quarta-feira, 20 de abril de 2016

Lyle Mays - Fictionary

Por 14 anos o Guia de Jazz esteve no ar com a missão de aproximar os internautas ao jazz. Um dos tópicos mais visitados era o de dicas de CDs, no qual dezenas de discos eram indicados e resenhados por mim. Infelizmente, com o fim do site em setembro de 2015, todo esse acervo foi "perdido".

Mas não totalmente perdido. Além do livro Jazz ao Seu Alcance - que traz todo o conteúdo do guia e muito mais - você encontrará quinzenalmente neste blog algumas dicas de CDs publicadas anteriormente no site Guia de Jazz.

Sempre que possível, ao final de cada resenha você encontrará vídeos do Youtube com algumas faixas do disco indicado para escutar. Boa leitura e audição. Veja outras dicas de CDs aqui

Lyle Mays - Fictionary (1992)

Para quem é novato no jazz, uma boa pedida para começar a se familiarizar com o ritmo é procurar discos com a clássica formação de trio, ou seja, piano, baixo e bateria. Apesar do sax ter um papel importante dentro da história do jazz, o piano, na maioria das vezes, acaba sendo mais fácil de ser digerido por ouvintes pouco acostumados com as nuances do jazz.

Para a alegria dos novos fãs, há vários trios que fizeram história no jazz, entre eles estão os discos clássicos dos pianistas Oscar Peterson, Bill Evans e Ahmad Jamal, Keith Jarrett e Chick Corea e dos novos trios comandados pelos pianistas Bill Charlap, Bruce Hornby, Gonzalo Rubalcaba e Brad Mehldau e do grupo The Bad Plus.

Apesar dessa infinidade de nomes, o disco de trio indicado aqui é de um pianista pouco lembrado pela maioria dos fãs de jazz, mas que tem uma carreira de três décadas para comprovar sua versatilidade e talento. O norte-americano Lyle Mays tem sua história musical ligada diretamente ao guitarrista Pat Metheny. Nos últimos 20 anos, Mays tem acompanhado Metheny em vários festivais de jazz, além de ser o principal parceiro do guitarrista na hora de compor.

Em 1992, o pianista lançou o disco Fictionary, seu terceiro disco solo, ao lado do baterista Jack DeJohnette e do baixista Marc Johnson. A grande surpresa é que o músico apostou na formação clássica do jazz - piano, baixo e bateria - ao invés de investir em seus habituais teclados. O resultado foi um dos melhores discos de trio dos anos 90.

O disco abre com a singela “Bill Evans”, uma homenagem ao pianista que fez história com seu toque requintado e impecável. Na faixa-título, o piano de Mays reina solo nos dois primeiros minutos e em seguida entram bateria e baixo. Destaque para a bateria de DeJohnette. Para acalmar um pouco o ouvinte, as opções são “Siena”, “Something Left Unsaid” e “On the Other Hand”, está última apenas com Lyle ao piano.

A quebradeira retorna com as faixas “Trio #1”, “Trio # 2” e “Hard Eights”, na qual Johnson rouba a cena. Para terminar, “Falling Grace”, composta pelo baixista Steve Swallow e “Where Are You From Today”, uma delicada melodia criada por Mays.

Com este disco, Lyle Mays deixou claro que não é apenas um coadjuvante da carreira de sucesso de Metheny. Pelo contrário, depois de ouvir Fictionary, você terá certeza que a fama conquistada por Metheny é resultado da parceria do guitarrista com um certo pianista que o acompanha chamado Lyle Mays.

Faixas:
1 - Bill Evans
2 - Fictionary
3 - Sienna
4 - Lincoln Reviews His Notes
5 - Hard Eights
6 - Something Left Unsaid
7 - Trio #1
8 - Where Are You From Today
9 - Falling Grace
10 - Trio #2
11 - On The Other Hand

Escute abaixo algumas músicas do álbum:













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