domingo, 8 de janeiro de 2017

Michel Petrucciani - Solo Live

Por 14 anos o Guia de Jazz esteve no ar com a missão de aproximar os internautas ao jazz. Um dos tópicos mais visitados era o de dicas de CDs, no qual dezenas de discos eram indicados e resenhados por mim. Infelizmente, com o fim do site em setembro de 2015, todo esse acervo foi "perdido".

Mas não totalmente perdido. Além do livro Jazz ao Seu Alcance - que traz todo o conteúdo do guia (dicas de CDs, DVDs, livros, entrevistas e muito mais) - você encontrará quinzenalmente neste blog algumas dicas de CDs publicadas anteriormente no site Guia de Jazz.

Sempre que possível, ao final de cada resenha você encontrará vídeos do Youtube com algumas faixas do disco indicado para escutar. Boa leitura e audição. Veja outras dicas de CDs aqui

Michel Petrucciani - Solo Live (1999)

O pianista francês Michel Petrucciani conseguiu sair da Europa e mostrar sua técnica deste lado do Atlântico. Em quase 20 anos de carreira, ele deixou claro que sua deficiência física - Petrucciani tinha uma doença degenerativa - não seria empecilho para se tornar um grande pianista. Entre suas maiores influências estão Keith Jarrett e Bill Evans.

Ele gravou vários discos ao vivo, alguns deles acompanhado de bateria e baixo, mas suas grandes apresentações aconteciam solo. Era aí que o ouvinte tinha a oportunidade de vê-lo por inteiro. Este é o caso do disco Solo Live, gravado em Frankfurt, na Alemanha, em 1997.

Aqui, o pianista dá uma geral em seu repertório e ainda mostra versões de consagrados compositores. Nas composições autorais, Petrucciani abre com a delicada “Looking Up”, com um arranjo à Jarrett. Já em “Chloee Meets Gershwin”, a improvisação e criatividade do músico estão em todas as notas.



Nos momentos não autorais, é possível confrontar sua técnica com as versões originais. Escute “Caravan”, de Duke Ellington, e perceba como ele consegue reinventar as notas do grande maestro. Em “Besame Mucho”, apesar de uma pequena modificação, as notas soltas e fortes de seu piano encantam. Para terminar, ele ataca com uma composição de Billy Strayhorn, grande parceiro de Ellington, em “Take the “A” Train”.

Mesmo com sua morte prematura, em 1999, com 36 anos, Michel Petrucciani manterá seu legado no jazz como um dos mais notáveis pianistas do gênero. Como Jarrett e Evans, ele provou que não é preciso “quebrar” o piano para seduzir e encantar.



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