sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Gary Burton - Like Minds

Por 14 anos o Guia de Jazz esteve no ar com a missão de aproximar os internautas ao jazz.

Um dos tópicos mais visitados era o de dicas de CDs, no qual dezenas de discos eram indicados e resenhados por mim.

Infelizmente, com o fim do site em setembro de 2015, todo esse acervo foi "perdido".

Mas não totalmente perdido. Além do livro Jazz ao Seu Alcance - que traz todo o conteúdo do guia (dicas de CDs, DVDs, livros, entrevistas e muito mais) - você encontrará quinzenalmente neste blog algumas dicas de CDs publicadas anteriormente no site Guia de Jazz.

Sempre que possível, ao final de cada resenha você encontrará vídeos do Youtube com algumas faixas do disco indicado para escutar. Boa leitura e audição. Veja outras dicas de CDs aqui

Gary Burton - Like Minds (1998)

O jazz é uma das mais libertárias expressões culturais inventadas no século XX. O encontro de músicos de jazz é sempre um momento de criatividade, altivez e aprendizado. Mas quando isso acontece entre cinco jazzistas com carreiras de sucesso consolidadas tudo fica ainda mais saboroso.

O disco Like Minds tem uma das mais impressionantes formações das últimas duas décadas. Comandado pelo veterano vibrafonista norte-americano Gary Burton, o álbum conta com a guitarra de Pat Metheny, o piano de Chick Corea, o baixo de Dave Holland e a bateria de Roy Haynes, todos com mais de 50 anos, com exceção de Metheny, que tinha 44 anos em 1998.

O professor Burton - que lecionava na famosa escola Berklee de música, nos EUA - descobriu o jovem Metheny no início da década de 1970, e gravou os discos Crystal Silence, em 1973, e Hot House, em 2012, com Corea.

O pianista tocou no grupo de Miles Davis ao lado de Holland, que gravou o disco Question and Answer, em 1990, em formação de trio, ao lado de Metheny e Haynes, que também flertou no decorrer de sua longa carreira com Corea e Burton. Outra curiosidade é que antes de Like Minds, Corea e Metheny - que em 1998 já eram músicos do primeiro escalão do jazz - nunca tinham se encontrado em estúdio.


Burton, Corea, Metheny, Holland e Haynes durante a gravação do disco.

O disco abre com “Question and Answers”, composta por Metheny, com destaque para a parceria guitarra-vibrafone. Mas o bicho pega mesmo em “Elucidation”, uma porrada sonora com solos de Corea e Metheny, e em “Windows”, composta por Corea. O clima volta a ficar introspectivo na balada “F utures”, com 10 minutos de duração.

A única música não autoral do disco é “Soon”, de George e Ira Gershwin, na qual a sempre precisa bateria de Haynes está mais evidente. O disco fecha com “Straight Up and Down, uma viagem sonora de nove minutos.

Um último detalhes sobre este disco foi a conquista do Grammy de melhor disco de jazz em 2000. Nada mal para um quinteto que tem entre seus membros dois dos maiores recordistas de Grammy na história do jazz, Chick Corea e Pat Metheny.





quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Rawsey Lewis comanda o Legends Of Jazz

Lá no século XX, pelo menos nos Estados e na Europa, era comum encontrar programas de jazz na televisão, entre eles o Jazz 625, no Reino Unido, o Jazz Casual, comandado pelo americano Ralph J. Gleason, e o espanhol Jazz Entre Amigos, apresentado por Juan Claudio Cifuentes.

Felizmente, com a chegada da TV paga, a grade de programação aumentou consideravelmente, mas o jazz continua preterido por grande parte das emissoras. De vez em quando, um pequeno suspiro de esperança traz o jazz de volta. Atualmente, canais como o Arte 1 e o Bis oferecem timidamente espaço para alguns concertos de jazz.

A situação nos Estados Unidos também não é animadora. As tentativas de oferecer um espaço mais nobre para o jazz não tem surtido efeito prático. Uma das últimas tentativas aconteceu em 2006, no canal norte-americano PBS, com o programa Legends of Jazz, apresentado pelo pianista Rawsey Lewis (foto acima).

A cada edição, Lewis recebe jazzistas para um bate-papo e apresentações inspiradas. Ao todo foram produzidos 13 programas intitulados The Golden Horns, The Jazz Singers, Contemporary Jazz, The Altos, The Piano Masters, Roots Of Jazz: The Blues, The American Songbook, Latin Jazz, The Tenors, Brazilian Jazz, The Killer B'S e NEA Jazz Masters 2006.

A intenção da série é trazer músicos de diferentes formações e gerações para falarem um pouco sobre suas influências e seus processos de criação.

Apesar do bate-papo ser muito superficial, a iniciativa de colocar em um mesmo palco duplas como Jim Hall e Pat Metheny, Jane Monheit e John Pizzarelli, Robert Cray e Keb' Mo, Al Jarreau e Kurt Elling, Joey DeFrancesco e Dr. Lonnie Smith, por exemplo, é motivo suficiente para você assistir. Na foto acima, Rawsey Lewis ao lado dos trompetistas Roy Hargrove, Clark Terry (sentado) e Chris Botti, que participaram de um programa da série chamado The Golden Horns.

O Brasil ganha destaque com um programa especial estrelado pelo cantor Ivan Lins e o violonista Oscar Castro-Neves. No programa, "Águas de Março" , "Começar de Novo" e "Samba do Avião".

Outro destaque da série é o encontro dos guitarristas Pat Metheny e Jim Hall. Dois gênios da guitarra em um mesmo palco e interpretando o clássico "All The Things You Are", de Jerome Kern e Oscar Hammerstein II. Infelizmente o programa com Metheny e Hill é o único que não foi lançado no DVD da série.

O programa, infelizmente, não sobreviveu à primeira temporada. Não ficou claro se foi cancelado por falta de interesse da emissora ou de patrocinadores, ou se terminou porque foi idealizado para ter apenas esse número de episódios. Mais uma tentativa de trazer jazz para "as massas" que não prosperou.

Os 13 programas estão disponíveis em DVD, vendidos separadamente por temporada, com 3 DVDs em cada box, que inclui 4 programas cada. Abaixo você encontra a relação completa de cada DVD e suas respectivas atrações.

Um quarto DVD intitulado Showcase, uma espécie de best of do programa, também foi lançado, com Clark Terry, Dave Brubeck e Benny Golson, Jane Monheit, John Pizzarelli, Chris Botti, entre outros.



DVDs

Volume 1

"The Golden Horns - Clark Terry, Roy Hargrove & Chris Botti
"The Jazz Singers - Al Jarreau & Kurt Elling
"Contemporary Jazz - George Duke, Lee Ritenour & Marcus Miller
"The Altos - David Sanborn & Phil Woods

Volume 2

"The Piano Masters - Dave Brubeck & Dr. Billy Taylor
"Roots: The Blues - Robert Cray & Keb' Mo'
"American Songbook - Jane Monheit & John Pizzarelli
"Latin Jazz - Eddie Palmieri & Dave Valentin

Volume 3

"The Tenors - Benny Golson, Chris Potter & Marcus Strickland
"Brazilian Jazz - Oscar Castro-Neves & Ivan Lins
"The Killer Bs - Joey DeFrancesco & Dr. Lonnie Smith
"NEA Jazz Masters 2006 - Tony Bennett, Chick Corea & Ray Barretto



REPERTÓRIO DVD SHOWCASE

“Take 5” - AL JARREAU & KURT ELLING
“My Funny Valentine” - CHRIS BOTTI
“The Panther” - MARCUS MILLER, GEORGE DUKE, LEE RITENOUR
“Senor Blues” - DAVID SANBORN & PHIL WOODS
“Armando’s Rhumba” - CHICK COREA
“12 Year Old Boy” - ROBERT CRAY & KEB MO
“Killer Joe” - BENNY GOLSON
“The Island” - IVAN LINS
“Mumbles” - CLARK TERRY
“They Can’t Take That Away From Me” - JANE MONHEIT & JOHN PIZZARELLI
“Obsession” - DAVE VALENTIN
“Take The ‘A’ Train” - DAVE BRUBECK & BILLY TAYLOR
“Dear Lord” - RAMSEY LEWIS

Veja abaixo, na íntegra, o DVD SHOWCASE:



Veja abaixo, na íntegra, o episódio com os guitarristas Pat Metheny e Jim Hall:



Veja abaixo a música "Samba do Avião", com Ivan Lins e Oscar Castro-Neves:

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Roy Hargrove - With The Tenors Of Our Time

Por 14 anos o Guia de Jazz esteve no ar com a missão de aproximar os internautas ao jazz. Um dos tópicos mais visitados era o de dicas de CDs, no qual dezenas de discos eram indicados e resenhados por mim. Infelizmente, com o fim do site em setembro de 2015, todo esse acervo foi "perdido".

Mas não totalmente perdido. Além do livro Jazz ao Seu Alcance - que traz todo o conteúdo do guia (dicas de CDs, DVDs, livros, entrevistas e muito mais) - você encontrará quinzenalmente neste blog algumas dicas de CDs publicadas anteriormente no site Guia de Jazz.

Sempre que possível, ao final de cada resenha você encontrará vídeos do Youtube com algumas faixas do disco indicado para escutar. Boa leitura e audição. Veja outras dicas de CDs aqui

Essa resenha está sendo republicada para homenagear Hargrove, que faleceu no dia 2 de novembro de 2018, aos 49 anos de idade. Que descanse em paz.

Roy Hargrove - With The Tenors Of Our Time (1994)

Apadrinhado por Wynton Marsalis, Roy Hargrove se tornou, em menos de cinco anos, um dos maiores talentos do trompete da nova geração. Influenciado por Lee Morgan e Freddie Hubbard, ele começou a carreira gravando pela gravadora Novus. Após cinco discos, a toda poderosa Verve não teve dúvida e o contratou, na época com 23 anos.

Aliado à Verve, Hargrove entrou em contato com grandes nomes do jazz e estreou com o pé direito sua parceria com o lançamento do disco With The Tenors Of Out Time, de 1994.

Neste trabalho, o quinteto do trompetista, com destaque para o pianista Cyrus Chestnut e o baixista Rodney Whitaker, convidou cinco grandes saxofonistas tenores: Joe Henderson, Johnny Griffin, Stanley Turrentine, Joshua Redman e Branford Marsalis. Com um time deste o disco não poderia ter outro resultado, uma obra-prima.

Logo de saída, uma parceria entre Hargrove e Turrentine em “Stoppin'The Biscuit”, escrita pelo trompetista. Os dois voltam a se encontrar em “Wild Is Love”, composição dos anos 50, que aqui tem clima de bossa nova.

Além do trompete tradicional, Hargrove também ataca no flugelhorn ao lado do sax de Griffin, na romântica “When We Were One”, em “Once Forgotten”, com Chestnut roubando a cena, e em “Never Let Me Go”, com destaque para o solo de Whitaker.

Mas o grande momento do disco acontece ao lado de outro peso pesado do sax, Joe Henderson. Escute a suingada “Shade Of Jade” e a tranqüila ‘Serenity” e perceba o forte elo criado pelo sax de Henderson e o trompete de Hargrove. Para terminar, dois “novos” saxofonistas acompanham o trompetista. Branford Marsalis aparece em “Valse Hot” e Redman mostra sua técnica em “Acrosss The Pond”.

Na época deste lançamento, Hargrove era “apenas” um músico promissor. Hoje, uma década mais tarde, o trompetista é uma das principais figuras do jazz e apontado como um dos mais instigantes e completos jazzistas de sua geração.