segunda-feira, 20 de maio de 2019

Guitarristas fazem tributos em seus novos discos

O veterano guitarrista George Benson está de volta ao trabalho. Em forma aos 76 anos, Benson retorna com um novo disco em tributo a dois "pais" do rock and roll: o guitarrista Chuck Berry e o pianista Fats Domino.

Em Walking to New Orleans, o Benson cantor aparece com mais eloquência, mas sua inconfundível guitarra está por toda parte e sempre precisa.

É sempre bom ver um gigante do jazz prestando reverência a dois gigantes do rock. Ao lado de Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Carl Perkins, Domino e Berry são responsáveis por tudo que viria a seguir e mudaria para sempre a história da música.

Diante de um legado desses, Benson não titubeou ao escolher clássicos de Berry como "Nadine (Is It You?)” “You Can’t Catch Me” “Havana Moon” “Memphis, Tennessee,” e “How You’ve Changed". Obviamente que outros temas, entre eles "Sweet Little Sixteen” e “Johnny B. Good" poderiam ter sido incluídos, mas Benson não quis ser tão óbvio assim.

A energia do disco continua com os temas de Fat Domino, entre eles “Rockin’ Chair,” “Ain’t That a Shame,” “I Hear You Knocking,”, “Blue Monday, além da faixa-título. Assim com os fãs de Berry, quem conhece a trajetória de Domino também sentirá falta de clássicos como "Blueberry Hill” e "“I’m Walkin". Mas a ausência não tira o mérito do disco.

O disco está muito bem servido com a guitarra de Benson, a bateria de Greg Morrow, o piano de Kevin McKendree e o baixo de Alison Prestwood. Além disso, um naipe de metais deixa tudo ainda mais rock and roll e faz o ouvinte ir direto para as décadas de 1950 e 1960. O disco pode ser ouvido na íntegra clicando aqui.

Outro guitarrista veterano que também presta tributo em seu novo álbum é Bobby Broom, Em Soul Fingers, Broom oferece um repertório mais eclético que Benson.

Ao lado de Kobie Watkins (bateria) e Ben Paterson (órgão), o músico traz seu dedilhado preciso e bem articulado em temas como “A Whiter Shade of Pale", do Procul Harum, "Do It Again,", do Steely Dan, "While My Guitar Gently Weeps", dos Beatles, entre outros.

Assim como outros guitarristas, Broom, de 58 anos, bebeu de várias fontes, entre elas Wes Montgomery e, é claro, do veterano George Benson. Seu fraseado limpo deixa temas como "I Can’t Help It”, de Stevie Wonder, e ""Summer Breeze", do Seals & Crofts, ainda mais interessantes e agradáveis de ouvir.

Mas isso para quem não tem preconceito com o jazz tocado com arranjos mais acessíveis. Além do trio, o disco também conta com o sax de Ron Blake e o trompete Chris Rogers.











quarta-feira, 15 de maio de 2019

Nostalgia traz Jazz 625 de volta à BBC

Dedicar um programa de TV ao jazz é uma iniciativa que sempre deve ser comemorada e exaltada.

É claro que fora do Brasil isso é mais comum, mas não deixa de ser também um pequeno gesto de resistência e amor à nobre arte da música criada lá no longínquo início do século XX.

Um dos programas mais cultuados pelos apreciadores de jazz é o britânico Jazz 625, que foi ao ar entre os anos de 1964-1966, produzido pela rede de TV estatal BBC.

Originalmente transmitido em preto e branco, o programa teve em seus 84 episódios nomes do quilate de Duke Ellington, Thelonious Monk, Modern Jazz Quartet, Bill Evans, Dizzy Gillespie, Dave Brubeck, Coleman Hawkins, Erroll Garner e Oscar Peterson. Coube a Duke Ellington e sua orquestra ser o protagonista da primeira edição, em 21 de abril de 1964.

O programa foi apresentado por Steve Race e Humphrey Lyttelton, em épocas diferentes, mas sempre com a missão de situar os telespectadores sobre o jazzista que participava do programa. Com entrevistas curtas, Race e Lyttelton tentavam deixar o convidado à vontade e criar uma ligação entre os músicos e a plateia presente no estúdio.

O nome "diferente" do programa faz referência a mudança de número de linhas de frequência da transmissão de TV que na época migrava de 405 para 625. O que na época foi chamada de TV de alta definição.

Atualmente, a BBC tem revisitado seus programas antigos e recriados alguns para mostrar ao seu público atual como eram os programas da emissora no passado. Para a alegria dos fãs de jazz, chegou a vez do Jazz 625.



O programa chamado Jazz 625 Live: For One Night Only foi ao ar no dia 3 de maio e trouxe como atração o saxofonista Joshua Redman, o cantor Gregory Porter, o saxofonista Jean Toussaint, a cantora Jacqui Dankworth, o pianista Robert Mitchell e o guitarrista Shirley Tetteh. Foi a primeira transmissão da BBC em preto e branco desde a década de 1970.


Duke Ellington e sua Orchestra no estúdio da BBC, em 1966 (Foto: Val Wilmer)

Quem também participa é a veterana cantora britânica Cleo Laine e o baterista Charlie Watts, do Rolling Stones, acompanhado do baixista Dave Green, o pianista John Pearce e do saxofonista Scott Hamilton. O programa traz o depoimento de Cleo, que participou da versão original do programa, e de outras pessoas envolvidas na atração na época.





segunda-feira, 6 de maio de 2019

Top 100 - Casas de Jazz

O site All About Jazz divulgou uma lista com as 100 melhores casas de jazz do planeta. O resultado é fruto da primeira pesquisa realizada pelo site. Cerca de 4 mil pessoas - todas cadastradas no site - participaram da enquete.

Apesar de sempre ser questionável se a pesquisa é uma fotografia do momento ou se ela realmente expressa a opinião da maioria dos leitores do site, a lista deve ser usada como um guia prático para encontrar locais para ouvir jazz, seja nos Estados Unidos, Europa ou Ásia.

Ao analisar a pesquisa, o que mais impressiona é o número de locais na capital russa, Moscou. Para quem mora no ocidente, as notícias que chegam da terra do onipresente Vladimir Putin são basicamente sobre o onipresente Vladimir Putin e sua eterna briga com os Estados Unidos.


Kozlov Club, em Moscou (Rússia), ficou no topo da lista da pesquisa

A Rússia aparece com quatro casas entre as 50 mais, entre ela Kozlov Club, que ficou com a primeira colocação no ranking geral, e JFC Jazz Club, que fica na bela São Petersburgo.

A capital mundial do jazz, Nova York, domina o Top 10, com três casas: Village Vanguard, Smalls Jazz Club e Blue Note. Ainda nos Estados Unidos, o Estado da Califórnia também aparece como um polo importante para quem gosta de ver jazz ao vivo.

Na liderança está o Piedmont Piano Company, em Oakland, seguido do Yoshi, também em Oakland, The Sequoia Room, em Fort Bragg, e SFJAZZ Center, em São Francisco.


Bop Stop, em Cleveland, Ohio, é o primeiro entre as casas dos EUA


Pela Europa, os tradicionais Vortex Jazz Club (Londres), Ronnie Scott's (Londres) e Bimhuis (Amsterdã) aparecem entre os 30 primeiros. Destaque também para o The Bear Club, em Luton, nos arredores da capital britânica, e Philly Joe's, em Tallinn, na Estônia, que alcançou a impressionante quarta colocação. Ainda no continente europeu, a pesquisa mostra casas de jazz na Alemanha, Irlanda e Suíça.


Philly Joe's, em Tallinn (Estônia), conquistou a quarta colocação


No site All About Jazz, você tem links para todas as casas listadas na pesquisa, além de poder pesquisar por cidade ou por país. Abaixo, você encontra o Top 50 geral, que inclui casas de todos os continentes, além dos Top 20 EUA e Top 20 Mundo. Para ver a relação completa, acesso o site oficial aqui

Infelizmente, a pesquisa acabou deixando de fora casas de show da América Latina, provavelmente por causa do público que participou da votação, na sua maioria americanos e europeus.

Vale lembrar que o Brasil, além dos seus tradicionais festivais de música, tem casas de jazz que não ficam devendo para nenhum palco fora do país. Só na capital paulista, por exemplo, há o Bourbon Street, Jazz aos Fundos e o Blue Note, que também tem uma filial na capital Fluminense.


Notorius, em Buenos Aires (Argentina), não foi lembrado na pesquisa


Na vizinha Buenos Aires, na Argentina, casas como o Notorius e o Thelonious Club também poderiam figurar tranquilamente entre os 50 mais desta pesquisa. Algumas casas importantes e ausentes na pesquisa são o Hot Clube de Portugal, na capital portuguesa Lisboa, o Bogui Jazz, na capital espanhola Madri, o Jamboree Jazz Club, na cidade espanhola de Barcelona, e o Quasimodo, na capital alemã Berlim.

Além da pesquisa do site All About Jazz, uma outra ótima fonte de pesquisa sobre locais para ouvir jazz espalhados pelo planeta é o guia anual da revista DownBeat. Clique aqui para ver a edição de 76 páginas publicadas no fim de 2018.

Top 50


Kozlov Club
Moscou, Rússia

Bop Stop
Cleveland, OH

Village Vanguard
Nova York, NY

Philly Joe's
Tallinn, Estônia

Piedmont Piano Company
Oakland, CA

Smalls Jazz Club
Nova York, NY

Vortex Jazz Club
Londres, Reino Unido

Yoshi's Oakland
Oakland, CA

Ronnie Scott's
Londres, Reino Unido

Blue Note Nova York
Nova York, NY

The Sequoia Room
Fort Bragg, CA

SFJAZZ Center
São Francisco, CA

An Die Musik Live
Baltimore, MD

Le Chat Noir De Salis
Miami, FL

Jazz Standard
Nova York, NY

Nighttown
Cleveland Heights, OH

Dizzy's Club Coca-Cola
Nova York, NY

@exuberance
Filadélfia, PA

JFC Jazz Club
São Petersburgo, Rússia

Jazz Corner
Hilton Head Island, SC

Fiesta Sunset Jazz
Santo Domingo, República Dominicana

Blues Alley
Washington, DC

The Bear Club
Luton, Reino Unido

Birdland
Nova York, NY

Blue Whale
Los Angeles, CA

Bimhuis
Amsterdã, Holanda

Esse
Moscou, Rússia

Smoke Jazz & Supper Club
Nova York, NY

Chris' Jazz Café
Filadélfia, PA

Dazzle Jazz Club
Denver, CO

BLU Jazz+
Akron, OH

The Sound Room
Oakland, CA

Mezzrow Jazz Club
New York, NY

Igor Butman Jazz Club
Moscou, Rússia

Sam First
Los Angeles, CA

Crooners Supper Club
Minneapolis, MN

Green Mill Cocktail Lounge
Chicago, IL

South Jazz Club
Filadélfia, PA

55 Bar
Nova York, NY

606 Club
Londres, Reino Unido

Catalina Bar & Grill
Hollywood, CA

California Jazz Conservatory
Berkeley, CA

Art Boutiki
San Jose, CA

Jazz Showcase
Chicago, IL

Iridium

Nova York, NY

Birdland Theater
Nova York, NY

Jazz Alley
Seattle, WA

PizzaExpress Jazz Club Soho
Londres, Reino Unido

Freight and Salvage Coffeehouse
Berkeley, CA

Kuumbwa Jazz Center
Santa Cruz, CA

Top 20 (fora dos EUA)


Kozlov Club
Moscou, Rússia

Philly Joe's
Tallinn, Estonia

Vortex Jazz Club
Londres, Reino Unido

Ronnie Scott's
Londres, Reino Unido

JFC Jazz Club
São Petersburgo

Fiesta Sunset Jazz
Santo Domingo, República Dominicana

The Bear Club
Luton, Reino Unido

Bimhuis
Amsterdã, Holanda

Esse
Moscou, Rússia

Igor Butman Jazz Club
Moscou, Rússia

606 Club
Londres, Reino Unido

PizzaExpress Jazz Club Soho
Londres, Reino Unido

Cafe OTO
Londres, Reino Unido

Duc Des Lombards
Paris, França

Porgy & Bess
Viena, Áustria

Umeå Jazzstudio
Umeå, Suécia

Blue Note Milan
Milão, Itália

Jazz Club Ferrara
Ferrara, Itália

Blue Note Tokyo
Tóquio, Japão

New Morning
Paris, França

Top 20 - EUA


Bop Stop
Cleveland, OH

Village Vanguard
Nova York, NY

Piedmont Piano Company
Oakland, CA

Smalls Jazz Club
Nova York, NY

Yoshi's Oakland
Oakland, CA

Blue Note New York
Nova York, NY

The Sequoia Room
Fort Bragg, CA

SFJAZZ Center
São Francisco, CA

An Die Musik Live
Baltimore, MD

Le Chat Noir De Salis
Miami, FL

Jazz Standard
Nova York, NY

Nighttown
Cleveland Heights, OH

Dizzy's Club Coca-Cola
NovaYork, NY

@exuberance
Filadélfia, PA

The Jazz Corner
Hilton Head Island, SC

1Blues Alley
Washington, DC

Birdland
Nova York, NY

Blue Whale
Los Angeles, CA

Smoke Jazz & Supper Club
Nova York, NY

Chris' Jazz Café
Filadélfia, PA









sexta-feira, 3 de maio de 2019

JJA Jazz Awards 2019 - os vencedores

O veterano Wayne Shorter (foto) foi o grande vencedor da 24ª edição do Jazz Journalists Association Jazz Awards, prêmio concedido pela Associação de Jornalistas de Jazz, composta por jornalistas de várias partes do planeta.

Shorter, de 85 anos, venceu nas categorias melhor Músico, Compositor e Grupo (quarteto formado por Shorter, John Patitucci, Brian Blade e Danilo Perez). Em 2018, Shorter lançou o disco triplo Emanon, e em fevereiro deste ano ganhou com este disco o Grammy de melhor álbum de jazz.

Outro prêmio cobiçado, o de Conjunto da Obra, que sempre destaca um músico com mais de 50 anos de carreira, ficou com o pianista Ahmad Jamal (foto abaixo), que completará 89 anos em 2019. No ano passado, o vitorioso nesta categoria foi o saxofonista Benny Golson, que completou 90 anos em 2019.

O disco do ano foi para o baterista Bobby Sanabria e sua Multiverse Big Band pelo disco West Side Story Reimagined. O álbum faz uma releitura do aclamado musical que estreou na Broadway em 1957, com música de Leonard Bernstein e letras de Stephen Sondheim. Na categoria melhor Álbum Histórico, o disco perdido de John Coltrane, Both Directions At Once: The Lost Album, ficou com o prêmio.

Nas categorias melhor Cantor e Cantora, pelo segundo ano consecutivo, Cécile McLorin Salvant e Kurt Elling ficaram com os prêmios, respectivamente.

A maior vencedora de todas as edições do prêmio, a arranjadora Maria Schneider, ganhou pelo oitavo ano consecutivo na categoria melhor arranjadora. Outro destaque é o prêmio de revelação, que desta vez ficou com a baixista da malásia Linda May Han Oh, que também levou o prêmio de baixista do ano.

Diferentemente de outras premiações, além dos músicos, também são premiados jornalistas e publicações relacionadas ao mundo do jazz. Entre os vencedores estão a revista DownBeat, o blog Do The Math e o livro Sophisticated Giant: The Life and Legacy of Dexter Gordon, escrito pela viúva do saxofonista Dexter Gordon, Maxine Gordon.

Para ver a relação de todos os vencedores deste ano, visite o site oficial do evento aqui. Você também pode conhecer todos os 23 vencedores na categoria melhor disco de jazz clicando aqui.

OS VENCEDORES:

Conjunto da Obra

Ahmad Jamal

Músico

Wayne Shorter

Revelação

Linda May Han Oh

Compositor

Wayne Shorter

Arranjador

Maria Schneider

Álbum

West Side Story Reimagined - Bobby Sanabria (Jazzheads)

Álbum Histórico

John Coltrane - Both Directions At Once: The Lost Album (Impulse/Verve)

Gravadora

ECM

Cantor

Kurt Elling

Cantora

Cécile McLorin Salvant

Big Band

Orrin Evans and the Captain Black Big Band

Grupo

Wayne Shorter Quartet

Trompetista

Ingrid Jensen

Trombonista

Wycliffe Gordon

Metais

Scott Robinson

Saxofone Alto

Miguel Zenón

Saxofone Tenor

Chris Potter

Saxofone Barítono

Gary Smulyan

Saxofone Soprano

Jane Ira Bloom

Flautista

Nicole Mitchell

Clarinetista

Anat Cohen

Guitarrista

Bill Frisell

Pianista

Kenny Barron

Tecladista

Dr. Lonnie Smith

Baixista

Linda May Han Oh

Violinista ou celista

Tomeka Reid

Percussionista

Pedrito Martinez

Vibrafonista

Joe Locke

Baterista

Brian Blade

Instrumentista não jazzista

Scott Robinson (vários)

Abaixo você encontra os seguintes vídeos:

Bobby Sanabria Multiverse Big Band - America
Linda May Han Oh - Mantis
Wayne Shorter - Lotus
Kurt Elling - Long As You're Living
Cécile McLorin Salvant - Mean To Me
John Coltrane - One Up, One Down
Ahmad Jamal - Autumn Leaves












terça-feira, 30 de abril de 2019

Dia Internacional do Jazz 2019

No dia 30 de abril de 2019, uma nova edição do International Jazz Day aconteceu. Desta vez, a cidade escolhida para acolher o evento foi Melbourne, na Austrália. A próxima edição acontecerá na Cidade do Cabo, na África do Sul, em 2020.

Pelo oitavo ano consecutivo, o lendário pianista Herbie Hancock foi o mestre de cerimônia, que contou com a participação de músicos de diversas nacionalidades.

Entre eles estão Cieavash Arian (Irã), William Barton (Austrália), Brian Blade (EUA), Igor Butman (Rússia), Joey DeFrancesco (EUA), Eli Degibri (Israel), Kurt Elling (EUA), Matthew Jodrell (Austrália), Ledisi (EUA), Jane Monheit (EUA), James Morrison (Austrália), Eijiro Nakagawa (Japão), Mark Nightingale (Inglaterra), Chico Pinheiro (Brasil), Tineke Postma (Holanda), Antonio Sánchez (México), Nathan Schreiber (Austrália), Somi (EUA), Lizz Wright (EUA) e Tarek Yamani (Líbano).


Hancock, Elling, Somi, Butman (sax), Morrison (trompete), Wright e Monheit

O violonista Chico Pinheiro foi o único representante brasileiro no evento. Ele tocou e cantou a música de sua autoria "Boca de Siri", do disco There's a Storm Inside, de 2010.

Ao seu lado, tocaram o pianista libanês Tarek Yamani, o baixista norte-americano Ben Williams, os bateristas mexicano Antonio Sánchez e o norte-americano Brian Blade e o saxofonista russo Igor Butman. Pinheiro também interpretou ao lado da cantora Jane Monheit a música "Águas de Março", de Tom Jobim

Nesta edição, as vozes ficaram a cargo de Jane Monheit, Lizz Wright, Kurt Elling, Ledisi e Somi. No fim do concerto, todos se juntaram no palco para interpretar a canção "Imagine", de John Lennon.

Além da noite de gala em Melbourne, transmitido ao vivo pela Internet, o Dia Internacional do Jazz também é celebrado em mais de 190 países. Músicos, promotores de eventos, professores, estudantes e fãs do jazz se mobilizam em várias parte do mundo com eventos de diferentes tamanhos e atrações.

Assista abaixo a íntegra do concerto:




Veja também os concertos de 2018 (São Petersburgo-Rússia), 2017 (Havana-Cuba), 2016 (Washington-EUA), 2015 (Paris-França), 2014 (Osaka-Japão) e 2012 (Paris-França)












terça-feira, 23 de abril de 2019

Marsalis traz o pioneiro Buddy Bolden ao cinema

O velho Wynton Marsalis continua sua jornada para levar o jazz tradicional às novas gerações.

Nascido no berço do jazz, em Nova Orleans, filho do pianista Ells Marsalis e diretor artístico do Jazz at Lincoln Center, desde 2004, o trompetista carrega dentro de si uma chama e a missão de nunca deixar o legado do jazz ser esquecido.

A nova empreitada é o lançamento do filme Bolden, que conta a história do cornetista nascido em Nova Orleans, em 1877, Charles "Buddy" Bolden, considerado um pioneiro do jazz.

Apesar de sua fama na cidade, Bolden não lançou discos durante sua breve vida. Ele morreu em 1931, aos 54 anos, em um asilo, em Louisiana, onde estava internado com problemas mentais desde 1907.

O filme retrata a infância de Bolden e sua ascensão na cidade símbolo do jazz. Mostra também as tensões raciais e o processo que levou o músico a ser internado.


O ator Gary Carr vive o músico Charles "Buddy" Bolden no filme Bolden

Marsalis é responsável pela trilha sonora, que tem como foco a jazz do início do século XX, época em que brilharam nomes com King Oliver, Jelly Roll Morton e Louis Armstrong.

Segundo Marsalis, além dele, todos os músicos, em especial os que viveram na mesma época que Bolden, foram diretamente influenciados por ele.

Para a trilha sonora, Marsalis escalou a orquestra do Jazz at Lincoln Center, liderada pelo trompetista, além da cantora Catherine Russell e do ator Reno Wilson (foto abaixo), que no filme faz o papel do trompetista Louis Armstrong.

O ator, que canta em várias faixas da trilha, impressiona pela caracterização e pela interpretação na pele de um dos mais importantes pilares da história do jazz.

O filme estrelado pelo ator Gary Carr e dirigido por Dan Pritzker estreia nos Estados Unidos no dia 3 de maio. No Brasil, ainda não há previsão.

Você pode ouvir a íntegra da trilha sonora clicando aqui





quarta-feira, 17 de abril de 2019

JJA Jazz Awards 2019 - Indicados

Anualmente a Jazz Journalists Association (Associação de Jornalistas de Jazz) faz uma votação para premiar os músicos que mais se destacaram no ano.

Entre os prêmios mais cobiçados estão o de Conjunto da Obra, que sempre destaca um músico com mais de 50 anos de carreira, Músico do ano e Disco do ano.

Os indicados para a 23° edição foram anunciados no mês de abril, e os vencedores serão conhecidos em maio.

Entre os músicos indicados deste ano estão a cantora Cécile McLorin Salvant (foto), com três indicações, o veterano saxofonista Wayne Shorter, com seis, e a arranjadora Maria Schneider, com três.

O percussionista Cyro Baptista, radicado nos Estados Unidos há três décadas, é o único brasileiro entre os indicados, na categoria melhor Percussionista.

Os concorrentes na categoria Músico do ano são a guitarrista Mary Halvorson, a cantora Cécile McLorin Salvant, o baixista Christian McBride e o saxofonista Wayne Shorter.

Os veteranos que concorrem ao prêmio de Conjunto da Obra são o baixista Ron Carter, os pianista Chick Corea, Ahmad Jamal e Harold Mabern e o saxofonista Pharoah Sanders (foto).

Na última edição do prêmio, o vitorioso nesta categoria foi o saxofonista Benny Golson, que completou 90 anos em 2019.

Diferentemente de outras premiações, além dos músicos, também são premiados jornalista e publicações relacionadas ao mundo do jazz. Entre os prêmios estão melhor revista, melhor blogue e o melhor livro.

Para ver a relação de todos os indicados deste ano, visite o site oficial do evento aqui. Você também pode conhecer todos os 22 vencedores na categoria melhor disco de jazz clicando aqui.

Ouça, no final da matéria, uma música de cada um dos seis discos indicados na categoria melhor álbum de jazz.

Conjunto da Obra

Ron Carter
Chick Corea
Ahmad Jamal
Harold Mabern
Pharoah Sanders

Músico

Mary Halvorson
Christian McBride
Cecil McLorin Salvant
Wayne Shorter

Revelação

James Brandon Lewis
Makaya McCraven
Linda May Han Oh
Joel Ross
Christian Sands

Compositor

Satoko Fujii
Myra Melford
Maria Schneider
Wadada Leo Smith
Wayne Shorter

Arranjador

Miho Hazama
Michael Leonhart
Jim McNeely
Maria Schneider

Álbum

Sonic Creed - Stefon Harris and Blackout (Blue Note)
Vanished Gardens - Charles Lloyd and the Marvels with Lucinda Williams (Blue Note)
Universal Beings - Makaya McCraven (International Anthem )
The Window - Cécile McLorin Salvant (Mack Avenue)
West Side Story Reimagined - Bobby Sanabria (Jazzheads)
Emanon - Wayne Shorter (Blue Note)

Álbum Histórico

John Coltrane - Both Directions At Once: The Lost Album (Impulse/Verve)
Miles Davis and John Coltrane, The Final Tour: The Bootleg Series, Vol. 6 (Columbia/Legacy),
Eric Dolphy – Musical Prophet (Resonance)

Gravadora

Blue Note
ECM
HighNote/Savant
Pi Recordings
Resonance
Sunnyside

Cantor

Kurt Elling
José James
Gregory Porter

Cantora

Cyrille Aimee
Jazzmeia Horn
Cécile McLorin Salvant

Big Band

Bobby Sanabria Multiverse Big Band
Darcy James Argue Secret Society
DIVA Jazz Orchestra
Jazz at Lincoln Center Orchestra
Maria Schneider Orchestra
Orrin Evans and the Captain Black Big Band

Grupo

Fred Hersch Trio
Charles Lloyd and the Marvels
Wayne Shorter Quartet
Thumbscrew

Trompetista

Ambrose Akinmusire
Terence Blanchard
Dave Douglas
Ingrid Jensen
Kirk Knuffke
Jeremy Pelt
Wadada Leo Smith

Trombonista

Michael Dease
Marshall Gilkes
Wycliffe Gordon
Steve Turre

Metais

Anthony Braxton
James Carter
Roscoe Mitchell
Scott Robinson
Steve Wilson

Saxofone Alto

Steve Coleman
Tia Fuller
Steve Wilson
Miguel Zenón

Saxofone Tenor

Chris Potter
Wayne Shorter
Mark Turner

Saxofone Barítono

Ronnie Cuber
Lisa Parrott
Scott Robinson
Lauren Sevian
Gary Smulyan

Saxofone Soprano

Jane Ira Bloom
Jane Bunnett
Dave Liebman
Wayne Shorter

Flautista

Jamie Baum
Andrea Brachfeld
Charles Lloyd
Nicole Mitchell

Clarinetista

Don Byron
Anat Cohen
Eddie Daniels
Ben Goldberg
Ken Peplowski

Guitarrista

Bill Frisell Mary Halvorson
Julian Lage
Miles Okazaki
John Scofield

Pianista

Kenny Barron
Fred Hersch
Myra Melford
Christian Sands
Craig Taborn

Tecladista

Chick Corea
Joey DeFrancesco
Herbie Hancock
Dr. Lonnie Smith

Baixista

Dave Holland
Christian McBride
Linda May Han Oh

Violinista

Regina Carter
Tomeka Reid
Jenny Scheinman

Percussionista

Cyro Baptista
Zakir Hussain
Pedrito Martinez

Vibrafonista

Stefan Harris
Joe Locke
Warren Wolf

Baterista

Brian Blade
Andrew Cyrille
Jack DeJohnette
Eric Harland
Roy Haynes
Antonio Sánchez

Instrumentista não jazzista

Greg Leisz (dobro, mandolin, lap steel and pedal steel )
Grégoire Maret(harmonica)
Hendrik Meurkens (harmonica)
Scott Robinson (vários)
Brandee Younger (harpa)












sexta-feira, 12 de abril de 2019

Herbie Hancock, o camaleão do jazz

Quem diria que aquele menino franzino, nascido em Chicago, Illinois (EUA), em 1940, se tornaria um dos mais influentes e talentosos jazzistas do século XX.

Herbie Hanconk, nascido em 12 de abril, lançou seu primeiro disco há 57 anos, quando tinha 22 anos de idade.

Takin' Off (62) trazia o jovem pianista acompanhado por Freddie Hubbard (trompete), Dexter Gordon (sax), Butch Warren (baixo) e Billy Higgins (bateria). No repertório estava a música que marcaria para sempre sua carreira, "Watermelon Man".

O disco foi o cartão de visita que levaria Hancock a ser convidado por Miles Davis para fazer parte de seu novo quinteto, Além de Hancock, o grupo tinha Wayne Shorter (sax), Ron Carter (baixo) e Tony Williams (bateria). Hancock tocou com Miles entre 64 e 68. Entre os disco lançados neste período estão E.S.P., Miles Smiles, Sorcerer, Nefertiti e Miles in the Sky.

Outro álbum desta época é Live At The Plugged Nickel (1965), registro de duas noites do quinteto na casa Plugged Nickel, em Chicago. Em 1995, uma caixa com oito CDs foi lançada com as duas apresentações na íntegra.

Depois de deixar Miles, Hancock começou a mergulhar no universo do jazz fusion e do jazz funk, mistura de rock e funk com o jazz. Nesta época, lançou um novo grupo, The Headhunters.

O disco de estreia, de 1973, traz o tema "Chameleon", que se torna um dos maiores êxitos de toda carreira do pianista. É um dos disco de jazz mais vendidos de toda a história, ao lado de Kind of Blue (Miles Davis), Time Out (Dave Brubeck) e Breezin (George Benson).

Durante toda a década de 1970, Hancock manteve essa pegada funk, tocando piano e o órgão Fender Rhodes.

No fim desta década, Hancock criou o supergrupo V.S.O.P. (foto ao lado), que tinha a mesma formação do quinteto de Miles (Hancock, Wiliams, Shorter e Carter), mas com o trompetista Freddie Hubbard tocando trompete "no lugar" de Miles.

O grupo traz o jazz tradicional, mas com uma pitada mais moderna. Hancock também foi responsável pela ascensão dos irmãos Wynton e Branford Marsalis, ambos com 21 e 22 anos, respectivamente. A duplo entrou no lugar de Hubbard.


Hancock na década de 1970 com seus sintetizadores

A década de 1980 foi decisiva para Hancock se tornar um músico universal. Sua incursão ao hip hip, no disco Futero Shock (1983), com o hit "Rockit" trazia o músico comandando sintetizadores, que na época eram uma novidade. O impacto da músico cresceu com a produção de um vídeo clipe inovador, que ficou com cinco prêmios no MTV Video Music Awards, em 1984. O disco também deu a Hancock o primeiro Grammy de sua carreira.

Ouça no player a seguir o podcast Jazzy especial sobre o pianista:


Em 1987, Hancock ficou com o Oscar de melhor trilha sonora pelo filme Por Volta da Meia-Noite, estrelado pelo saxofonista Dexter Gordon. Na década de 1990, Hancock voltou a tocar o jazz tradicional. O resultado foram belos discos, como A Tribute to Miles Davis (1992), The New Standard (1996), 1 & 1 (com Wayne Shorter) (1997) e Gershwin's World (1998), e mais quatro Grammy para a sua coleção de 14 Grammys.

Ainda durante os anos 90, Hancock alcançou as paradas com a música "Cantaloop (Flip Fantasia)", lançada pelo grupo britânico US3. O tema original foi composto por Hancock, em 1964, e lançado no disco Empyrean Isles. O US3 usou a base da música do pianista para fazer uma mistura deliciosa entre jazz, funk e hip hop. O disco Hand On the Torch, do US3, é considerado o ponta pé inicial do movimento acid jazz, que marcou a década de 1990.

Nos últimos anos, Hancock tem mantido sua rotina de shows nos principais festivais de jazz nos Estados Unidos e na Europa. Também investiu em álbuns mais populares, com a participação de artistas ligados ao mundo do rock e do pop.

É o caso dos discos Possibilities (Christina Aguilera, John Mayer e Sting) (2005), River: The Joni Letters (Norah Jones, TIna Turner, Luciana Souza) (2007) e The Imagine Project (Pink, Ceu, Juanes, Dave Matthews) (2010).

O disco em tributo a cantora Joni Mitchell (foto acima) ficou com os prêmios Grammy de melhor disco de jazz contemporâneo e o principal prêmio de todos, o de disco do ano, em 2007.

Em 2013, o pianista foi homenageado com o prêmio Kennedy Center Honors, uma honraria oferecida pelo governo dos Estados Unidos a artistas (músicos, cineastas, bailarinos etc) com uma trajetória artística relevante para a sociedade. Antes de Hancock, músicos como Dave Brubeck, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra e Dizzy Gillespie também foram agraciados com o mesmo prêmio.

Atualmente, Hancock é embaixador da boa vontade da UNESCO e o principal idealizador do Dia Internacional do Jazz, que é comemorado anualmente, desde 2013, no dia 30 de abril.

Em 2019, a cidade escolhida para ser sede do evento é Melbourne, na Austrália. Entre os músicos convidados estão Dee Dee Brigewater, Kurt Elling, Eijiro Nakagawa, Antonio Sánchez e o violonista brasileiro Chico Pinheiro.











terça-feira, 2 de abril de 2019

Branford e Joshua voltam ao formato de quarteto

Eles foram considerados prodígios quando apareceram no fim da década de 1980 e no início da década de 1990. O instrumento escolhido por ambos, coincidentemente, foi o saxofone.

Seus sobrenomes não foram decisivos para suas carreiras, mas ainda hoje carregam em seus DNAs este legado, algo que sempre se orgulharam, mas nunca ofuscaram o talento que exibem há mais de duas décadas.

Branford Marsalis e Joshua Redman têm trajetórias bem distintas quando se trata da estrada que cada um resolveu trilhar, mas a herança musical é inegável em suas carreiras. Redman é filho do saxofonista Dewey Redman (1931-2006) e Marsalis é o filho mais velho do pianista Ellis Marsalis (1934) e irmão do trompetista Wynton Marsalis.

No decorrer das décadas, os dois se mostraram inquietos e muito criativos. E agora, que ambos passaram dos 50 (Redman completou em fevereiro e Marsalis tem 58), isso se mantém e pode ser comprovado em seus novos discos, ambos no formato de quarteto (sax-piano-baixo-bateria): The Secret Between the Shadow and the Soul (Marsalis) e Come What May (Redman).

Após 20 anos sem gravarem juntos - os discos anteriores são Beyond (2000) Passage of Time (2001) -, Redman reuniu seu quarteto, formado por Aaron Goldberg (piano), Reuben Rogers (baixo) e Gregory Hutchinson (bateria), e fez mais um belo disco autoral, com temas que são facilmente assimilados pelo ouvinte.

As delicadas "Vast" e a faíxa-título são melodias que parecem se moldar ao ambiente onde são executadas. Em "I'll Go Mine", a bateria sincopada dá o ritmo para os solos rápidos e elegantes de Redman.

A conversa franca entre Redman e Goldberg aparece com força em "Sagger Bear" e "Circle Of Life". Mesmo sem gravarem com frequência, Goldberg é sempre escalado por Redman para acompanhá-lo em suas turnês, criando assim uma afinidade musical que só as convivência pode proporcionar.

A relação de Marsalis com seu quarteto é muito similar a de Redman. O pianista Joey Calderazzo e o baixista Eric Revis acompanham o saxofonista há duas décadas. O novato, o baterista Justin Faulkner, desde 2009. O quarteto tem um som conciso e muito bem executado. As viagens musicais de Marsalis são bem menos palatáveis aos ouvidos de ouvinte não iniciado em comparação a Redman.


Gregory Hutchinson, Aaron Goldberg, Joshua Redman e Ruben Rogers

Logo de saída, "Dance of the Evil Toys", composta por Revis, é uma porrada de quase nove minutos que deixa claro a inquietação do quarteto. Depois aparece a delicada melodia "Conversation Among the Ruins", de Calderazzo, com Marsalis fazendo papel de coadjuvante.

O pianista também é responsável pelo tema "Cianna", com Calderazzo e Marsalis em perfeita sintonia. Em "Snake Hip Waltz", composta pelo pianista Andrew Hill, o quarteto mostra como deve ser a "conversa" entre quatro músicos de jazz. Seus instrumentos se completam, criando um belo arranjo para a obra do inquieto Hill.


Branford Marsalis, Justin Faulkner, Eric Revis e Joey Calderazzo

O disco fecha com "The Windup", de keith Jarrett. Mais uma vez, o jazz pesado toma conta do ambiente e espalha por todos os cantos as frases nervosas que saem do saxofone de Marsalis. Destaque também para a bateria de Faulkner, que parece um trem desgovernado, mas conduzido com maestria pelo maquinista Faulkner.

Outro disco de quarteto, também com saxofone, que merece ser escutado é Everybody Gets the Blues, do pianista Eric Reed, lançado pelo selo Smoke Sessions. Ao lado de Tim Green (sax), McClenty Hunter (bateria) e Mike Gurrola (baixo), Reed traz versões de temas compostos por Cedar Walton, Stevie Wonder, The Beatles, John Coltrane e Freddie Hubbard, tudo com uma pitada de gospel e blues.

Ouça:
"Snake Hip Waltz" e "Cianna", de Marsalis
"How We Do" e "Circle of Life", de Redman:








sexta-feira, 29 de março de 2019

Toca Raul de Souza

Seis décadas de carreira, 84 anos de idade, criador do instrumento Souzabone (trombone em dó com quatro pistões), parceiro dos principais instrumentistas do Brasil, reconhecido mundialmente e aclamado como o maior trombonista do planeta.

A ficha corrida de João José Pereira de Souza, mais conhecido como Raul de Souza, ainda inclui parcerias com Freddie Hubbard, George Duke, Sarah Vaughan, Sonny Rollins, Cal Tjader, Freddie Hubbard e Kenny Clarke.

Raul tem uma sonoridade muito particular, que mistura samba, gafieira, funk e jazz. O som de seu instrumento, um trombone meio baixo, mais usado em orquestras, é referência em diversas partes do mundo. A prova disso é a inclusão do disco Colours, de 1975, como material didático na conceituada escola de música Berklee College, de Boston, nos Estados Unidos.

Na cronologia de sua carreira também constam trabalhos com Pixinguinha e Agostinho dos Santos, além de participar do que ficou conhecido como o primeiro disco de música instrumental brasileira, em 1955, ao lado do acordeonista Sivuca, do violonista Baden Powell e do flautista Altamiro Carrilho.

A carreira internacional do trombonista começou em 1964, época em que tocava na banda de Sergio Mendes. Raul participou do antológico disco de Mendes chamado Sergio Mendes & Bossa Rio - Você Ainda Não Ouviu Nada. Na ocasião, Mendes era o músico brasileiro com mais visibilidade nos Estados Unidos.

O talento de Souza não passou desapercebido. Logo em seguida, foi convidado para excursionar no exterior com a cantora Flora Purim e o percussionista Airto Moreira. Depois, mergulhou no universo do jazz funk - época na qual reinou a gravadora CTI - ao lado do produtor e pianista norte-americano George Duke. O resultado foi o disco Sweet Lucy (foto acima) , de 1977.

Diante da repercussão de seus discos e apresentações no exterior, Raul passou os últimos 40 anos morando longe do Brasil, mais especificamente nos Estados Unidos (Los Angeles) e depois na França (Paris).

Felizmente, Raul continuou se apresentado no Brasil e gravando com músicos de várias gerações, como o gaitista Gabriel Grossi, João Donato (foto ao lado) e Robertinho Silva.

Com Grossi, lançou o disco Brazilian Samba Jazz, de 2015, e com Donato e Silva o álbum Bossa Eterna, de 2008, quando foi festejado os 50 anos do nascimento da Bossa Nova.

O último álbum, Blue Voyage, foi gravado na França. Ao lado de Raul estão Glauco Solter (baixo), Mauro Martins (bateria), Leo Montana (piano), Alex Correa (piano).

Outro registro que merece ser procurado é a caixa O Universo Musical de Raul de Souza , de 2012, que inclui o CD Voilà e um DVD com um show gravado no Sesc Vila Mariana, em 2001, com Raul acompanhado por Fabio Torres (piano), Mário Conde (guitarra e cavaquinho), Glauco Solter (baixo) e Serginho Machado (bateria), além das participações especiais de Hector Costita, João Donato e Altamiro Carrilho.















quarta-feira, 20 de março de 2019

O rei centenário

Impossível não falar sobre Nat King Cole no ano de seu centenário. Sim, é lugar comum dizer que Cole foi um dos mais bem sucedidos cantores de sua geração e que sua influência é sentida até hoje.

Apesar da morte precoce, aos 45 anos, vítima de câncer de pulmão, Cole conseguiu como poucos conquistar consumidores de jazz e de música popular. Seu piano e sua voz aveludada tinham a mesmo feitiço que encantaram brancos e negros em uma época na qual o racismo imperava.

Se não bastasse tudo isso, Cole ainda criou uma nova formação de jazz, pelo menos para a época: piano, baixo e guitarra. Ao lado do guitarrista Oscar Moore e do baixista Wesley Prince (depois substituído por Johnny Miller), o cantor deixou a bateria de lado e acabou criando uma sonoridade mais suave e acessível.

Ao cantar standards da música norte-americana como "What Is This Thing Called Love?", "Mona Lisa", "Sweet Lorraine", "The Very Thought of You" e "Route 66", "Natural Boy" e "The Man I Love", Cole parecia um anjo negro dedilhando seu piano, sempre com maestria e sua inconfundível voz aveludada, tudo muito bem "embalado" em um sorriso maroto e ternos impecáveis.

O sucesso leva Nat King Cole para a TV, em 1956. Apesar de ter ficado apenas um ano no ar, o efeito televiso aumenta ainda mais sua popularidade.

Dois anos depois, ele lança o disco Cole Español (foto ao lado), que trazia Cole cantando em espanhol canções como "Cachito" e "Quizas, Quizas, Quizas".

O sucesso foi, novamente, arrasador. Desta vez, Cole atingiu em cheio países latinos, entre eles o Brasil.

Em 1959, ele desembarcou no Brasil para uma turnê de sete dias no Rio e em São Paulo. Tocou no Maracanãzinho, no Rio, e no antigo Cine Teatro Paramount, em São Paulo.


Nat King Cole Trio: Nat com Oscar Moore (guitarra) e Johnny Miller (baixo)

Hoje, 54 anos após sua morte, o legado de Cole está espalhado por toda parte, em especial em discos tributos do guitarrista John Pizzareli, que toca com frequência no formato piano-baixo-guitarra, e da pianista canadense Diana Krall, com o disco All for You: A Dedication to the Nat King Cole Trio (foto abaixo).

Quem também dedicou disco inteiramente a Nat foi o irmão do cantor, o pianista Freddy Cole, que lançou em 2016 o disco He Was The King, o veterano guitarrista George Benson, com o disco Inspiration: A Tribute to Nat King Cole, de 2013, e, mais recentemente, o cantor Gregory Porter, com o álbum Nat King Cole & Me.

No Brasil, Nat tinha dois fãs assumidos: os cantores Dick Farney e Cauby Peixoto. Farney chegou a se apresentar nos Estados Unidos ao lado de Cole, na década de 1940.

Já Cauby gravou o disco Cauby Sings Nat King Cole, lançado em 2015, um ano antes de sua morte.  No ano seguinte, o disco venceu na categoria melhor álbum de língua estrangeira o Prêmio da Música Brasileira.

Infelizmente, o centenário do cantor fica mais pobre com a ausência da filha Natalie Cole (foto ao lado), morta aos 65 anos, em 31 de dezembro de 2015.

Em 1991, ela lançou o platinado disco Unforgettable, no qual cantava clássicos da carreira do pai.

O disco também trazia um dueto entre ela e o pai na faixa-título, uma inovação tecnológica inédita na época. Com o disco, Natalie garantiu a continuação do legado de onipresente Nat King Cole.

Ela repetiu a dose no disco Still Unforgettable, de 2008, no qual faz dueto com o pai na canção "Walkin' My Baby Back Home".

Clique aqui para ver a reportagem sobre os 100 anos do cantor exibida na GloboNews.







sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Betty Carter - Feed the Fire

Por 14 anos o Guia de Jazz esteve no ar com a missão de aproximar os internautas ao jazz. Um dos tópicos mais visitados era o de dicas de CDs, no qual dezenas de discos eram indicados e resenhados por mim.

Infelizmente, com o fim do site em setembro de 2015, todo esse acervo foi "perdido". Mas não totalmente perdido.

Além do livro Jazz ao Seu Alcance, que traz todo o conteúdo do guia, com dicas de CDs, DVDs, livros, entrevistas e muito mais, você encontrará quinzenalmente neste blog algumas dicas de CDs publicadas anteriormente no site Guia de Jazz.

Sempre que possível, ao final de cada resenha você encontrará vídeos do Youtube com algumas faixas do disco indicado para escutar. Boa leitura e audição. Veja outras dicas de CDs aqui

Betty Carter - Feed the Fire (1993)

Quando Louis Armstrong criou o scat (vocalização das notas musicais), o jazz vocal mudou para sempre o seu rumo. Além de Armstrong, Ella Fitzgerald também era outra especialista nessa técnica. Mais recentemente, Dee Dee Bridgewater e Al Jarreau são alguns dos cantores que utilizam o scat para improvisar dentro de um determinado tema.

Já que o assunto em pauta é o scat, é de fundamental importância citar Betty Carter. Com sua apurada técnica e a voz grave, a cantora foi descoberta em Detroit e logo em seguida contratada para cantar na orquestra do vibrafonista Lionel Hampton. Durante sua carreira, cantou com mitos do jazz, entre eles Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Miles Davis, Ray Charles e Wes Montgomery.

Para sentir toda a vitalidade de Betty Carter, procure o disco Feed the Fire, gravado ao vivo no Royal Festival Hall, em Londres, em outubro de 1993. Para acompanhá-la, nada menos que Dave Holland (baixo), Jack DeJohnette (bateria) e Geri Allen (piano). O disco começa com o melhor cartão de visita que Betty poderia oferecer.

A faixa-título é uma porrada de 11 minutos com a cantora abusando do scat e o trio em seu estado mais puro. Para conter o ânimo do ouvinte, a balada “Love Notes” vem na sequência, com Betty acompanhada apenas do piano de Allen. A mesma dobradinha também acontece na inesquecível “If I Should Lose You”.

O trio volta na retaguarda nos temas “I’m All Smiles”, “Sometimes I’m Happy” e na melancólica “Day Dream”, composta por Billy Strayhorn. O disco ainda reserva outros dois momentos sublimes. Na clássica “All or Nothing at All”, Betty recruta “apenas” o baixo de Holland para fazer a base de sua interpretação. Já em “What Is This Tune”, o instrumento escolhido é a bateria. Em seu estado mais puro, a cantora cria uma pequena obra-prima ao improvisar por sete minutos ao som das experientes baquetas de DeJohnette.







segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Grammy 2019 - Os Vencedores

E o Grammy vai para.......o saxofonista Wayne Shorter e a cantora Cécile McLorin Salvant (foto ao lado) , mais uma vez.

Após quatro décadas de seu primeiro Grammy, o veterano músico conquista seu 11° prêmio, desta vez com o disco triplo Emano, na categoria melhor disco de jazz instrumental.

A cerimônia de premiação do 61° Grammy Awards aconteceu no último dia 10 de fevereiro, em Los Angeles (EUA).

O disco triplo lançado pela gravadora Blue Note traz Shorter acompanhado pelo trio formado por Danilo Perez, John Patitucci e Brian Blade e pela Orpheus Chamber Orchestra. Das dez músicas, seis foram gravadas ao vivo com formação de quarteto, em 2015, e o restante acompanhado pela orquestra, gravado em 2013. Wayne, de 85 anos, é um dos maiores músicos de jazz em atividade.

Em seis décadas de carreira, ele tocou ao lado de gigantes do jazz como Art Blakey, Herbie Hancock e Miles Davis e foi um dos membros fundadores do grupo Weather Report, na década de 1970. Além dos Grammys, o músico também ganhou o prêmio de Música Polar da Suécia, conhecido como o “Nobel” da música, em 2017.


Wayne Shorter ao lado de seu atual quarteto (Blade, Perez e Patitucci)

Na categoria melhor disco de jazz vocal, mais uma vez, a cantora Cécile McLorin Salvant ficou o prêmio pelo disco The Window. Este é o terceiro Grammy da cantora que surgiu em 2010, após vencer a competição Thelonious Monk International Jazz Competition.

Os números de Cécile impressionam. Aos 29 anos, ela tem quatro discos lançados, sendo que três deles levaram o cobiçado gramofone dourado. Em The Window, a cantora é acompanhada apenas pelo pianista Sullivan Fortner (foto que abre a matéria).

Outros dois veteranos também levaram o Grammy. O cantor country Willie Nelson e o baterista Steve Gadd. Nelson venceu na categoria melhor disco vocal pop tradicional, com o disco My Way, interpretando clássicos da música norte-americana, entre eles "Night and Day", "Young At heart", "Fly Me To The Moon" e a faixa-título. Nelson superou nomes como Gregory Porter, Tony Bennett e Barbra Streisand.

O baterista Steve Gadd venceu na categoria melhor disco instrumental contemporâneo, com o álbum Steve Gadd Band, superando o baixista Marcus Miller e o guitarrista Julian Lage.

O baterista cubano Dafnis Prieto ficou com o prêmio de melhor disco de jazz latino pelo álbum Back to the Sunset, sua primeira incursão com uma big band.

Nas outras duas categorias do jazz, o trompetista John Daversa (foto ao lado) e sua big band estrelada por jovens músicos de diferentes partes do mundo ficaram com os prêmios na categoria melhor improviso de jazz e melhor disco de big band, pelo álbum American Dreamers: Voice of Hote, Music Of Freedom Featuring DACA Artists. Daversa ainda venceu na categoria melhor arranjo instrumental ao a capella.

Outro destaque foi a premiação do documentário Quincy, produzido pela Netflix, sobre a vida do compositor, arranjador e produtor musical Quincy Jones.

O filme ficou com o Grammy de melhor filme de música. O documentário conta a história do octogenário músico, com depoimentos do próprio Quincy e cenas inéditas de sua carreira de seis décadas, que destaca sua parceria com Michael Jackson, Frank Sinatra e outras estrelas do jazz, além passagem importantes de sua vida pessoal.

Veja a lista dos vencedores:

Melhor Improvisação Solo

Don't Fence Me In
John Daversa Big Band Featuring DACA Artists

Melhor Álbum Vocal

The Window
Cécile McLorin Salvant

Melhor Álbum Instrumental

Emanon
The Wayne Shorter Quartet

Melhor Álbum de Orquestra

American Dreamers: Voice of Hote, Music Of Freedom
John Daversa Big Band Featuring DACA Artists

Melhor Álbum de Jazz Latino

Back To The Sunset
Dafnis Prieto Big Band

Melhor Álbum Vocal Tradicional Pop

My Way
Willie Nelson

Melhor Álbum Instrumental Contemporâneo

Steve Gadd Band
Steve Gadd

Melhor Filme de Música

Quincy
Quincy Jones, Alan Hicks & Rashida Jones













segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

A arte do jazz nas lentes de Jean Pierre Leloir

A arte de fotografar músicos de jazz tem três representantes indiscutíveis: William Gottlieb. Herman Leonard e Francis Wolff.

Eles personificaram toda a mística que existe em torno de um músico de jazz. Durante as décadas de 1940 e 1960, suas fotos "tocavam" a alma dos fãs dos maiores nomes da história do jazz.

Do outro lado do Atlântico, mais especificamente em Paris, na França, um outro mestre das lentes imortalizou nomes como Miles Davis, Quincy Jones, Sarah Vaughan, Billie Holiday, John Coltrane, Duke Ellington, Chet Baker, Thelonious Monk, Nina Simone, Louis Armstrong e Dexter Gordon.

Jean Pierre Leloir aproveitou o constante intercâmbio de músicos americanos na Europa durante as décadas de 1950 e 1970 para registrar no palco e na intimidade esses e outros ícones do jazz.

Parte deste acervo foi selecionado e lançado no livro Jazz Images (foto acima), lançado apenas no mercado europeu, em 2017. As fotos foram selecionadas pelo espanhol Gerardo Cañellas e pelo fotógrafo argentino Jordi Soley, que tiveram acesso aos arquivos de Leloir em Paris.

Segundo os curadores do livro, a escolha das fotos foi um grande desafio diante do número incontável de fotos e registros históricos. Para conseguir selecionar as fotos para o livro, cerca de 150, eles deram preferência para registros mais íntimos e menos de shows ou gravações.

Com isso, é possível ver Quincy Jones e Sarah Vaughan (foto ao lado), em 1958, no apartamento de Jones, em Paris, ouvindo música em um rádio da época, ou ver Miles Davis descansando na piscina de um hotel, sem camisa e completamente relaxado, ou encontrar Count Basie desembarcando no aeroporto de Nice para participar do festival de jazz de Antibes, em 1961.

Após ver o livro, Quincy Jones explicou como Leloir conquistou o respeito, a admiração e a amizade de vários músicos de jazz. "Leloir tinha um talento único para preservar toda a atmosfera e emoções do momento. Ele nunca se comportava como um paparazzi, mas como um amigo".

Outro destaque do livro é uma fotografia do saxofonista John Coltrane sorrindo. Segundo, Soley é raro encontrar uma foto de Coltrane descontraído desta maneira.


Da esq. para a dir, e de cima para baixo: Louis Armstrong, Don Cherry, Billie Holiday, Dexter Gordon, Ray Charles, Chet Baker e Dick Twardzik, Herbie Hancock, John Coltrane, Nina Simone e sua filha Lisa, Sarah Vaughan, Roland Kirk e Ornett Coleman.

As fotos de Jean Pierre Leloir também foram usadas na Europa para estampar reedições de discos clássicos de jazz, entre eles Kind OF Blue, de Miles Davis, Moanin, de Art Blakey, Lady In Satin, de Billie Holiday, Giant Steps, de John Coltrane, Portrait In Jazz, de Bill Evans, e Affinity, de Oscar Peterson. Veja o vídeo abaixo com as capas desta coleção assinada por Leloir.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Leny Andrade é a tradução da musicalidade

No tributo a Leny Andrade no Blue Note Rio, em janeiro de 2019, o pianista Gilson Peranzzetta contou uma história que sintetiza bem a importância da cantora.

Peranzzetta disse que um jornalista foi até a sua casa para fazer uma entrevista e perguntou o que a cantora representava na sua música, na sua vida.

O músico no mesmo instante respondeu que "Leny era a nota que faltava no meu acorde". Logo em seguida, o repórter perguntou a Peranzzetta se ele tinha café. O músico, então, quis saber sobre a entrevista. Mas a resposta de Peranzzetta foi o suficiente para o jornalista.

Apesar do caso contado por Peranzzetta (foto abaixo), com quem Leny tem várias parcerias no decorrer de meio século de carreira, o legado da cantora nunca foi ovacionado como acontece com as carreiras de Angela Maria, Elizeth Cardoso, Elis Regina, Dolores Duran, Maria Bethânia, entre outras.

E olha que o repertório de Leny é extremamente acessível, uma mistura deliciosa de samba, jazz e bossa nova.

Ela tem discos em tributo a Tom Jobim, Nelson Cavaquinho, Cartola, Ivan Lins & Vitor Martins, isso sem falar nas canções que gravou de compositores como Luiz Bonfá, Vinicius de Moraes, Durval Ferreira, Roberto Menescal, Marcos Valle, Paulo Sergio Valle, Carlos Lyra, Ary Barroso e Dorival Caymmi.

Talvez o perfil mais jazzístico tenha "afastado" o público desta que é, sem dúvida, uma das mais completas cantoras do país. Seu domínio do scat (vocalização das notas) e sua precisão ao cantar são atributos que poucas cantoras no mundo têm.

O próprio Tony Bennett chama Leny de a "Ella Fitzgerald Brasileira". Além da apurada técnica vocal, Leny tem formação clássica de piano, o que deixa sua percepção musical ainda mais latente.

Durante sua rica carreira, Leny cantou ao lado de feras como Pery Ribeiro, Dick Farney, Johnny Alf, João Donato, Eumir Deodato, César Camargo Mariano (foto abaixo), Tamba Trio, Romero Lubambo, Sergio Mendes, Cristóvão Bastos e Gilson Peranzzetta. Em 1994, lançou o disco Maiden Voyage, ao lado do pianista de jazz Fred Hersch, com standards da música norte-americana.

Também lançado apenas no mercado internacional, o disco Alegria De Viver traz Leny acompanhada do violonista israelense Roni Ben-Hur. No repertório, temas de Tito Madi, Pixinguinha, Baden Powell, Tom Jobim e Luiz Eça.

Outro disco que merece destaque é Alma Mía (Fina Flor), de 2010, com Leny cantando em espanhol boleros clássicos como "El Dia Que Me Quiera", "Llévatela" e "Te Me Olvidas". A incursão pelo bolero acontece novamente no disco As Canções Do Rei, com músicas de Roberto e Erasmo Carlos, mas cantadas em espanhol.

Em 2018, Leny completou 75 anos. Apesar de estar com a saúde em dia, mesmo depois de sofrer algumas quedas em sua casa, no Rio de Janeiro, a cantora continua na ativa.

Desde a inauguração do Blue Note Rio, no fim de 2017, Leny já fez várias apresentações na casa. Em 2019, com a chegada do Blue Note em São Paulo, será a vez dos paulistanos terem a oportunidade de vê-la com mais frequência nos palcos.

No início de 2019, a cantora se mudou para o Retiro dos Artistas, instituição centenária localizada em Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro. O local é conhecido por abrigar artistas em dificuldade financeira.

Mas Leny garante que não é o seu caso. Apesar disso, o dinheiro arrecadado com o tributo realizado no Blue Note foi revertido para a cantora.









quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Blue Note Rio - Vídeos

Inaugurado em agosto de 2017, o Blue Note Rio tem feito aquilo que prometeu, ou seja, ser um espaço para a música instrumental brasileira e para novos talentos do país.

Grandes nomes já passaram pelo pequeno e aconchegante palco localizado Lagoa, uma das mais belas paisagens da cidade do Rio de Janeiro.

Nomes como Sergio Mendes, Roberto Menescal, João Donato, Ed Motta, Hamilton de Holanda, Eumir Deodato, Marcos Valle, Carlos Lyra, Ivan Lins, Leny Andrade, Joyce Moreno, Wagner Tiso, além dos internacionais Chick Corea, Rudresh Mahanthappa, Chris Botti, Richard Bona e Incognito. Abaixo você assiste na íntegra dezenas de shows que aconteceram no Blue Note Rio. Bom divertimento.


JOÃO DONATO



TRIBUTO A LENY ANDRADE


TRIBUTO A MARCIO MONTARROYOS


BRUCE HENRI TRIO


WAGNER TISO & MÁRCIO MALLARD


QUARTETO DO RIO - TRIBUTO A MENESCAL


RUDRESH MAHANTHAPPA


RICARDO SILVEIRA & VINICIUS CANTUÁRIA


ADAURY MOTHÉ TRIO - TRIBUTO A DOM SALVADOR


JOÃO DONATO, ROBERTO MENESCAL, MARCOS VALLE & CARLOS LYRA


MELISSA ALDANA


AZYMUTH


GABRIEL GROSSI


DAVID FELDMAN TRIO - TRIBUTO A LUIS EÇA


RAUL DE SOUZA


JOÃO DONATO


CAMA DE GATO % ARTHUR MAIA


GILSON PERANZZETTA


MARCOS SUZANO TRIO


HAMILTON DE HOLANDA


QUARTEO EM CY & DANILO CAYMMI


GUINGA & JEAN CHARNAUX


LÉO GANDELMAN & JÚLIO BITTENCOUR


YAMANDU COSTA


JOYCE MORENO


LENY ANDRADE


NELSON FARIA & MAURICIO EINHORN


AIRTO MOREIRA


ED MOTTA


KENNY GARRET