sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Blue Note Rio, um ano depois

E lá se vai um ano desde a inauguração do Blue Note Rio, em agosto de 2017. Apesar de todos os contratempos e dúvidas que um ano pré-eleitoral traz, a aposta de abrir uma casa de show para receber a nata da música instrumental brasileira e grandes nomes do jazz internacional se mostrou acertada e importante para uma cidade abandonada à própria sorte.

Neste primeiro ano, a filial carioca do famoso clube nova-iorquino de jazz mesclou bem as atrações brasileiras com as estrangeiras, conseguindo atrair público e mídia espontânea para si. Nomes como Chick Corea (foto acima), Chris Botti, Hermeto Pascoal, Leny Andrade, Sergio Mendes, Eumir Deodato, Ney Matogrosso, Melissa Aldana e Kenny Garret são exemplos do alto nível de músicos que tocaram no pequeno palco da casa.

Daniel Stain, um dos sócios do Blue Note Rio, comemora o sucesso e a acolhida do público carioca. "O Blue Note entrou para cena carioca. Fazia muito tempo que o Rio não tinha uma casa de shows intimista como o Blue Note".

Para Stain, após um ano em atividade, a casa já é um dos pontos turísticos da cidade, indicado por hotéis e agentes de viagem. "No início o público era predominantemente carioca e de turistas brasileiros, mas agora percebemos cada vez o aumento de estrangeiros", destaca Stain.


Wagner Tiso e Tunai tocam no Blue Note Rio. A dupla foi uma das primeiras atrações da casa

Além de shows solos de músicos brasileiros e estrangeiros, o Blue Note promoveu noites temáticas, como a comemoração dos 60 anos de Cazuza, o centenário de Jacob do Bandolim e os 60 anos da Bossa Nova. Esses três shows, por exemplo, reuniram nomes como João Donato, Marcos Valle, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Zé Paulo Becker, Ronaldo do Bandolim, George Israel, Paulo Ricardo, Guto Goffi e Arnaldo Brandão.

Na terra de Cartola, Herivelto Martins, Noel Rosa e Wilson Baptista, é claro que o samba também teve espaço no Blue Note. Durante esse primeiro ano, a casa recebeu nomes como Pedro Miranda, Mart’nália (foto ao lado), Moacyr Luz, Jorge Aragão e Martinho da Vila.

Em parceria com o grupo Semente, a casa criou o Noites do Semente, espaço que recebe os tradicionais shows do Bar Semente, que fechou no início de setembro por causa de dificuldades financeiras. O Semente foi responsável pelo aparecimento de talentos como a cantora Teresa Cristina, o violonista Yamandu Costa e o grupo Casuarina.

Para manter a tradição da casa, que tem dezenas de CDs gravados em seu palco, o Blue Note Rio vai ganhar o seu primeiro registro ao vivo em disco em breve, No dia 1º de outubro, o pianista David Feldman, acompanhado do baixista André Vasconcellos e do baterista Marcio Bahia, gravou o seu show e deve lança-lo em CD e DVD em 2019. Veja um trecho abaixo.

Apesar do jazz ser uma música pouco consumida no Brasil, o país tem uma tradição de festivais de jazz - Free Jazz, Guaramiranga Jazz, Heineken Concertes, Chivas Jazz, Jazz na Fábrica, Tim Festival, Rio das Ostras, Tudo é Jazz - uma história rica de musicalidade com a bossa nova e grandes instrumentistas de renome internacional.

Nos últimos anos, a oferta de shows de música instrumental brasileira e estrangeira tem aumentado. Além do Blue Note Rio, casas como Tupi Or Not Tupi, Jazz aos Fundos, Bourbon Street, todas na capital paulista, recebem músicos aclamados e jovens talentos. A rede Sesc é outro importante polo de shows.

Quem deve desembarcar em São Paulo em 2019 é a Blue Note. Stain confirma uma nova filial brasileira no país. Mas o local e a data de inauguração ainda são segredos. Para ter mais detalhes sobre a casa e sua programação, visite o Facebook oficial aqui.

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