estados Unidos há três décadas, é o único brasileiro entre os indicados, na categoria melhor Percussionista.

Os concorrentes na categoria Músico do ano são a guitarrista Mary Halvorson, a cantora Cécile McLorin Salvant, o baixista Christian McBride e o saxofonista Wayne Shorter.

Os veteranos que concorrem ao prêmio de Conjunto da Obra são o baixista Ron Carter, os pianista Chick Corea, Ahmad Jamal e Harold Mabern e o saxofonista Pharoah Sanders (foto).

Na última edição do prêmio, o vitorioso nesta categoria foi o saxofonista Benny Golson, que completou 90 anos em 2019.

Diferentemente de outras premiações, além dos músicos, também são premiados jornalista e publicações relacionadas ao mundo do jazz. Entre os prêmios estão melhor revista, melhor blogue e o melhor livro.

Para ver a relação de todos os indicados deste ano, visite o site oficial do evento aqui. Você também pode conhecer todos os 22 vencedores na categoria melhor disco de jazz clicando aqui.

Ouça, no final da matéria, uma música de cada um dos seis discos indicados na categoria melhor álbum de jazz.

Conjunto da Obra

Ron Carter
Chick Corea
Ahmad Jamal
Harold Mabern
Pharoah Sanders

Músico

Mary Halvorson
Christian McBride
Cecil McLorin Salvant
Wayne Shorter

Revelação

James Brandon Lewis
Makaya McCraven
Linda May Han Oh
Joel Ross
Christian Sands

Compositor

Satoko Fujii
Myra Melford
Maria Schneider
Wadada Leo Smith
Wayne Shorter

Arranjador

Miho Hazama
Michael Leonhart
Jim McNeely
Maria Schneider

Álbum

Sonic Creed - Stefon Harris and Blackout (Blue Note)
Vanished Gardens - Charles Lloyd and the Marvels with Lucinda Williams (Blue Note)
Universal Beings - Makaya McCraven (International Anthem )
The Window - Cécile McLorin Salvant (Mack Avenue)
West Side Story Reimagined - Bobby Sanabria (Jazzheads)
Emanon - Wayne Shorter (Blue Note)

Álbum Histórico

John Coltrane - Both Directions At Once: The Lost Album (Impulse/Verve)
Miles Davis and John Coltrane, The Final Tour: The Bootleg Series, Vol. 6 (Columbia/Legacy),
Eric Dolphy – Musical Prophet (Resonance)

Gravadora

Blue Note
ECM
HighNote/Savant
Pi Recordings
Resonance
Sunnyside

Cantor

Kurt Elling
José James
Gregory Porter

Cantora

Cyrille Aimee
Jazzmeia Horn
Cécile McLorin Salvant

Big Band

Bobby Sanabria Multiverse Big Band
Darcy James Argue Secret Society
DIVA Jazz Orchestra
Jazz at Lincoln Center Orchestra
Maria Schneider Orchestra
Orrin Evans and the Captain Black Big Band

Grupo

Fred Hersch Trio
Charles Lloyd and the Marvels
Wayne Shorter Quartet
Thumbscrew

Trompetista

Ambrose Akinmusire
Terence Blanchard
Dave Douglas
Ingrid Jensen
Kirk Knuffke
Jeremy Pelt
Wadada Leo Smith

Trombonista

Michael Dease
Marshall Gilkes
Wycliffe Gordon
Steve Turre

Metais

Anthony Braxton
James Carter
Roscoe Mitchell
Scott Robinson
Steve Wilson

Saxofone Alto

Steve Coleman
Tia Fuller
Steve Wilson
Miguel Zenón

Saxofone Tenor

Chris Potter
Wayne Shorter
Mark Turner

Saxofone Barítono

Ronnie Cuber
Lisa Parrott
Scott Robinson
Lauren Sevian
Gary Smulyan

Saxofone Soprano

Jane Ira Bloom
Jane Bunnett
Dave Liebman
Wayne Shorter

Flautista

Jamie Baum
Andrea Brachfeld
Charles Lloyd
Nicole Mitchell

Clarinetista

Don Byron
Anat Cohen
Eddie Daniels
Ben Goldberg
Ken Peplowski

Guitarrista

Bill Frisell Mary Halvorson
Julian Lage
Miles Okazaki
John Scofield

Pianista

Kenny Barron
Fred Hersch
Myra Melford
Christian Sands
Craig Taborn

Tecladista

Chick Corea
Joey DeFrancesco
Herbie Hancock
Dr. Lonnie Smith

Baixista

Dave Holland
Christian McBride
Linda May Han Oh

Violinista

Regina Carter
Tomeka Reid
Jenny Scheinman

Percussionista

Cyro Baptista
Zakir Hussain
Pedrito Martinez

Vibrafonista

Stefan Harris
Joe Locke
Warren Wolf

Baterista

Brian Blade
Andrew Cyrille
Jack DeJohnette
Eric Harland
Roy Haynes
Antonio Sánchez

Instrumentista não jazzista

Greg Leisz (dobro, mandolin, lap steel and pedal steel )
Grégoire Maret(harmonica)
Hendrik Meurkens (harmonica)
Scott Robinson (vários)
Brandee Younger (harpa)